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Franqueados 60+ impulsionam mudanças no franchising brasileiro

Empreendedores experientes da economia prateada agregam resiliência, capital e conhecimento às redes de franquias, desafiando preconceitos
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Franqueados 60+ impulsionam mudanças no franchising brasileiro
Entre os franqueados da empresa de Raphael Dionelly está Jurandir Pacheco, de 84 anos, que se tornou mentor informal dos jovens | Foto: Raphael Dionelly / Arquivo Pessoal

O envelhecimento da população brasileira já despertou a atenção das empresas interessadas em entender o consumidor 60+, mas poucas se atentaram para os empreendedores dessa faixa etária. O Brasil soma 4,5 milhões de empreendedores da chamada economia prateada. O número cresceu 58,6% na última década, de acordo com dados do Sebrae Nacional. E, aos poucos, o franchising tem se tornado uma boa porta de entrada para esses brasileiros cheios de energia e que podem agregar conhecimento e resiliência às redes.

De acordo com o Censo 2022, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em doze anos. A população idosa com 60 anos ou mais chegou a 32,1 milhões de pessoas, 15,8% da população do País. O aumento é de 56% em relação a 2010, quando era de 20,5 milhões (10,8%). Ainda de acordo com o Censo, a idade mediana da população brasileira aumentou seis anos desde 2010 e passou de 29 para os 35 anos em 2022.

Cada vez mais ativos, os 60+ se mostram empreendedores dedicados, seguros e com muito fôlego. De acordo com o diretor comercial da consultoria Global Franchise, Artur Larangeiras, ignorar esse público significa desperdiçar uma combinação poderosa de experiência acumulada, capital disponível e clareza de objetivos.

“Nenhum setor que deseja crescer com solidez pode se dar ao luxo de manter preconceitos etários. A necessidade de uma renda complementar tem muita relevância na busca de um novo negócio nessa fase da vida, mas a busca por um propósito de vida depois da saída dos filhos de casa também pesa bastante. Eles são empreendedores que, em regra, experientes, fazem escolhas conscientes com uma gestão financeira adequada”, explica Larangeiras.

O que trava a relação entre as franqueadoras e os candidatos 60+, segundo o consultor, é uma espécie de “preconceito silencioso” que imputa aos mais velhos lentidão e pouca aptidão para lidar com a tecnologia. Enquanto isso, esses empreendedores seguem fazendo barulho e buscam nas franquias um modelo testado, processos claros e suporte estruturado.

O Sebrae aponta que o Brasil já conta com 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, contingente que cresceu quase 59% na última década, demonstrando que se trata de uma força econômica relevante e em expansão.

“A maior dificuldade é a comunicação. Os materiais didáticos e a dinâmica não são adequados na maioria dos casos. O problema está mais na forma do que no conteúdo. Não acredito que seja uma questão de tecnologia. Eles trazem uma bagagem da vida toda e acabam se transformando em formadores de opinião dentro da rede. O franchising é muito relacional e o público 60+ gosta de conversar e lida bem com colaboradores e clientes, inclusive ajudando a decifrar os hábitos de consumo da geração prateada”, avalia.

Franqueados 60+ entregam tempo e conquistam novos negócios

O CEO da Dionelly Brinquedos, Raphael Dionelly, embora não tenha construído um plano específico para esses candidatos a franqueados, tem se dedicado a aprimorar a comunicação voltada para esse público.

“Não olhamos essa questão de idade, mas de mentalidade. Quais são as crenças, qual educação o candidato precisa, sendo jovem ou experiente. A gente vai trabalhando de acordo com a maturidade. Entendemos as dores dos mais experientes. Esse perfil busca uma operação mais enxuta e conexão com as pessoas, um sentimento familiar. Quando é muito ‘business’, não é para essa geração. A conexão é o principal ponto de atenção”, aponta Dionelly.

Com 22 operações no Brasil, entre próprias e franqueadas, sendo uma em Belo Horizonte; e unidades em Portugal, Espanha, Chile e uma inauguração prevista para outubro, em Luxemburgo – todas próprias–, a marca está concluindo um processo de reestruturação interna e vai reabrir o plano para novos franqueados em outubro.

Entre os franqueados 60+ da Dionelly, está o senhor Jurandir Pacheco, de 84 anos, que já se tornou um mentor informal dos mais jovens.

“Ele é um franqueado operador, está no dia a dia da unidade e é sempre receptivo às novas ideias e aderente aos treinamentos. Com toda a sua experiência ele conduz com maestria o seu negócio, traz conhecimento para a franqueadora e para os demais franqueados, tendo sempre uma maneira especial e tempo para conversar com as pessoas”, elogia o fundador da Dionelly Brinquedos.

Na Melhor Bocado Café, franquia paulista de cafeterias, a relação com os seniores tem sido uma experiência proveitosa. Segundo o fundador e diretor geral da franquia, Renato Keila, o perfil 60+ traz maturidade financeira e disciplina na execução de processos para a rede, hoje, com oito unidades.

“A maturidade traz resiliência e calma para essa faixa etária. Eles enfrentam as crises e a sazonalidade com muito mais serenidade do que os jovens. Eles já viram muitas coisas acontecendo e sabem que as crises são transitórias, mas que exigem uma ação firme e bem estudada. Esse grupo demonstra maior resiliência frente a oscilações econômicas e sazonalidade. Cabe à franqueadora entregar sistemas padronizados e mostrar o que ele pode delegar para os funcionários”, avalia.

Para conquistar esse perfil, a empresa precisa se fazer presente onde ele frequenta. No caso das redes sociais, o Facebook tem se mostrado o melhor canal. E uma vez conquistados, esses empreendedores se tornam verdadeiros embaixadores da marca. Esse é o caso do senhor Sami Keila, de 72 anos, que foi um dos primeiros franqueados da rede de cafeterias.

Renato Keila e Sami Keila
Renato Keila considera Sami Keila como embaixador da marca | Foto: Divulgação Melhor Bocado Café

“É no Facebook que temos a maior conversão de leads deste público, muito mais do que no Instagram ou qualquer outra rede. Eu recomendo que as franqueadoras deem uma atenção especial a esse público. Eles são disciplinados e confiam no processo. Temos conosco, por exemplo, o senhor Sami Keila. Ele gosta de ficar na loja, de conversar e acabou criando uma comunidade. Os clientes viram amigos que vão lá visitar a loja e a ele e assim ele é um verdadeiro embaixador da Melhor Bocado, inclusive para a conquista de novos franqueados”, pontua o fundador da rede.

Para o diretor comercial da Global Franchise, as recomendações para um candidato a franqueado 60+ ao escolher uma franquia são muito parecidas com as que se faz para um candidato mais jovem.

“O ideal é buscar uma orientação profissional para entender o perfil da marca, os números e checar a sua idoneidade. Outro ponto importante é conversar com os outros franqueados, pelo menos 10, e validar o modelo com a família, fazendo um bom planejamento financeiro. É importante lembrar que todo negócio tem riscos, mesmo as franquias, então, a consciência financeira é fundamental. E, por fim, evitar modismos. Modelos já consolidados são sempre mais seguros”, aconselha Larangeiras.

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