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Inatel estuda implantação do 6G no Brasil

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Crédito: Divulgação

Ao mesmo tempo em que muita gente ainda sofre para ter qualquer tipo de acesso à internet e a implantação do 5G continua se arrastando em um emaranhado de questões técnicas e políticas no Brasil, complicadas pelo cenário caótico imposto pelo Covid-19, na pequena e pacata Santa Rita do Sapucaí, cidade com pouco mais de 43 mil habitantes – segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2019 -, no Sul de Minas, os estudos para a sexta geração da internet (6G) já começaram.

Em dezembro do ano passado, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) assinou um convênio que garante R$ 1,5 milhão para custear os primeiros passos da pesquisa sobre cenário pós-5G e os trabalhos tiveram início em fevereiro deste ano.

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De acordo com o pró-diretor de pós-graduação e pesquisa e coordenador do Centro de Referência em Radiocomunicações (CRR) do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), José Marcos Câmara Brito, discutir e desenvolver o 6G pode colocar o Brasil, pela primeira vez, em condições de não ser um mero consumidor da tecnologia de comunicação móvel mas, sim, de ter protagonismo em um salto tecnológico sem precedentes e fazer do País um provedor e exportador de tecnologia de ponta.

“Parece estranho falar em 6G quando mal conseguimos usar o 4G nas grandes cidades, mas é preciso entender como funcionam os ciclos de pesquisa e desenvolvimento. Historicamente, as gerações de comunicação móvel surgem de 10 em 10 anos. Então, se estamos implantando o 5G em níveis mundiais em 2020, o 6G está previsto para 2030. É necessário muito tempo para que a tecnologia e as funcionalidades sejam desenvolvidas, testadas, ajustadas às necessidades e realidades de cada lugar. Ainda há todo o processo de regulamentação e implantação. Até o 4G, o Brasil foi um mero consumidor. A partir do 5G, passamos a participar das pesquisas, mas começamos bastante atrasados. Agora é nossa chance de sermos protagonistas nesse processo e tentar influenciar o ecossistema mundial para o desenvolvimento de características que atendam às nossas necessidades”, explica Brito.

Vamos ter um ‘gênio digital’ no mundo todo, avalia Brito | Crédito: Divulgação

Se o 5G permite que o mundo entre definitivamente na era da “internet das coisas”, o 6G pode romper a barreira da biologia e nos levar para um novo patamar de conexão entre as coisas, as pessoas e a natureza. Será a era da hiperconectividade através de nanobiossensores.

Realizada, essa promessa muda não apenas o patamar tecnológico da humanidade, mas também deve impor uma mudança de mentalidade. As questões éticas oriundas do uso da tecnologia vão exigir uma profunda reflexão moral no campo da filosofia e do direito à privacidade e confidencialidade de dados, entre outros aspectos.

“Vamos ter um ‘gênio digital’ no mundo todo. Teremos uma versão digital de tudo que existe. Todas as coisas serão conectadas e monitoradas. Vai existir um grande conjunto de sensores no ser humano, permitindo a comunicação direta entre pessoas e máquinas sem fio. Essa integração toda vai trazer para o ser humano um sexto sentido, integrando o mundo físico, o mundo digital e o mundo biológico”, anuncia o coordenador do CRR.

Apoio financeiro – O projeto brasileiro conta com o apoio do MCTIC, mas tem um orçamento bastante apertado até o fim do ano. A promessa é de que mais recursos sejam liberados para 2021, mesmo assim o professor busca parcerias com a iniciativa privada e participar de editais de fundos de fomento à pesquisa. O valor estimado para o projeto de três anos é de R$ 22 milhões.

A quantia é irrisória perto do que, por exemplo, a Finlândia vai investir na sua pesquisa: 250 milhões de euros (cerca de R$ 1,5 bilhão ao câmbio atual), em oito anos. Recentemente, o Inatel assinou um protocolo de cooperação com o país da Escandinávia.

Acordos como o celebrado com a Finlândia são essenciais para que o Brasil participe de associações que reúnem o ecossistema de inovação formados pelas instituições de pesquisa, empresas e governos no mundo.

“Somente a partir da quinta geração é que passamos a integrar essas associações com a criação da nossa 5G Brasil. Agora, já criamos a Brasil 6G e estamos caminhando junto com as pesquisas internacionais”, comemora o pesquisador.

Enquanto o futuro se desenha nos laboratórios do Inatel, o Brasil ainda marca o passo para a implantação do 5G | Crédito: Divulgação

Economia – Para que a população e o setor produtivo sejam capazes de se apropriar das vantagens prometidas pela sexta geração, é preciso um investimento alto em infraestrutura e um trabalho de modernização da regulação. Cidades como Belo Horizonte e São Paulo têm legislações altamente restritivas à instalação de antenas, por exemplo, o que já impede o bom funcionamento do 4G atualmente.

Belo Horizonte, capital do Estado que promete exportar tecnologia de quinta e sexta gerações para todo o mundo, ostenta uma posição pouco honrosa no ranking “Cidades Amigas da Internet 2019”, realizado pela consultoria Teleco, figurando na 97ª posição. Outras oito cidades mineiras aparecem no ranking: Uberlândia, no Triângulo, em 2º lugar; Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte – RMBH, (8º); Juiz de Fora, Zona da Mata (27º); Uberaba, Triângulo (32º); Contagem (38º) e Betim (59º), RMBH; Governador Valadares, Vale do Rio Doce (84º); e Montes Claros, Norte de Minas (87º).

O trabalho tem como objetivo identificar, dentre os 100 maiores municípios brasileiros, aqueles que mais estimulam a oferta de serviços de telecomunicações no Brasil, por meio da elaboração de políticas e ações públicas que incentivem e facilitem a instalação de infraestrutura necessária à expansão destes serviços. Para a composição do ranking são avaliadas as restrições, burocracia, prazo e onerosidade para a implantação de Estações Rádio Base (ERBs) e Redes (Subterrâneas ou aéreas).

O problema tende a se cronificar com a chegada do 5G e se tornar um impeditivo definitivo para a implementação do 6G que deve exigir a instalação de 100 antenas por quilômetro quadrado.

“Temos que enfrentar o problema histórico da falta de infraestrutura. A tecnologia é uma ferramenta incrível, mas ela só traz resultados se fizer parte de um esforço conjunto que a leve para todo o País. Que seja capaz de distribuir esses benefícios para todas as regiões, para toda a população. A tecnologia pode diminuir, mas também pode aumentar as desigualdades sociais que temos se não tivermos uma política de estado no lugar de apenas uma política de governo”, alerta o professor.

Desenvolver o 6G pode elevar o Brasil de mero espectador para protagonista de um salto tecnológico sem precedentes | Crédito: Divulgação

Quinta geração – Enquanto o futuro se desenha nos laboratórios do Inatel, o Brasil ainda marca o passo para a implantação do 5G. Prometido para o primeiro trimestre de 2020, o leilão das faixas de frequência está sem data definida. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) considera que será a maior licitação de radiofrequência da história, quando negociará licenças na faixa de 700 megahertz (MHz), 2,3 gigahertz (GHz), 3,5 GHz e 26 GHz.

A tecnologia 5G oferece três principais diferenciais com potencial para alterar o modo como produzimos e consumimos atualmente: a baixa latência (tempo de resposta do sinal), o múltiplo acesso (suporta número elevado de conexões simultâneas) e alta vazão (comporta grande volume de tráfego em alta velocidade).

Em que pese as conhecidas dificuldades políticas e econômicas enfrentadas pelo Brasil, a pandemia também influenciou para o atraso no cronograma do 5G no País. A própria doença, porém, evidencia a importância do desenvolvimento dessas tecnologias em território nacional.

A dificuldade de levar ensino e atendimento médico remoto aos mais pobres em todo o Brasil talvez seja a face mais visível do quanto as novas gerações de comunicações móveis poderiam ajudar. Isso sem falar em ferramentas de triagem de doentes e controle e rastreabilidade da disseminação do Covid-19 com o uso da inteligência artificial, entre outros incontáveis exemplos.

Apesar do atraso, a expectativa que a implantação do 5G comece no próximo ano está mantida. Existe, porém, uma preocupação muito grande das operadoras: se o leilão tiver uma vertente muito arrecadatória, pelo cenário econômico que estamos vivendo, elas não terão recursos para comprar a frequência e instalar a rede na velocidade necessária.

“É importante que tenhamos um leilão que seja com uma vertente não arrecadatória e que crie obrigações de implantação no País todo. O impacto da tecnologia nos diversos setores da economia é enorme. Temos condições de arrecadar muito mais a partir do uso da tecnologia. E esse é um ganho perene. Outro aspecto importante é que se reserve algumas faixas de frequência para implementação de redes privadas. Muitas aplicações que a indústria deve demandar para que tenha mais controle e confidencialidade não são de interesse das grandes operadoras. E, por fim, deixar faixas reservadas para pequenos provedores de internet. Na verdade, quem leva internet para os rincões são os pequenos operadores”, completa o pró-reitor de pós-graduação do Inatel.

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