Os produtos de fabricação própria se destacaram como o ponto de apoio das padarias, com participação de 5,87% - Crédito: Bernardo Rebello

Apesar de 2018 ter sido um ano de grandes desafios para a indústria, com significativas mudanças econômicas, o mercado brasileiro de panificação e confeitaria registrou um crescimento da ordem de 2,81% (sem descontar a inflação), o que equivale a um faturamento de R$ 92,63 bilhões.

É o que concluiu um estudo realizado pelo Instituto Tecnológico da Alimentação, Panificação e Confeitaria (ITPC), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). Os números foram apresentados em primeira mão a empresários mineiros na última semana durante evento realizado pelo Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), pelo presidente do ITPC, Márcio Rodrigues.

Entre os assuntos, Rodrigues abordou o atual cenário da indústria da panificação, as tendências e os meios para superar os desafios vividos pelo setor, como a crescente mudança de comportamento do cliente e o acirramento da concorrência com novos entrantes como atacarejos, lojas de vizinhança, supermercados, lojas de conveniência -que passaram a comercializar pão francês-, indústrias de congelados, entre outros.

Percentualmente, os produtos de fabricação própria das padarias se destacaram como o ponto de apoio das padarias, com participação crescente no faturamento (5,87%). Os produtos revendidos complementam o faturamento, porém, em uma representatividade bem menor ao longo dos anos, e com queda de 3,79% em relação a 2017.

“Pesquisamos a situação de 430 empresas em 19 estados. Detectamos que, dos mais de R$ 92 bilhões de faturamento, 66% foi resultado da produção própria. Acredito que, com os novos canais de venda ocupando um espaço que antes eram das padarias, hoje, o que dá sustentação para o negócio são os produtos de fabricação própria”, destaca Rodrigues. “Isso demonstra que o setor percebeu e tem corrido atrás do prejuízo”, completa.

“As padarias estão remodelando seu negócio em função das necessidades do mercado. Estão nos reconhecendo e temos que estar preparados para as mudanças vislumbradas para o futuro”, completa o presidente da Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amip), entidade que também compõe a Amipão, Vinícius Dantas.

Já sobre o fluxo de clientes, no total das empresas pesquisadas, houve uma queda equivalente a 1,06%. Sobre o tíquete médio, houve um crescimento de 3,91%, um resultado um pouco melhor que no ano anterior, cuja taxa de crescimento havia sido de 2,12%.

A qualificação da mão de obra e os investimentos nos produtos de fabricação própria também foram pontos abordados no evento, assim como as tendências da panificação para este ano e os principais fatores que garantem um bom desempenho do setor como qualidade dos produtos, abastecimento das lojas, posicionamento de preço, eficiência operacional com produtividade, sortimento e atendimento de qualidade.

“Não temos feito outra coisa à frente das entidades a não ser falar de resultados, de qualidade, de mix de produtos, de necessidade de mudança e de atualização. A cada dia o nosso desafio de empresariar é maior, portanto, temos que trazer mensagens e possibilidades do nosso negócio ser sustentável”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Panificação (SIP – entidade que compõe a Amipão) e da Abip, José Batista de Oliveira.