É certa a explosão do EAD no Brasil, afirma Daniel Pedrino | Crédito: Divulgação

O isolamento social imposto pela pandemia do Covid-19 trouxe uma alteração radical na vida de grande parte da população brasileira e fez da internet o principal e, em muitos casos, o único canal de interação com o mundo.

Para garantir uma ocupação produtiva do tempo e, de certa forma, a sanidade mental das pessoas, muitas empresas passaram a liberar conteúdos na rede e promover oportunidades de aprendizado variadas. O chamado ensino a distância (EAD) tomou proporções impensáveis até poucos dias atrás.

A expectativa dos especialistas é de que o mundo jamais será o mesmo depois dessa crise sanitária e que, dentro disso, o EAD, que já era uma ferramenta importante de disseminação de conhecimento e educação formal e especializada, ganhe outro patamar.

O Censo 2018 da Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgou que, pela primeira vez, a oferta de vagas do ensino a distância superou a da educação presencial no País. Foram oferecidas 7,1 milhões de vagas a distância, ante 6,3 milhões de presenciais. Divulgado em setembro de 2019, o levantamento revelou crescimento de 52,44% em relação ao ano anterior (em 2017 foram 4,7 milhões).

Para amenizar os prejuízos causados pela pandemia do novo coronavírus, o Ministério da Educação (MEC) autorizou, no dia 18 de março, a substituição de disciplinas presenciais por aulas que utilizem meios e tecnologias de informação e comunicação em cursos que estão em andamento.

Manutenção da rotina – O objetivo da medida é manter a rotina de estudos dos alunos. A mudança é válida para o sistema federal de ensino, composto pelas universidades federais, pelos institutos federais, pelo Colégio Pedro II, pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), Instituto Benjamin Constant (IBC) e pelas universidades e faculdades privadas.

Se na educação superior 2018 já havia presenciado uma virada, o futuro pode apresentar números ainda mais grandiosos. Escolas particulares, inclusive de ensino infantil, têm seguido a mesma prática permitida pelo MEC, oferecendo aulas on-line para crianças de cinco anos. Todas essas experiências devem constituir um caminho sem volta para a popularização do EAD como uma ferramenta eficiente e de baixo custo para a educação formal e suplementar, além de capacitações e treinamentos profissionais.

De acordo com a diretora de Educação e Inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), Roberta Campana, toda essa crise vai mudar os hábitos de consumo de maneira geral e isso, obviamente, vai acontecer também na educação. E, se no primeiro momento houve uma explosão de conteúdos na rede, esse é o estágio em que passamos a filtrar essa oferta. A FDC é uma das principais escolas de negócios do mundo, com sede em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

“As pessoas que tinham alguma resistência a atividades on-line, como fazer compras de supermercado, por exemplo, vão fazer durante a crise e vão perceber as vantagens, mas não vão deixar de ir ao supermercado de vez em quando por uma série de motivos. Estamos atravessando um momento agudo. Essa explosão de conteúdos pode gerar o que chamamos de ‘fear of missing out’ (síndrome Fomo – medo de estar perdendo algo). Precisamos selecionar aquilo que é realmente do nosso interesse. Na FDC escolhemos não ter um volume gigantesco de conteúdo on-line neste momento e trabalhar mais junto aos nossos clientes, detectando as necessidades de cada um”, explica Roberta Campana.

Para a professora, um dos possíveis saldos positivos de tudo que está acontecendo no campo da educação é um uso mais profundo e assertivo das ferramentas virtuais. Mais do que uma simples transposição dos conteúdos off-line para o digital, é um uso completo das potencialidades já oferecidas e que ainda serão criadas na internet.

Tudo isso, porém, vai exigir um grande esforço de mudança cultural, investimentos em equipamentos e treinamentos. “Essa crise vai nos forçar a pensar em jornadas de experiências on-line, o que é muito diferente de, simplesmente, aulas on-line. Um ponto crítico é a mudança de mindset. As pessoas ainda estão apegadas a um modelo que foi exitoso até aqui. A mudança de mentalidade exige um grande esforço dos alunos, das instituições – públicas ou privadas – e dos professores”, pontua a diretora de Educação e Inovação da FDC.

Para o CMO da Samba Tech, Pedro Filizzola, a situação atual, com o novo coronavírus e com as pessoas em casa, veio para forçar mudanças e quebrar paradigmas. Sediada na Capital, a Samba Tech é uma referência no mercado de vídeos on-line, especializada em soluções que garantem infraestrutura de alta qualidade para venda, distribuição, gerenciamento e armazenamento de vídeos.

Caminho sem volta – “Vejo que as pessoas e as instituições de ensino têm que achar uma solução e essa solução é usar a tecnologia para continuar compartilhando conhecimento, mesmo a distância. Quando tudo se normalizar vai ser um caminho sem volta. Tanto o governo como instituições de ensino e empresas vão continuar usando os recursos que estão sendo utilizados agora para continuar ensinando e compartilhando informações”, avalia Filizzola.

Fundada em 2011, a Descomplica se tornou conhecida pelas aulas de pré-vestibular. Este ano a startup se tornou a primeira EdTech brasileira a entrar no mercado regulado de graduação e com nota máxima (5) pelo MEC.

O presidente da Faculdade Descomplica, Daniel Pedrino, avalia que, em meio à crise, a empresa “está no lugar certo, na hora certa” e ser esse o momento ideal para a expansão dos negócios e a entrada nesse novo mercado. Foram lançados quatro cursos: Administração, Ciências Contábeis, Recursos Humanos e Pedagogia. Em Minas Gerais, a empresa tem 25 polos educacionais e planos para alcançar 40 até o fim do ano que vem. O primeiro na Capital deve ser inaugurado ainda este semestre.

“É certa a explosão do EAD no Brasil, porém é preciso saber o que fazer. O ensino a distância ainda sofre bastante preconceito e essa é uma oportunidade de quebrar essas resistências. Infelizmente, porém, vamos ver, em muitos casos, apenas uma transposição do mundo off-line para o on-line e isso vai frustrar muitos alunos. As empresas que já nasceram digitais, como a Descomplica, podem levar uma vantagem estratégica nesse quesito”, pontua Pedrino.

Virada tecnológica – A implantação da tecnologia 5G, antes prevista para o fim deste ano no Brasil, promete ser um ponto de inflexão no desenvolvimento do EAD no País.

Adiada por conta do atraso no leilão marcado para o primeiro trimestre e agora a paralisação dos testes de campo no âmbito dos estudos complementares de convivência na faixa de 3,5 GHz, até então sendo desenvolvida no Centro de Referência Tecnológica do Grupo Claro, no Rio de Janeiro, anunciada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a tecnologia vai permitir que o sinal de internet chegue com qualidade e rapidez às regiões remotas e com baixa densidade demográfica.

“A chegada do 5G é um catalisador. Quando a Samba Tech começou a expectativa era que com a melhoria da infraestrutura a comunicação e a educação do futuro se daria pelo meio digital e em formato de vídeo. Hoje, boa parte do fluxo da internet acontece a partir de dispositivos mobile e o 5G vai nos permitir entregar todo conteúdo de um jeito mais rápido e dinâmico e garantindo a melhor absorção dos conteúdos pelos alunos e usuários”, destaca o CMO da Samba Tech.

“A conectividade é um impulsionador. Com o 5G vamos chegar com a educação à distância onde nem a educação presencial chegou ainda. É importante, contudo, entender que a tecnologia é uma ferramenta, algo que pode facilitar, mas nada substitui um bom professor. Por isso grande parte dos nossos esforços e investimentos é em capacitação e treinamento para que os melhores professores façam essa transposição para o digital e ofereçam todo seu talento e qualidade para os alunos que estão distantes”, reforça o presidente da Descomplica.

“O 5G talvez não seja uma virada tão espetacular em termos de mudança de mentalidade diante do ineditismo e magnitude do que estamos vendo e passando com o Covid-19. Ele será, certamente, um grande veículo de democratização do acesso e de trazer engajamento. Recursos tecnológicos geram impacto. Desconfio que depois de tudo isso as pessoas vão querer se encontrar novamente, haverá uma valorização do contato humano direto. Os programas presenciais de educação continuarão existindo porque também queremos estar próximos. Cada pessoa e cada instituição ou empresa vai achar o seu modelo ideal e que vai mudar de acordo com o contexto que estiver inserido”, reflete a diretora da FDC.

Grau Técnico passa a oferecer modalidade

Somando esforços no combate ao coronavírus e como forma de oferecer aos alunos uma oportunidade de continuar seus cursos nesse tempo de quarentena, o Grau Técnico está oferecendo a opção de ensino a distância.

Com esta medida, os estudantes podem assistir as aulas em qualquer hora e local, pelo celular, notebook, tablet ou computador.

A alternativa já está disponível nas unidades do Grau Técnico que já iniciaram as aulas, sem custos adicionais para os estudantes. As aulas das turmas que ainda não tiveram início serão adiadas para o fim de maio, em data a ser confirmada, conforme orientações de cada Estado. O ensino a distância é opcional e quem preferir pode continuar o curso presencialmente, assim que passar a situação emergencial de combate ao coronavírus.

As aulas são válidas para todos os cursos e serão correspondentes às disciplinas teóricas. A parte prática será feita na escola, após a normalização das atividades. O material didático das aulas será disponibilizado de forma digital e, assim que possível, em forma de apostila.

Os estudantes que optarem pelas aulas a distância farão as provas de forma presencial, também quando as unidades voltarem às atividades normais. No dia a dia, eles podem contar como o apoio dos coordenadores pedagógicos, que estarão à disposição para orientar e esclarecer dúvidas por e-mail, WhatsApp e Portal Acadêmico, onde o aluno também pode confirmar sua opção pelo ensino a distância.

“O Grau Técnico preparou as aulas de educação a distância como alternativa para que nossos alunos não parem de estudar durante este período. Nós trouxemos todas nossas salas de aula para a internet, para os estudantes não percam tempo, em dias tão difíceis como estes”, diz o presidente do Grau Educacional, Ruy Porto Carrero.

Já a diretora da rede Grau Técnico em Minas Gerais, Joana Ricci Coelho, destaca a oportunidade que empresas e profissionais estão tendo de se reinventarem durante o período em que as autoridades sanitárias e de saúde recomendam o isolamento social no País.

“Estamos muito orgulhosos com a possibilidade de oferecer aos nossos alunos uma ferramenta para subsidiá-los durante este período incerto e minimizar os impactos quando da retomada das atividades. Não passaremos imunes a este processo, mas torço para que possamos sair melhores. E a qualificação profissional é mais uma alternativa”, avalia.

Linha do tempo – Maior rede de ensino técnico particular do País, o Grau Técnico é o carro-chefe do grupo Grau Educacional. Com mais de 60 unidades, presente nas cinco regiões do País, o Grau Técnico oferece mais de 20 cursos nas áreas de saúde, negócios, tecnologia e indústria. Os cursos duram de um ano e meio a dois anos, com aulas três vezes na semana. Os alunos recebem gratuitamente apostilas técnicas e contam com salas de aula integradas aos laboratórios.

Também integra o Grau Educacional a franquia Grau Profissionalizante (antiga Nível A), fundada em 2015. “A escola da sua profissão”, como é conhecida, possui completa estrutura voltada para a qualificação de mão de obra para o mercado de trabalho e conta com mais de 30 cursos profissionalizantes, rápidos e práticos, em áreas como corpo de bombeiro civil, cuidados de idosos, eletricidade, gastronomia, informática, manutenção de smartphones, mecânica de carros e de motos, e refrigeração, entre outras. (Da Redação)