Editorial

A economia perde o ritmo

Queda do PIB mineiro no primeiro trimestre expõe os efeitos dos juros elevados, da desaceleração industrial e das perdas no agronegócio
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A economia perde o ritmo
Crédito: Eric Gonçalves/Arquivo Diário do Comércio

A atividade econômica em Minas Gerais perdeu ritmo no primeiro trimestre e recuou 0,7% na comparação com igual intervalo do ano passado. Os números do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro foram divulgados na quarta-feira (17) pela Fundação João Pinheiro (FJP) e trazem um alerta para o conjunto de fatores que está freando o crescimento da economia do Estado.

Apesar dos reiterados alertas do setor produtivo sobre os efeitos nocivos de manter os juros em patamares tão elevados quanto os atuais, o Banco Central vem reduzindo a taxa Selic a conta-gotas. O elevado custo do crédito é um dos fatores apontados por especialistas como preponderante para a queda do PIB mineiro no início do ano.

A retração talvez seja o sinal mais claro de que o remédio contra as pressões inflacionárias no Brasil esteja amargo demais. Para se ter uma ideia, a indústria de transformação apresentou queda real de 0,3% na mesma base de comparação.

Outro setor de grande importância para a economia do Estado, a agropecuária registrou retração de 15,6% no primeiro trimestre, puxada pelas culturas de soja e sorgo.

Com o cenário de juros elevados, pressões inflacionárias e incertezas relacionadas ao ambiente econômico global, as expectativas são de desempenho moderado. Apesar disso, especialistas e entidades do setor produtivo ainda estimam crescimento para 2026 em Minas Gerais.

Porém, é preciso apertar os cintos. Nos próximos meses, viveremos sob a influência do El Niño. O evento climático tem potencial para afetar de forma significativa o agronegócio mineiro, resultando em quebra de safra e aumento do custo de vida no Brasil.
O quadro exige cautela e planejamento para enfrentar os próximos meses. Por parte do poder público, é preciso traçar desde já estratégias para superar os desafios ao crescimento econômico em 2026.

Entre as medidas que podem, e devem, ser adotadas está a implementação de políticas de ajuste fiscal para permitir maior velocidade no ciclo de corte dos juros por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). Esse é um grande desafio, principalmente por estarmos em um ano eleitoral.

Também se faz urgente preparar-se para os impactos do El Niño nos próximos meses. Medidas de contingência para os recursos hídricos, planejamento para garantir o abastecimento de alimentos no mercado doméstico e proteção aos produtores serão essenciais para conviver com o evento climático.

É preciso se antecipar, ou teremos um quadro difícil de remediar.

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