Comemoração e desafio
Os números da abertura de empresas em Minas Gerais merecem ser comemorados. O recorde registrado neste início de 2026 demonstra a força do empreendedorismo mineiro e a disposição de milhares de pessoas de investir, inovar e contribuir para a geração de emprego e renda. Em um cenário econômico ainda marcado por incertezas, o resultado reforça a capacidade de reação dos empreendedores e a relevância dos pequenos negócios para o desenvolvimento do Estado.
Dados divulgados nesta semana pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), apontam que entre janeiro e maio deste ano, o Estado somou 261.418 aberturas de empresas, alta de 10% frente ao mesmo período do ano passado, consolidando-se também como o terceiro recorde anual consecutivo e o quarto ano seguido de crescimento
Mas o levantamento feito pela entidade também traz alertas que precisam ser considerados por gestores públicos, entidades empresariais e pela sociedade. Um dos principais sinais de atenção está no desempenho mais modesto da abertura de empresas no comércio, setor historicamente responsável por grande parcela da atividade econômica e da geração de postos de trabalho.
O desempenho do comércio está abaixo do ritmo médio em Minas Gerais. De acordo com o Sebrae Minas, entre janeiro e maio, o avanço na abertura de empresas nesse setor foi de apenas 1,7%.
A explicação passa, em grande parte, pelo ambiente econômico atual. Com juros elevados e crédito caro, torna-se mais difícil transformar projetos em realidade. Diferentemente de muitas atividades de serviços, que exigem investimentos iniciais menores, os empreendimentos ligados ao comércio e à indústria dependem de mais capital para aquisição de estoques, equipamentos, instalações e capital de giro. Quando o custo do dinheiro sobe, muitos investimentos deixam de acontecer.
O Brasil e Minas Gerais precisam avançar na construção de um ambiente de negócios mais favorável. É necessário ampliar o acesso ao crédito, reduzir custos, simplificar processos e criar condições para que empreendedores de todos os segmentos possam investir com segurança.
A proximidade das eleições torna esse debate ainda mais oportuno. Mais do que celebrar recordes, é hora de discutir quais propostas serão apresentadas para fortalecer o ambiente de negócios brasileiro. O futuro do emprego, da renda e da competitividade do País depende das respostas que serão dadas a esse desafio.
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