Editorial

Competitividade em retrocesso

Queda do Brasil no ranking global de competitividade expõe fragilidades estruturais que seguem sem solução
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Competitividade em retrocesso
Foto: Reprodução Adobe Stock

O Brasil caiu sete posições no Ranking de Competitividade do IMD World Competitiveness Center (WCC) neste ano. Isso ocorreu após o País alcançar o melhor resultado da série histórica em 2025. Hoje, ocupando a 65ª posição, mostramos que não estamos avançando nesse sentido e corremos o risco de perder espaço no concorrido mercado global.

Entre os fatores que derrubaram a competitividade, de acordo com o ranking global, que tem parceria técnica da mineira Fundação Dom Cabral (FDC), estão gargalos já conhecidos há tempos pelo setor produtivo e pelo poder público, mas que nunca são solucionados.

Um exemplo é a falta de alternativas ao financiamento bancário para as empresas captarem recursos para expansão e inovação. Esta é uma barreira principalmente para negócios de pequeno e médio portes, que têm dificuldade em acessar as ferramentas do mercado de capitais para financiar seus projetos.

A lista de entraves, porém, é muito mais extensa. O levantamento aponta problemas graves na educação primária e secundária, o que compromete a formação da mão de obra e reduz a capacidade do País de gerar ganhos sustentados de produtividade e inovação. Trata-se de um desafio histórico que afeta diretamente a empregabilidade das futuras gerações e a adaptação dos trabalhadores às novas tecnologias.

Outro fator preocupante é a baixa produtividade da força de trabalho. A dificuldade de incorporar inovação aos processos produtivos, aliada às diferenças de eficiência entre setores da economia, reduz a capacidade de geração de valor e limita a competitividade. Em um cenário global cada vez mais tecnológico, produzir menos e com custos maiores significa perder mercado.

O ranking ainda chama atenção para fragilidades nos sistemas de valores, aspecto ligado à confiança institucional, à previsibilidade regulatória e à segurança das relações econômicas.

Os sinais de alerta estão dados. Ignorar esses gargalos significa aceitar um crescimento econômico cada vez mais limitado e distante do potencial brasileiro. É preciso agir com rapidez e planejamento, promovendo avanços em educação, produtividade, inovação, ambiente de negócios e formação de capital humano. Sem enfrentar esses desafios estruturais, o Brasil corre o risco de perder competitividade, investimentos, empregos e renda, comprometendo seu desenvolvimento nas próximas décadas.

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