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Livros mostram novas formas de vender e liderar

Obras recentes discutem como propósito, experiência e conexão humana ganham relevância nas empresas
Livros mostram novas formas de vender e liderar
Foto: Reprodução

A transformação do comportamento do consumidor, o avanço acelerado da tecnologia e a pressão crescente por resultados estão mudando a forma como empresas vendem, lideram equipes e constroem relacionamento com clientes. Em comum, executivos, especialistas em vendas e líderes políticos começam a defender modelos menos baseados em autoridade e mais sustentados por propósito, experiência, estratégia e conexão humana.

Esse movimento aparece em três lançamentos recentes que dialogam entre si ao analisar as mudanças em curso no mercado e na sociedade: “Varejo com propósito e resultado”, de Paulo Brenha; “Venda Implacável na Era 5.0”, de Claudio Zanutim; e “Esperança em Ação”, da ex-primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin.

Embora partam de contextos distintos, os livros convergem na avaliação de que fórmulas tradicionais perderam eficácia diante de clientes mais atentos, profissionais mais exigentes e um ambiente de negócios marcado por instabilidade, excesso de informação e transformação digital.

No varejo, a discussão gira em torno da necessidade de equilibrar margem, experiência e cultura organizacional. Nas vendas, o foco sai da persuasão agressiva para dar lugar à construção de soluções personalizadas e relações duradouras. Já na liderança política e institucional, ganha força a ideia de que vulnerabilidade, coerência e clareza de propósito deixaram de ser sinais de fragilidade para se tornarem ativos estratégicos.

Em “Varejo com propósito e resultado”, o executivo Paulo Brenha reúne experiências acumuladas ao longo de mais de 15 anos em empresas como Johnson & Johnson, Mondelez International e Oxxo Brasil para defender que crescimento sustentável depende de uma combinação entre execução eficiente, liderança e alinhamento entre discurso e prática.

O autor argumenta que consumidores identificam rapidamente narrativas vazias e valorizam empresas capazes de transformar propósito em experiência concreta. Ao longo da obra, ele trata temas como margem de contribuição, merchandising, treinamento de equipes e uso da tecnologia para fortalecer a relação com clientes.

A discussão também alcança pequenos e médios varejistas, que enfrentam pressão semelhante à das grandes redes, mas nem sempre contam com acesso a consultorias ou estruturas sofisticadas de inteligência de mercado.

A mudança de perfil do consumidor também aparece em “Venda Implacável na Era 5.0”, no qual o especialista em vendas Claudio Zanutim sustenta que o vendedor tradicional perdeu espaço para um profissional mais analítico, consultivo e estratégico.

Segundo o autor, o chamado “Vendedor 5.0” precisa dominar ferramentas como CRM, automação, análise de dados e inteligência artificial, mas sem negligenciar competências humanas como empatia, escuta ativa e inteligência emocional. A obra mostra como a atividade comercial deixou de ser apenas uma disputa por preço ou argumentação para se tornar um exercício de compreensão profunda das necessidades do cliente.

Venda Implacável na Era 5.0
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Ao abordar metodologias de vendas consultivas, gestão de objeções e pós-venda, Zanutim argumenta que empresas ainda perdem negócios ao insistirem em abordagens padronizadas e excessivamente focadas em resultados imediatos. Para ele, o diferencial competitivo está na capacidade de gerar confiança e construir valor no longo prazo.

A mesma lógica aparece sob outra perspectiva em “Esperança em Ação”, livro em que Sanna Marin revisita episódios centrais de sua passagem pelo governo da Finlândia, como a pandemia da Covid-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia e a adesão do país à Otan.

Esperança em Ação
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Na obra, Sanna Marin defende um modelo de liderança menos associado à rigidez hierárquica e mais conectado à responsabilidade coletiva, clareza de propósito e coerência entre valores pessoais e decisões públicas.

A autora também discute a pressão enfrentada por líderes em ambientes de crise e propõe uma reflexão sobre a importância de transformar esperança em ação concreta. Publicado simultaneamente em mais de 19 países, o livro chega ao Brasil em um momento de debate sobre renovação de lideranças, diversidade e novos modelos de gestão.

Em comum, os três lançamentos ajudam a explicar mudanças que já afetam empresas, equipes e consumidores. O modelo centrado apenas em autoridade, metas agressivas ou crescimento acelerado passa a dividir espaço com conceitos como experiência, confiança, propósito e impacto social.

Mais do que tendências passageiras, os autores tratam essas transformações como respostas práticas a um mercado mais complexo, digital e humano, no qual tecnologia e eficiência seguem importantes, mas já não bastam sem conexão real com pessoas.

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