Quase metade das mães brasileiras já perdeu vaga de emprego por causa da maternidade, aponta pesquisa
Quase metade das mães brasileiras já perdeu uma oportunidade de emprego por ser mãe ou estar grávida. É o que aponta a Pesquisa Mães 2026 da Catho, realizada com 478 mulheres de todo o País. Os dados colocam o viés materno como uma das principais barreiras de acesso e permanência no mercado formal.
O impacto da maternidade na carreira é sentido de forma ampla: 45% das entrevistadas avaliam que ter filhos prejudicou sua trajetória profissional. A sobrecarga entre trabalho e família lidera os desafios apontados, citada por 43% das respondentes, seguida pela dificuldade de conseguir ou manter emprego (21%), pela falta de flexibilidade (15%) e pelas limitações de crescimento na carreira (8%).
A pressão cotidiana aparece em um dado expressivo: 66% das mães já deixaram de participar de momentos importantes dos filhos, como consultas médicas, eventos e apresentações escolares, mais de uma vez, por medo de perder o emprego.
“Esses dados mostram que o mercado evolui de forma lenta na inclusão. 66% das mães sentirem receio de se ausentar para estar com os filhos por medo de represálias profissionais sinaliza um desafio estrutural. É um chamado para que as empresas repensem suas culturas e ofereçam respostas mais sustentáveis”, destaca a diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho, Patricia Suzuki.
Julgamentos
A pesquisa também mapeou o tipo de abordagem que essas mulheres enfrentam nos processos seletivos. Entre as entrevistadas, 76% foram questionadas sobre ter filhos durante uma entrevista de emprego, a maioria delas mais de uma vez. Além disso, 68% foram perguntadas sobre com quem os filhos ficariam enquanto trabalhavam, 55% foram questionadas sobre quantos filhos têm ou pretendem ter, e 49% foram indagadas sobre possíveis ausências em caso de problemas de saúde dos filhos. Apenas 5% relatam ter sido contratadas enquanto gestantes, e 58% já vivenciaram julgamentos por serem mães ao longo da trajetória profissional.
Saúde e promoção
A jornada acumulada entre trabalho e maternidade também deixa marcas na saúde dessas mulheres. Segundo a pesquisa, 53% relatam dificuldades para cuidar da própria saúde, adiando ou remarcando consultas, ou simplesmente sem conseguir se organizar. O autocuidado tende a ser o último item da lista de prioridades.
O impacto sobre a ascensão profissional é igualmente revelador: apenas 1% das entrevistadas relatou ter sido contratada ou promovida durante a gestação, o que indica que a gravidez ainda funciona como um freio nas decisões corporativas.
“Na Catho, acreditamos que conectar pessoas a oportunidades de verdade significa garantir que essas oportunidades sejam igualitárias. Enquanto ser mãe ainda custar uma vaga, uma promoção ou uma consulta médica adiada, o mercado de trabalho ainda tem muito a evoluir”, conclui Patricia Suzuki.
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