Morango cravejado sucede morango do amor e é nova aposta de confeiteiras para aumentar as vendas

Nova tendência viralizou nas redes sociais e já chegou a negócios de BH e Contagem, com expectativa de elevar a procura pelos doces
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Morango cravejado sucede morango do amor e é nova aposta de confeiteiras para aumentar as vendas
A confeiteira Talita Gomes (foto) espera aumento de 10% nas vendas com a inclusão dos morangos cravejados no cardápio. | Foto: Divulgação/ Bala Baiana da Preta

Depois da febre do morango do amor no ano passado, uma nova versão da fruta viralizou nas redes sociais nos últimos dias: o morango cravejado. A receita combina morango fresco, brigadeiro branco e chocolate branco, finalizados com pedaços de caramelo vermelho que dão ao doce o efeito “cravejado” que virou assunto em vídeos de gastronomia.

A nova tendência já começa a movimentar as vendas de confeitarias e pequenos produtores que, embora não apostem em um sucesso tão expressivo quanto o registrado pelo doce de 2025, esperam aumento na procura pela novidade.

Proprietária da Bala Baiana da Preta, no bairro Minascaixa, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, a confeiteira Talita Gomes, de 33 anos, iniciou nesta segunda-feira (31) a produção do doce. Ela estima que a nova tendência possa contribuir para um aumento de pelo menos 10% nas vendas.

A projeção da empreendedora é inferior ao resultado registrado durante a febre do morango do amor, quando, segundo ela, a demanda impulsionou as vendas em 30%. Ainda assim, Talita vê na nova tendência uma oportunidade de ampliar o faturamento e atrair clientes.

“Decidi começar a produção após realizar uma enquete nas redes sociais para avaliar o interesse dos clientes e o hype”, conta. Segundo Talita, a principal diferença da versão atual em relação à anterior está no processo de produção.

Custo de produção aumenta com uso de chocolate branco

Segundo Talita, enquanto o morango do amor ganhou popularidade por uma técnica de preparo mais elaborada, que despertava a curiosidade dos consumidores, o cravejado tem produção mais simples. Apesar disso, conforme a confeiteira, o custo de produção do novo doce é maior, principalmente pelo uso de chocolate branco de melhor qualidade, cuja barra pode custar entre R$ 60 e R$ 70.

Por isso, diferentemente do morango do amor, que era vendido por Talita a R$ 12 a unidade, o morango cravejado será comercializado por R$ 15.

Imagem mostra morangos cravejados
Talita Gomes iniciou nesta segunda-feira (31) a produção do doce | Foto: Divulgação/ Bala Baiana da Preta

Calor e chuvas afetam qualidade dos morangos

Assim como Talita, a confeiteira Débora Ramos, de 30 anos, à frente da Sonho Doce Doceria, no bairro Alvorada, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), também aderiu à tendência. Ela iniciou a produção do morango cravejado há três dias e, embora ainda não consiga quantificar o aumento da procura, afirma perceber maior interesse dos consumidores pela novidade.

Segundo Débora, porém, o período atual pode não ser o mais favorável para o novo hype, principalmente devido às altas temperaturas e às chuvas, que prejudicam a qualidade da fruta.

“O morango é uma fruta sensível, então normalmente pegamos a fruta podre nas bandejas e é preciso fazer uma seleção, o que sai mais caro para quem é pequeno empreendedor, que não tem contato direto com fornecedores e costuma realizar as compras em sacolões e estabelecimentos dos próprios bairros”, conta.

Após morango do amor, rede aposta na nova tendência

Segundo o diretor-geral da Sodiê Doces, Fábio Araújo, quando uma novidade ganha espaço entre os consumidores, a empresa testa o produto e avalia a possibilidade de levá-lo às 400 lojas da rede espalhadas pelo País, incluindo as unidades em Minas Gerais.

“Foi assim com o morango do amor e agora acontece novamente com o cravejado. A brincadeira está em entrar na trend sem abrir mão do sabor e da qualidade”, afirma o executivo.

Quando o morango do amor ganhou popularidade nas redes sociais, em 2025, a Sodiê vendeu 8 mil unidades no primeiro dia. Em menos de uma semana, foram 40 mil unidades comercializadas, segundo dados divulgados pela empresa na época.

“Morango, brigadeiro e chocolate já são uma combinação que o brasileiro conhece bem. O caramelo traz a graça dessa nova versão e deixa o doce bonito, crocante e diferente”, diz a fundadora da marca, Cleusa Maria da Silva.

Pequenos empreendedores enfrentam custo maior

Embora já perceba interesse dos consumidores pelo morango cravejado, Débora Ramos afirma que a demanda entre os pequenos negócios ainda não se compara à registrada por grandes confeitarias que ganharam visibilidade nas redes sociais e que, segundo ela, divulgam vendas de 200 a 300 unidades por dia.

“Às vezes até tem procura, mas quando você fala o valor, a pessoa acaba desistindo. E o valor pra gente que é pequeno empreendedor acaba saindo um pouquinho mais alto, por conta dos insumos mesmo, que muitas vezes a gente não pega em quantidade e acaba pagando mais caro. E o próprio morango também”, analisa.

Apesar dos desafios, a confeiteira considera que aderir a essas tendências pode ampliar a visibilidade do negócio e atrair novos clientes. Segundo ela, parte do público tem curiosidade em experimentar produtos que estão em alta.

Qualidade do doce depende dos ingredientes

Segundo Débora, a qualidade do doce depende principalmente da escolha dos ingredientes. Além do uso de chocolate e brigadeiro de boa qualidade e do cuidado com o ponto correto do preparo, a fruta precisa ser bem higienizada e armazenada. Conforme a confeiteira, o morango em boas condições dura entre 24 e 48 horas quando armazenado corretamente.

“Se você souber vender e tiver bons produtos no cardápio, o cliente que vem por uma trend pode sim se tornar um potencial cliente no futuro”, conclui.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

Sobre o autor

Maria Rita Aquino

Estagiário(a) • Escreveu sob supervisão da edição

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