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O cenário para o Natal deste ano foi impactado pela pandemia do novo coronavírus | Crédito: Divulgação

Já é novembro e em tempos normais a ansiedade com a Black Friday era o prenúncio do Natal para o setor de comércio. Shopping centers enfeitados, ruas cada vez mais agitadas e jingles natalinos nas galerias e ruas de comércio popular mal esperavam o dia das crianças passar para criar um clima especial na cidade.

Mas a doença misteriosa surgida na China ainda antes do Natal do ano passado fez com que tudo em 2020 fosse diferente. Passados oito meses da chegada da Covid-19 ao Brasil, a retomada tem sido mais lenta do que todos os especialistas previam em 11 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o mundo estava vivendo sob uma pandemia.

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Envolvidos em um carrossel de informações desencontradas e um cenário caótico, com o real desvalorizado, taxa de juros baixa, eleições municipais, dúvidas sobre como será feita a vacinação no Brasil quando alguma vacina estiver efetivamente disponível, a iminência do fim do auxílio emergencial oferecido pelo governo federal, empresários experimentados e jovens empreendedores estão desnorteados.

Tudo isso sem contar com a eleição para presidente dos Estados Unidos – da qual sabemos quem ganhou, mas ainda não sabemos quem vai levar – e uma segunda onda de contaminação por Covid-19 que já avança sobre a Europa e que ninguém sabe quais consequências humanas e econômicas trará em um futuro próximo.

Ufa! Na reta final do mais atípico dos últimos 100 anos, o Natal continua sendo símbolo de esperança, mas pode não entregar o tão sonhado milagre da recuperação econômica do tamanho dos nossos desejos e necessidades. Esse é o cenário que se desenha para o Novo Natal, ou Novo Normal de uma retomada inédita na história.

Planejamento é necessário diante de crise inédita

O cenário econômico mundial é, em boa medida, ainda caótico, mas, de toda forma, Black Friday e Natal sempre são uma injeção de ânimo diante de qualquer crise. A Black Friday, que acontece dia 27 de novembro, deve movimentar R$ 2,01 bilhões na capital mineira. A projeção é da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH).

Além disso, as pessoas estão mais animadas a ir às compras em 2020 na comparação com 2019. Enquanto, no ano passado, 45,2% dos entrevistados afirmaram que pretendiam adquirir algum produto na data, neste ano o número subiu para 54,8%, aumentando o otimismo dos profissionais da área.

Segundo o vice-presidente da entidade, Fernando Cardoso, a explicação passa pela demanda reprimida por conta da pandemia da Covid-19, e a expectativa por parte dos consumidores de boas promoções realizadas pelo comércio. E, apesar das projeções para o Natal ainda não terem sido divulgadas, já seria possível pressentir algum alento no fim de ano.

“A Black Friday vem como um marco para a retomada da economia. A data, a cada ano, vem se consolidando no Brasil. São duas datas que temos para conseguir recuperar um pouco do prejuízo que tivemos anteriormente. O Natal é a melhor data para o comércio no ano e os bons números para a Black Friday impactam a nossa expectativa para mais adiante”, afirma Cardoso.

Almeida chama a atenção para a necessidade de planejamento e controle da gestão no quadro atual | Crédito: TARCIZIO DE PAULA-FECOMERCIO

Já o economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços, e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Guilherme Almeida, chama a atenção para a necessidade de planejamento e controle da gestão. O ineditismo da crise deixa pouco espaço para previsões feitas com base no passado. É certo que Papai Noel não trará soluções mágicas nem resultados milagrosos para empreendedores e consumidores.

“Desde a flexibilização da economia, quando as atividades começaram a reabrir as portas, a economia vem se recuperando. Isso é positivo nesse momento porque leva o comércio a vender um volume maior do que no período de pandemia, naturalmente. Mas é preciso prestar atenção, principalmente quando falamos em datas com apelo emocional como o Natal e o Dia das Crianças e com apelo comercial como a Black Friday. Naturalmente elas atraem o consumidor e o empresário precisa aproveitar essa oportunidade, mas com planejamento. Ele precisa, por exemplo, avaliar se é mais interessante flexibilizar a forma de pagamento e correr o risco da inadimplência nos próximos meses ou se é melhor dar um desconto maior a vista e tentar liquidar o estoque”, pontua Almeida.

Fim do auxílio – O fim do auxílio emergencial concedido pelo governo federal e o valor total do 13º reduzido pelas políticas de flexibilização de carga horária e remuneração nos últimos oito meses também devem ter um efeito importante sobre as compras de fim de ano e gastos em janeiro.

“Sabemos que a retomada está bastante atrelada ao auxílio e as famílias já devem começar a reduzir o consumo com o anúncio de que ele será encerrado. Ao mesmo tempo não sabemos qual o volume do 13º será destinado ao consumo. A tendência é que as pessoas usem boa parte para saldar dívidas. Tudo isso tem que ser levado em consideração pelos empreendedores. Devemos nos manter atentos aos sinais macroeconômicos para tornar essa retomada sustentável para os negócios e para o País como um todo. Temos um cenário de pressão inflacionária, juros baixos que, em tese, facilita o crédito, mas que esse crédito não tem chegado na ponta e a nossa moeda desvalorizada. Esse é um contexto complexo e inédito e que só pode ser vencido com muito planejamento”, avalia o economista-chefe da Fecomércio MG.

Eduardo Luiz não existe solução mágica, mas sim fruto de uma análise precisa de cenários | Foto: Juliana Flister/ Agencia i7

Caminha no mesmo sentido a análise do gestor Empresarial da Epar Business Experts, Eduardo Luiz. Para ele não existe solução mágica, mas sim, fruto de uma análise precisa de cenários.

“As pessoas têm que sair do campo do imaginário e começar a fazer projeções. Não podemos aguardar alguma coisa acontecer. Nesse movimento o objetivo tem que ser encontrar as respostas para reduzir as incertezas e para contribuir coletivamente para a retomada. Um conceito ao qual me apregoo é o de fazer o simples, o básico, um pensamento enxuto. Ao mesmo tempo tem que ter resiliência. Tem que se esforçar pra cavar coisas que não cavavam antes. Refletir o que é ‘sair da caixa’, será que o que precisamos não é ocupá-la totalmente?”, provoca Luiz.

Momento é de “arrumar a casa” para 2021

No mês passado o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, em Washington (EUA), o relatório World Economic Outlook (“Perspectivas da Economia Mundial”). Segundo a projeção, a economia mundial deverá encolher 4,4% neste ano. A contração é menor do que a estimada pelo Fundo em junho, quando o número apresentado foi de 4,9% no Produto Interno Bruto (PIB) global.

Apesar de ser “menos ruim” do que o esperado anteriormente, a recessão ainda assim é profunda, e a recuperação será “longa, irregular e incerta”, segundo a análise publicada. Para 2021, a previsão é de crescimento de 5,2% no PIB mundial, um pouco abaixo dos 5,4% previstos em junho.

Para a economia brasileira, o FMI projeta recuo de 5,8% neste ano, desempenho melhor do que a queda de 9,1% prevista em junho, mas ainda mais pessimista do que as projeções do mercado e do governo brasileiro. Para o ano que vem, o Fundo projeta crescimento de 2,8% no PIB brasileiro, abaixo dos 3,6% previstos no relatório de junho.

“A economia global está emergindo das profundezas nas quais despencou durante o grande lockdown em abril. Mas com a pandemia de Covid-19 continuando a se espalhar, muitos países reduziram a velocidade da reabertura e alguns estão voltando a estabelecer medidas parciais de lockdown para proteger populações vulneráveis”, diz o relatório.

Para o sócio da divisão de Consultoria da Crowe – oitava maior rede global nas áreas de auditoria e consultoria – Daniel Nogueira, a informação foi e continua sendo o maior ativo dos empresários para enfrentar a crise e sair dela. Para os médios e pequenos negócios, responsáveis por quase 90% das empresas brasileiras – esse fator é ainda mais sensível. Incorporar tecnologia à gestão e ter uma contabilidade ajustada são ferramentas fundamentais apontadas pelo consultor.

“As pequenas e médias empresas têm mais dificuldade porque o empresário não tem um controle rígido da gestão, não sabe qual o seu nível de custos, de endividamento etc. Quem não tinha dados na mão sofreu muito mais. Quem não tinha o balanço ‘na vírgula’ não tinha como fazer. Quem tinha reserva está conseguindo passar. A partir de agora o empresário começa a entender que precisa fazer a gestão do seu negócio”, explica Nogueira.

Já a escritora e palestrante Leila Navarro pontua que não há espaços para “heroísmos” diante do tamanho da crise e seu potencial para o próximo ano. Para ela, é hora de consolidar os aprendizados, adotar como definitivas práticas que deram certo durante a crise e azeitar a gestão.

“No fim do ano a gente faz o planejamento estratégico e avalia o que passou. Dessa vez não dá pra planejar muito, mas uma coisa é clara: quem não arrumar a casa agora não tem 2021. Não vamos voltar a março de 2020. O que funciona melhor tem que ficar. A empresa tem que ser saudável, pra isso tem que abrir mão de algumas coisas. Existe uma certa ‘falsidade’ em falar que não dispensou ninguém durante a pandemia. Ninguém manda embora porque é legal, mas as empresas precisam continuar. Outro ponto importante é a insegurança da internet. Muitas empresas colocaram todo mundo dentro de casa e não deu tempo de ver as questões de segurança de dados. Quem chegou até aqui é porque tinha um sistema de confiança funcionando. Não dá pra ficar no apego aos antigos processos”, afirma Leila Navarro.

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