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Pandemia favorece expansão de microfranquias

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Para Adriana Auriemo, custos fixos e riscos menores são a chave do sucesso | Crédito: Keiny Andrade

A crise econômica desencadeada pela Covid-19 trouxe uma situação inédita para o País: o comércio fechado. Ruas e shopping centers vazios deram a tônica da circulação restrita de pessoas e empreendedores desesperados em busca de solução.

No franchising a esperança estava no cerne do próprio negócio: a inteligência coletiva. Na tentativa de manter o CNPJ ativo e atrair investidores – cada vez mais avessos ao risco e com medo de colocar todo o capital em um negócio – novos formatos surgiram.

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A experiência com outras crises apontava o caminho para operações mais enxutas e com menor investimento. Brilhou a estrela das microfranquias, negócios com investimento médio mínimo abaixo de R$ 90 mil.

Nesse universo das microfranquias, porém, um formato específico chamou ainda mais a atenção: as franquias que “cabem na mala”. Modelos de negócios superenxutos, onde o produto ou serviço cabe em uma mala e chegam ao consumidor, levados pelo próprio franqueado, têm crescido no mercado.

Empresas que já trabalhavam com o formato viram a procura crescer e fecharam bons negócios em 2020. Outras, que ainda não tinham pensado nisso e viviam com os modelos de loja tradicionais, se reinventaram e descobriram uma nova forma de expandir e já começaram a achar que esse é um formato que veio para ficar.

De acordo com a diretora de Microfranquias da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Adriana Auriemo, custos fixos e riscos menores são a chave do sucesso desse formato.

“As microfranquias já existem há bastante tempo, mas com a pandemia a procura cresceu, principalmente nas que o custo fixo é menor. Com medo de investir, as pessoas não querem custos e riscos maiores. Vimos as franquias que lançaram novos modelos e os que já nasceram assim. Por exemplo, franquias de moda e alimentação que têm uma unidade tradicional e o franqueado saiu com a malinha para vender direto para o cliente. Isso aconteceu principalmente porque o cliente parou de frequentar as lojas físicas. E tem as franqueadoras que tem só tem a versão móvel. Quase uma venda direta. Mas o cliente está aceitando a pessoa entrar na casa dele? A tecnologia veio para ajudar, apresentar o produto, fazer a venda e cobrar”, explica Adriana Auriemo.

Prestação de serviço

No caso da Dr. Sofá o negócio já nasceu dentro da mala. Especializada em impermeabilização de estofados e com mais de 120 unidades espalhadas por todo o Brasil, a marca exige R$ 32 mil de investimento médio, a depender do porte da cidade escolhida.

De acordo com o diretor de Operações da Dr. Sofá, Willian Tamara, a opção pelo formato de negócio foi natural e no ano passado a marca cresceu 30% em número de unidades, embalada, principalmente, por empreendedores que perderam a renda ou o emprego durante a pandemia.

Formato dá mais segurança, afirma Tamara | Crédito: FEL / Divulgação

Em Minas Gerais, são 10 unidades atualmente. As próximas inaugurações previstas são em Divinópolis (Centro-Oeste), Juiz de Fora (Zona da Mata), Uberlândia (Triângulo) e Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

“Lembro que quando fizemos as fotos para publicidade, não tínhamos parado pra pensar que a pessoa podia levar o negócio em uma mala. Crescemos em 2020 porque o nosso serviço se baseia justamente na higiene. O franqueado recebe tudo que precisa, desde uniformes, equipamento, maquinário, até os produtos. O empreendedor se sente mais seguro com esse formato”, afirma Tamara.

A tendência é que as empresas mantenham o novo formato mesmo no pós-crise. Hábitos de consumo adquiridos raramente são totalmente abandonados. As microfranquias devem viver um longo período de expansão, incorporando novos produtos e serviços.

“No início muitas empresas achavam que seriam modelos de negócios temporários. Essa é uma oportunidade de inovação para as marcas. Não vamos voltar para o jeito antigo de fazer as coisas, a multicanalidade chegou definitivamente e não vai regredir. A mala é uma alternativa para o consumidor que precisa do serviço ou produto, mas não quer se deslocar. É uma chance da marca chegar ao cliente”, completa a diretora de Microfranquias da ABF.

Prestação de serviços é celeiro de oportunidades

Expectativa da PremiaPão é crescer 50% em 2021, somando 100 unidades | Crédito: Divulgação

No mundo das franquias “que cabem na mala”, os serviços desempenham um papel especial. Uma simples mala de ferramentas ou uma mochila com um notebook dentro pode resolver qualquer problema e se tornar um negócio lucrativo.

A PremiaPão disponibiliza espaços para anúncios em sacos de pão e oferece às padarias gratuitamente. Para o franqueado, cabe a responsabilidade de ativar os comércios e prospectar anunciantes; para a franqueadora, a revisão, arte final e a impressão dos produtos.

De acordo com o CEO da PremiaPão, Raphael Mattos, criar modelos mais sustentáveis é uma questão de sobrevivência das marcas. E o marketing digital tem sido a ferramenta que possibilita a ativação desses novos negócios.

“Muitas franqueadoras que tinham custos mais salgados estão conseguindo reduzir, mexendo em poucas alavancas, como consultoria de campo, por exemplo. Hoje vemos muito mais consultorias remotas e precoces. Também os eventos que foram para as plataformas on-line, mantendo a qualidade do conteúdo, dando ao franqueado picos de motivação. Modelos muito mais enxutos estão sendo uma grande tendência pela facilidade do marketing digital, dando ao franqueado a atividade comercial e centralizando na franqueadora a inteligência”, destaca Mattos

A operação não depende de uma estrutura física, o que barateia o valor do investimento inicial, que começa a partir de R$ 10 mil dependendo da localidade.

Além do suporte com a diagramação e edição dos anúncios, o franqueado ainda conta com um processo de incubadora, onde ele é acompanhado por 60 dias e recebe todos os treinamentos para melhor gestão e marketing de seu negócio, entre dinâmicas de vendas e treinamento on-line.

A expectativa da marca é crescer 50% em 2021, somando 100 unidades ao total. Dessas, 20 estão previstas para Minas Gerais.

“Nossa operação já nasceu bem enxuta. Essa era uma das nossas missões, o apelo sustentável. O custo de operação tinha que ser muito baixo. O franqueado atua em campo. A Covid-19 acelerou todos os processos tecnológicos e hábitos de consumo que estavam por vir. Qualquer negócio está exposto ao risco da falta de inovação. É uma questão de gestão. Mantivemos o mesmo modelo, trazendo um serviço agregado, que é o marketing digital ajudando os nossos clientes a ter uma presença digital mais forte. O digital é uma questão de sobrevivência”, pontua o CEO da PremiaPão.

No interior de São Paulo a mala também se tornou a opção para a expansão da franquia de conserto de instrumentos musicais Torky. A empresa surgiu há 17 anos como uma oficina para instrumentos. Foi só em 2018, depois de muitos pedidos, que os estudos para se tornar uma franqueadora começaram.

Segundo a sócia-fundadora da Torky, Márcia Gregini, 2019 foi um ano de testes e validação do formato e quando estava tudo pronto, a pandemia veio para mudar os planos e a mala se tornou o melhor caminho para a expansão. A meta é iniciar um ciclo de expansão nacional e fechar o ano com 10 novas unidades.

“Os clientes buscam facilidade e um atendimento rápido e personalizado. Com a pandemia, sentimos receio de como seria. Muitas pessoas começaram a nos procurar, gente que tinha perdido o emprego. Acredito que esse modelo veio para ficar, pela facilidade e por exigir um investimento menor (R$ 15.990,00). Pedimos uma pessoa com dedicação e detalhista. Incorporamos um curso de violão básico on-line para melhorar a sensibilidade do franqueado. A pessoa não precisa saber tocar, mas precisa ter um bom ouvido e passar pelo nosso treinamento”, afirma Márcia Gregini.

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