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Remessas de dólar pós-coronavírus criam expectativa positiva no Estado

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Crédito: REUTERS/Marcos Brindicci

Considerando o ritmo de recuperação econômica dos Estados Unidos e a parcela de mineiros imigrantes naquele país, é grande a expectativa quanto ao impacto do dólar no cenário pós-pandemia em Minas Gerais.

Tamanho otimismo se deve ao envio de remessas estrangeiras ao Brasil e a valorização do dólar frente ao Real, que nos últimos meses tem batido recordes atrás de recordes.

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Para se ter uma ideia, em 2019, o dinheiro enviado pelos imigrantes nos Estados Unidos ao Brasil representou quase US$ 3 bilhões, ou 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. O valor cresceu 15% de 2018 a 2019. “O valor já é elevado e tenderá a ser ainda maior com uma crise instaurada no seu local de origem. Deve-se considerar ainda a valorização do dólar, que nos próximos meses poderá estar acima dos R$ 6”, avaliou o economista e analista político Carlo Barbieri.

A presença dos mineiros em território americano é comprovada por dados do Ministério das Relações Exteriores, que mostram que Minas Gerais liderava, antes da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e do fechamento das fronteiras, os embarques de pessoas para os Estados Unidos: 43% dos mineiros que deixaram o País optaram pelos Estados Unidos. O número representa mais do que o dobro de São Paulo (20% do total).

Na avaliação de Barbieri, que preside a consultoria americana Oxford Group e atua nos Estados Unidos há mais de 30 anos, estes imigrantes poderão ajudar, e muito, a economia de Minas Gerais a se recuperar. Isso porque, segundo ele, com a rápida recomposição econômica dos Estados Unidos, o declínio atual do envio de remessas estrangeiras ao Brasil não deverá permanecer por muito tempo.

Segundo ele, os Estados Unidos, como em outras crises, se recuperarão mais rápido. Isso porque o plano de estímulo econômico de mais de US$ 2 trilhões, anunciado pelo presidente Donald Trump, já tem apresentado resultados.

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“Dados do Itamaraty mostram que há quase 10 mil micro e pequenas empresas de brasileiros naquele país e, na prática, os imigrantes brasileiros empreendem mais no próprio Brasil. Neste momento, eles estão buscando socorro no pacote de salvação econômica anunciado pelo governo Trump para manter empregos. Mas logo estarão operando e retomarão o envio de remessas”, avaliou.

Conforme o professor, dados do último levantamento do Itamaraty mostram que as empresas brasileiras no território americano geraram até 2017 mais de 74.200 empregos diretos. Barbieri explicou que, em geral, estas empresas tendem a empregar imigrantes brasileiros que ajudam suas famílias no Brasil, enviando recursos em dólar.

Estimativas da Organização Think Tank Inter American Dialogue dão conta de que entre 50% e 80% da comunidade de 1,2 milhão de brasileiros nos Estados Unidos enviem dinheiro regularmente para parentes e amigos no Brasil. Cada migrante ajuda, em média, 1,2 famílias. Isso significa que entre 720 mil e 1,1 milhão de famílias recebem periodicamente recursos do exterior, diretamente injetados na economia doméstica.

Além disso, para Barbieri, que criou um grupo emergencial de apoio a empresários brasileiros nos Estados Unidos para entendimento e acesso aos pacotes de ajuda do governo federal e estaduais, a recuperação rápida de empresas brasileiras naquele país também interessa os Estados Americanos.

“A preservação de empresas brasileiras é importante para a economia americana. O Brasil é um dos países que mais gera riqueza por lá”, afirmou. Dados do Mapa Bilateral de investimentos Brasil X EUA, divulgados pela Apex, mostraram que o estoque de investimentos oriundos do Brasil pulou de US$ 9 bilhões para mais de R$ 42 bilhões em 10 anos e empresas nacionais que se arriscaram na bolsa dos EUA levantaram acima de US$ 5 bilhões desde 2017.

Restrição a brasileiros nos EUA gera apreensão

Aproximação pré-pandemia entre Bolsonaro e Trump não evitou medida restritiva | Crédito: Alan Santos/PR

O rápido avanço do Covid-19 no Brasil tem causado o crescimento de medidas restritivas aos brasileiros nas Américas. Desde desta terça-feira (26/05), brasileiros não podem mais entrar nos Estados Unidos.

Em 2018, mais de 2 milhões de brasileiros visitaram o país, e os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China. Além disso, mais de um milhão de brasileiros moram nos Estados Unidos, de acordo com o Ministério de Relações Exteriores.

“O critério usado pelos americanos para barrar os brasileiros foi o mesmo adotado em relação a outros países com altos índices de transmissão de Covid-19. Não há diferenciação no tratamento aos brasileiros, apesar dos gestos de aproximação pré-pandemia entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, como a isenção de visto para a entrada de americanos no Brasil. Um eventual prolongamento dessa proibição no segundo semestre terá consequências econômicas negativas, em especial no turismo de negócios entre os dois países”, afirma o economista e professor de Relações Internacionais na ESPM SP, Leonardo Trevisan.

Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai têm reforçado a segurança sanitária nas cidades fronteiriças e restringindo a circulação de caminhões brasileiros.

“Quando o Brasil fez a escolha de não seguir os mesmos protocolos da OMS que os vizinhos seguem, isso gera um custo nas relações exteriores do País, em especial na América do Sul. Nos próximos meses, os países com melhor desempenho na gestão da crise sanitária resistirão em receber oriundos de locais com altas taxas de transmissão”, completa Trevisan. (Da Redação)

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