Belo Horizonte é o novo destino da Loft, startup de compra, venda e reforma de imóveis que entrou recentemente para o clube dos unicórnios – empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

A Loft é também um unicórnio veloz: a marca foi alcançada com pouco menos de dois anos de operação, no início de janeiro, após o anúncio de um aporte de US$ 175 milhões (R$ 730 milhões) liderado pelo Vulcan Capital, fundo do cofundador da Microsoft Paul Allen, morto em 2018. A Loft é o primeiro investimento da empresa na América Latina.

Fundada pelo húngaro Mate Pencz e pelo alemão Florian Hagenbuch, a Loft começou a operar em bairros de alto padrão em São Paulo em agosto de 2018, comprando apartamentos à vista, reformando e revendendo. Atualmente há 300 imóveis disponíveis no site, com preços que variam de R$ 255 mil (um apartamento de 31 m² no Paraíso) a R$ 6,4 milhões (um imóvel de 336 m² na Vila Primavera).

O cliente interessado na compra pode contratar pelo próprio site a reforma do imóvel. Por uma reforma simples (limpeza e pintura), a Loft cobra R$ 200/m². Já uma reforma “padrão Loft” sai por R$ 3.000/m². Apostando nesse serviço, a empresa comprou em novembro a startup Decorati, especializada em reforma e decoração.

Para calcular o preço de compra e venda dos imóveis, a Loft usa uma ampla base de dados, incluindo desde a metragem e a idade da unidade a tamanho da piscina do condomínio. Já foram transacionados, no total, 1.000 imóveis.

A startup também trabalha com permuta e começa agora a entrar no mercado de antecipação. Ainda em fase de teste, a opção permite que o proprietário faça um empréstimo de até 50% do valor do imóvel enquanto ele não é vendido, com um período de carência de 6 meses. Caso o empréstimo não seja quitado nesse período, a Loft cobra uma parcela com uma taxa de 0,99% + inflação (IPCA) por um prazo de até 10 anos.

Segundo Pencz, a escolha pelo mercado imobiliário deveu-se justamente ao fato de ser um mercado complexo, burocrático e pouco transparente. Embora desvantajosas à primeira vista, essas características significam oportunidade para negócios que se proponham a trazer mais eficiência.

“A gente queria atacar um mercado com alto nível de complexidade, que talvez só um empreendedor em série conseguisse porque requer um certo nível de investimento, capital e senioridade do time desde o dia zero. Fora que é um mercado muito grande, na verdade é o maior que existe em termos de tamanho e volume», afirma o húngaro.

A Loft também foi favorecida pela melhora recente do mercado imobiliário e a queda da taxa de juros, que tornaram os financiamentos mais acessíveis. Uma das principais vítimas da recessão que atingiu o País nos últimos anos, há uma expressiva demanda reprimida que começa a se movimentar. O setor é uma das principais fontes de expectativas econômicas positivas para o ano.

Projetos – Pencz e Hagenbuch vêm de uma experiência anterior bem-sucedida com a gráfica on-line Printi, fundada pela dupla em 2012 e vendida posteriormente por uma cifra milionária.

O sucesso no negócio, que rendeu aos dois um lugar na lista da Forbes de empreendedores de destaque com menos de 30 anos, colocou-os numa posição melhor para atrair interesse e capital para a Loft do que alguém que começasse do zero.

Embora operando em setores diferentes, Printi e Loft se originam da aposta em mercados truncados – razão que atraiu os europeus para o Brasil.

“Percebemos no Brasil um mercado doméstico bastante crescente, com muita adoção de ferramentas de mídias sociais, tanto na seção de banda larga e smartphones, mas ao mesmo tempo com poucas soluções tecnológicas para problemas do dia a dia. A gente enxergava bastante potência em montar uma empresa que utilizasse tecnologia para melhorar eficiência e escalabilidade em um mercado ainda pouco transparente”, afirma.

Os próximos passos são expandir a operação para outras cidades. Para além de Belo Horizonte, onde a Loft deve chegar ainda no primeiro semestre, estão confirmadas Rio de Janeiro e Cidade do México até o fim do ano. (Folhapress)