Supermercados temem prejuízo com nova escala
O avanço do projeto de lei que extingue a escala 6×1 coloca em alerta o setor supermercadista de Minas Gerais. Um levantamento da plataforma NEO Estech revela que o fechamento prolongado das lojas, especialmente aos domingos, pode expor as redes a perdas de até R$ 248 milhões ao ano em mercadorias refrigeradas, caso não haja investimento em monitoramento de equipamentos.
O raciocínio é direto: a loja fecha, mas os sistemas de refrigeração continuam operando. Sem presença humana, janelas de até 34 horas sem inspeção criam condições para falhas silenciosas em câmaras frias, compressores e expositores. Quando o problema é detectado, o prejuízo já está feito.
“Pequenas variações de temperatura ou falhas intermitentes podem comprometer a qualidade dos produtos sem que haja um alerta claro”, diz o CEO do NEO Estech, Sami Diba. Além do descarte de mercadorias, o executivo aponta riscos à reputação das redes, com impacto direto na experiência do consumidor e na segurança alimentar.
Os números têm base no contexto mineiro. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) já calcula que perdas de produtos consomem 1,87% do faturamento do setor. Em Minas Gerais, isso representa mais de R$ 1,2 bilhão. Considerando apenas 10% desse valor como risco real por falhas em equipamentos de refrigeração, o prejuízo chega a R$ 124 milhões anuais. Com o fechamento aos domingos sem monitoramento adequado, a estimativa é que esse risco dobre, chegando a R$ 248 milhões.
O levantamento também aponta o outro lado da conta: supermercados que adotam sistemas de gestão energética eficiente podem economizar cerca de R$ 38,8 milhões por ano no Estado, equivalente a uma redução de 6% no consumo. O cálculo considera unidades com consumo médio de 100 mil kWh mensais para supermercados e 250 mil kWh para atacarejos.
Para Diba, a discussão sobre a jornada de trabalho precisa incorporar a gestão de risco operacional. “A economia obtida com a redução do consumo de energia pode ser facilmente anulada por perdas mais severas”, alerta. Segundo ele, protocolos de resposta rápida e visibilidade em tempo real sobre a infraestrutura crítica são condições mínimas para viabilizar o novo modelo sem prejuízo às operações.
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