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Volta do horário de verão pode amenizar efeitos da crise hídrica

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O horário de verão adianta o relógio em uma hora, o pico de consumo, que é no período da tarde, continuará o mesmo, seja para o lazer, banho e descanso | Crédito: Agência Brasil

Com o risco iminente de apagões localizados devido à forte crise hídrica no Brasil, empresários de vários setores voltaram a discutir a volta do horário de verão no País. 

Os apoiadores do programa afirmam que a medida pode aliviar o sistema de distribuição de energia elétrica do Brasil, além de promover benefícios à economia.

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Por outro lado, algumas entidades de classe avaliam que o ganho é pouco e que o sacrifício para as mudanças na produtividade do setor fabril não teriam impactos que justificassem o desgaste. 

A estiagem de chuva que compromete os níveis de água dos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste, que gera 70% da energia elétrica do País, atualmente está operando com a capacidade de 19,59%, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico. 

Para o setor industrial, a volta do horário de verão não deve ter o efeito desejado, que é a redução do consumo. 

A gerente de energia elétrica da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Tânia Mara Costa Santos, explica que a volta do horário de verão não diminui o consumo no setor.

O horário de verão adianta o relógio em uma hora. O pico de consumo de energia elétrica é entre 14h e 19h. Se ocorrer o retorno, o que mudará será apenas a antecipação da entrada e saída dos funcionários da indústria em uma hora antes. O pico de consumo, que é no período da tarde, continuará o mesmo, seja para o lazer, seja para o banho e descanso em casa”, explica.

Por outro lado, ela destaca o Programa de Incentivo à Redução Voluntária do Consumo de Energia Elétrica. A iniciativa, que entrou em vigor no início deste mês, e deve estender até abril de 2022, prevê benefícios de compensação financeira para o setor industrial.

O programa recompensará os cidadãos que reduzirem em até 10% o consumo, com um bônus de R$ 50 para cada 100 kWh economizados. Tânia Santos avalia que a iniciativa é um bom passo.

“Ainda propomos a flexibilização da redução de 5 megawatts para 1 megawatts neste período de redução voluntária dentro de uma média de quatro a sete horas por dia, sem comprometer a produção industrial. Isso é uma possibilidade viável, mas no horário de verão, não teremos benefício algum, na verdade, mais problemas”, destaca.

A gerente de energia elétrica da Fiemg informou ainda que grande parte das indústrias no Estado tem geradores de energia elétrica à base de diesel ou fotovoltaicos.

“Muitas empresas contam com esse fundo de eficiência de energia elétrica, que pode abastecer o próprio parque fabril neste período de crise. O que precisamos é de um incentivo do governo federal para que esses empresários possam contribuir e também serem apoiados nesse momento de crise hídrica, que acaba impactando no setor econômico do País”, salienta Santos.

Quanto a ações nacionais para solucionar ou mitigar a crise hídrica no Brasil, Tânia Santos destaca que as demandas do Estado estão sendo encaminhadas ao Ministério de Minas e Energia a fim de unir forças colaborativas tanto da indústria quanto da sociedade para que não haja a sombra do apagão ou falta de energia elétrica no Brasil. “A redução do consumo de energia elétrica é responsabilidade de todos. Temos que nos unir ao setor da indústria, comércio e população para um consumo consciente”, opina.

Estudo

Na avaliação do gerente de energia elétrica da Associação dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Victor Iocca, o retorno do horário de verão depende de um estudo técnico para avaliar se, de fato, teria algum benefício.

Segundo ele, quando o Ministério de Minas e Energia decidiu acabar com o horário especial, foi avaliado que a redução que era registrada no início do programa já não estava sendo obtida. “O que, então, não era mais viável continuar com a demanda devido ao calor e o pico do consumo prolongado”, explica.

Iocca acredita que ao fim do período de chuvas, em março deste ano, quando foram detectadas precipitações abaixo do esperado, o governo federal deveria ter começado a tomar medidas para que, no período de maior seca, a situação não ficasse tão precária.

“As medidas devem vir antes que se tornem piores. Talvez, se o governo federal tivesse incentivado a redução de gastos da energia elétrica antes, a população e o empresariado como todo não pagariam tão caro por isso agora”.

O representante da Abrace pontua que a preocupação maior é com o impacto que a falta da energia elétrica terá na economia do País.

“Sabemos hoje que os reservatórios estão baixos, mas que atendem até novembro. A preocupação são com os apagões localizados e regionalizados, isso afeta a cadeia de produção. Para se ter uma ideia, uma indústria, por exemplo, pode levar dois ou três dias para retomar a atividade normalmente e acaba afetando todos os setores que dependem dela”, salienta.

Victor Iocca avalia que mais que dependermos das mudanças climáticas é preciso modernizar o sistema de geração de energia elétrica no Brasil. “É preciso ampliar a discussão a respeito da geração energética no País. Criar formas estruturais mais modernas, formas de alteração de formação de energia elétrica em curto prazo. Prevenir situações como a que estamos vivendo hoje para não desestruturar nem o sistema econômico do Brasil e nem aumentar tanto para os consumidores”, reforça.

Matheus Daniel: programa viabiliza recuperação do setor | Crédito: Nikollas Campos

Para o comércio, o horário de verão gera grandes benefícios

O engenheiro eletricista aposentado da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) Wilson Lage, avalia que o horário de verão tem efeito acumulativo, ou seja, o benefício é sentido pelos consumidores ao longo do tempo, mas que a volta do programa, pode sim, ser uma boa alternativa.

“O efeito do horário de verão era mais educativo e a economia era sentida pelos consumidores ao longo do tempo. Mesmo assim, nesta situação de crise hídrica, ainda conseguimos diminuir os gastos, tendo esse remanejamento do tempo. É claro que há um desconforto por causa da mudança do horário, mas precisamos do sacrifício para gerar um pouco de economia”, reforça. 

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Minas Gerais (Abrasel-MG) apoia o movimento pela volta do horário de verão no País. O presidente da entidade, Matheus Daniel, explica que a retomada do programa viabiliza a recuperação do setor de bares, restaurantes e do turismo.

“É um momento em que as cidades estão com uma maior flexibilização e que estão recuperando a economia. Quando a sociedade precisou que fechássemos por causa da pandemia, ficamos com as portas fechadas, agora a sociedade precisa desse momento de lazer e de diversão. Além disso, isso tudo é feito gerando 2% de economia de energia elétrica”.

Daniel pontua que com a volta do horário de verão, o setor investe em geração de emprego, devido ao aumento de atrativos culturais e também acaba favorecendo outros setores da economia.

“O comércio varejista acaba ganhando porque também estende o horário de funcionamento e por consequência a indústria, que acaba adaptando a carga horária para abastecimento e entrega nos estabelecimentos fora dos horários considerados de pico e de maior consumo de energia elétrica”, enfatiza. 

Para a Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), o horário de verão tem grandes benefícios. Segundo o vice-presidente ACMinas e coordenador do grupo de trabalho da crise hídrica e energética, Cledorvino Belini, os raios solares contribuem com o trabalho e a circulação da economia.

“O pico da luz solar contribui com os gastos no horário de verão, oferecendo economia para as empresas e também para as famílias que ficam fora de casa até mais tarde e mudando os horários para o consumo de energia elétrica”,explica. 

Ainda de acordo com o vice-presidente da ACMinas, atualmente, vivemos uma estiagem de chuvas sem precedentes, um dos motivos para que se repense na volta do horário de verão.

“Hoje temos um risco muito grande de apagões e precisamos pensar em medidas rápidas para que isso não ocorra. Por outro lado, não temos linhas de transmissão da região Norte do País suficientes para alimentar a rede de transmissão do Sudoeste, o que faz a estiagem ficar ainda mais difícil para maior parte do País, que corre risco sérios de apagões”, detalha.

A reportagem procurou a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) que informou em nota que “que a decisão sobre o horário de verão no Brasil é de competência do Ministério de Minas e Energia. Dessa forma, cabe a todas as distribuidoras de energia do País acatar a decisão sobre esse assunto”.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO também entrou em contato com o Ministério de Minas e Energia, mas até o fechamento desta edição ninguém havia retornado. 

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