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Atenção roubada e felicidade em queda: o uso excessivo de telas

Brasil é o segundo país do muno em tempo de uso de redes sociais
Atenção roubada e felicidade em queda: o uso excessivo de telas
Foto: Freepik / Divulgação

Atualmente, o brasileiro médio acumula cerca de 157 dias por ano em frente a dispositivos digitais e o país é o segundo no mundo em tempo de uso de redes sociais, liderando os índices de ansiedade. Coincidência? A neurociência diz que não. Segundo estudo de Harvard, passamos 47% do tempo acordados divagando e, quanto mais fazemos isso, mais infelizes nos sentimos.

Desde os anos 2000, sabe-se que o cérebro humano possui uma “rede neuronal por defeito” (Default Mode Network – DMN), que se ativa quando não estamos focados em nenhuma tarefa externa. Atividades prazerosas vividas no “piloto automático” tornam-se, então, menos satisfatórias, enquanto as desagradáveis parecem ainda piores.

A tecnologia digital, com desastres e memes na mesma hierarquia plana, “sequestra” nossa mente e nos mantém oscilando entre estímulos externos rápidos e uma ruminação ansiosa. O resultado é uma angústia difusa ao final do dia e uma dificuldade crescente de simplesmente estar presente. Os impactos, porém, não escolhem idade:

Crianças (0-12 anos): 1 em cada 4 acessa a internet antes dos seis anos e o SUS já registrou aumento de 1.000% nos atendimentos por ansiedade infantil na última década. Observa-se também a perda gradual da “alfabetização social” e da capacidade de se reconhecer humano por meio do outro;

Adolescentes (13-19 anos): vivem em “vitrine permanente”. A identidade passa a ser construída sob métricas de likes, e o conflito real é substituído pelo “cancelamento” ou “unfollow”. A DMN, que surge por volta dos 7-9 anos, fica hiperativada pela comparação social;

Adultos (20-59 anos): Um terço das pessoas que usam o celular mais do que gostariam afirmam que o relacionamento amoroso piorou nos últimos cinco anos. A fadiga e o esgotamento provocados pela exposição é real e debilitante;

Idosos (60+): quase 90% usam o celular diariamente, mas a tecnologia que pode aproximar, também isola.

A boa notícia é que o cérebro é plástico. Práticas de atenção e meditação podem reorganizar essa “casa interna”, fortalecendo a capacidade de sair voluntariamente da rede neuronal por defeito e cultivar presença. Não se trata de rejeitar a tecnologia, mas de reintroduzir a intencionalidade.

Já o mercado e as marcas têm um papel central nessa mudança. Vemos movimentos e programas que recompensam a desconexão, porém, ainda é só um início.

A pergunta que fica é: queremos continuar sendo usuários passivos de uma arquitetura feita para nos capturar? Para a neurociência, felicidade, saúde mental, qualidade das relações, mercado de trabalho e muitos outros campos dependem dessa resposta.

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