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Cartões vermelhos na Copa

Influência de Trump mancha edição deste ano da maior competição de futebol do mundo
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Cartões vermelhos na Copa
Foto: Reprodução Adobe Stock

“O Brasil se apequenou diante de um adversário fraco”. (Mauricio Noriega)

Retomo depois de amanhã, sábado, a narrativa sobre a obra mística de Guimarães Rosa.
O primeiro cartão fica para o anfitrião da Copa, Trump. Sua majestade foi pilhada, como se diz na gíria esportiva, em impedimento. Um punhado de vezes. Já antes dos jogos pressionou uma Fifa desfigurada pelo servilismo no sentido de outorgar-lhe, à falta do Nobel, o fajuto titulo de “Campeão da Paz”. Enquanto a junta psiquiátrica da Casa Branca apressava a confecção de camisa de força mais resistente para conter seus impulsos delirantes, o monarca cuidava de promover toda a sorte de confusão de modo a trazer para si o protagonismo central da festa suprema do futebol. Misturando prepotência e racismo vedou o desembarque nas sedes da competição de desportistas estrangeiros. Vetou juízes. Mais adiante ordenou fosse cancelado cartão vermelho, atribuído a atleta estadunidense, por jogada desleal. O brasileiro que apitou o jogo, juiz consagrado mundialmente, foi tachado de “suspeito e de reputação duvidosa”. Tudo faz crer que, em determinado momento, os “Deuses do Futebol” acharam que já era chegada a hora de intervir, antes que as estripulias presidenciais ainda mais se agigantassem. Foi aí, então, que a seleção norte-americana perdeu a chance de chegar às semifinais. A derrota fragorosa por 4×1 para a Bélgica desfez o receio de que o escrete chegasse à final, e que Trump alterasse as regras, outra vez, determinando que a partida decisiva fosse substituída por cobrança de pênaltis. Mesmo sem figurar na lista dos atletas convocados, ele entraria na cancha, paramentado com vestimenta esportiva dos supremacistas brancos, tomando a si a tarefa de fazer as cobranças. Obviamente, com o arco adversário desguarnecido de goleiro, “mode que” tudo funcionar nos devidos trinques…

O outro cartão vermelho sobrou para a sofrível “legião estrangeira” (a começar pelo treineiro), que nos representou na Copa. Cheio de si, encharcado de empáfia, surfando nas águas caudalosas dos triunfos de glorioso passado, o time canarinho foi posto a pique pelas remadas vigorosas dos noruegueses.

A conquista do “Hexa” deu-se às avessas. Mal convocada, mal treinada, “cascou fora” pela sexta vez consecutiva do mais eletrizante dos torneios esportivos. A frustração popular foi bastante intensa. Da irreverência das ruas brotou um bocado de historinhas chistosas. Como esta: Dois torcedores desolados comentam o vexame.

“- Qual seria mesmo, em seu modo de ver, o placar de um jogo entre a seleção de agora e a de 1970?
“- A do tri ganharia por 2×1!”
“- Mas só isso?”

Fim do papo:

“- Só. É preciso levar em conta que o Pelé já morreu e os outros atletas já estão beirando os oitenta…”
E não é que os cartolas já espicharam o contrato do técnico para a Copa de 30?

Isso aí, gente boa.

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