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Deu a louca outra vez

Novo tarifaço, ameaça ao Pix e regulamentação nas plataformas digitais são alguns do novos devaneios de Trump
Deu a louca outra vez
Foto: Jonathan Ernst / Reuters

“O Brasil não aceita esse tipo de tratamento” (Presidente Lula)

Deu a louca outra vez. O governo dos Estados Unidos resolveu, inesperadamente, aplicar um tarifaço a produtos brasileiros. A medida provocou compreensível espanto. As alegações são pueris, ridículas a não mais poder. Bordejam as franjas do surreal.
O Pix, o varejo da Rua 25 de Março (São Paulo) e a regulamentação das plataformas digitais são, entre outros itens, apontados como instrumentos desagregadores da economia global. Que coisa mais sem pé nem cabeça, santo Deus!

Cuidemos de resumir o que está rolando no pedaço. O Escritório Comercial dos EUA, órgão vinculado à Casa Branca, elaborou um fantasioso documento que gerou a celeuma que ora sacode os redutos políticos e empresariais. No documento, é proposta uma taxa de 37,5% sobre produtos da pauta de exportação brasileira.

O Pix — importante, inovadora e democrática conquista para transações negociais, concebida no governo Temer, implementada no governo Bolsonaro e incrementada no governo Lula — é descrito, pasmo dos pasmos!, como um sistema prejudicial aos “nobilitantes” interesses das operadoras de cartão de crédito estadunidenses. Melhor seria, admite descaradamente o Escritório, que essas operações, hoje monitoradas pelo Banco Central do Brasil, passassem a ser geridas pelas próprias empresas de crédito privadas. Noutras palavras: os Estados Unidos alvejam, insensatamente, uma supertecnologia puramente brasileira para proteger o lobby das bandeiras de cartão americanas.

Tão aberrantes quanto revelam-se também as outras justificativas alinhadas para condenar as práticas brasileiras no comércio internacional. A agressividade da investida norte-americana ganha contornos ainda mais graves ao tentar mascarar o puro interesse protecionista sob uma demagógica roupagem humanitária. Para além da tarifa já mencionada, Washington anuncia a disposição de emplacar outra taxa, de caráter “punitivo”, de 12%, argumentando que nosso país incorre em falha na fiscalização do trabalho, permitindo violações dos direitos trabalhistas. Lançar mão de afirmação dessa natureza entra em colisão frontal com o rigoroso sistema de auditoria laboral vigente no país. Trata-se de cínico pretexto.

As entidades representativas das classes empresariais já articulam uma enérgica reação jurídica e diplomática contra a ameaça das sobretaxas. O governo brasileiro estuda acionar imediatamente os painéis de arbitragem da Organização Mundial do Comércio . Contudo, o estrago reputacional e o clima de forte incerteza gerados por esse delírio burocrático e ideológico vindo do Norte já cobram seu preço imediato no câmbio e nas bolsas de valores. As reações deixam evidenciado que o País não aceitará ver sua soberania molestada pela arrogância e prepotência externa.

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