Novas regras tributárias desconsideram a força do turismo
O turismo de negócios no Brasil impulsiona uma cadeia econômica estratégica e vital para geração de empregos, renda e desenvolvimento. Contudo, o setor pode ser severamente impactado pela reforma tributária. Quando empresas realizam convenções, participam de feiras, promovem congressos ou levam executivos para reuniões em uma cidade, os benefícios não se restringem à hospedagem.
Diversos outros segmentos são beneficiados, como restaurantes, bares, transporte por aplicativos, locadoras de veículos, companhias aéreas, centros de eventos, montadoras de estandes, comércio e serviços em geral.
Na realidade, milhares de trabalhadores dependem da cadeia do turismo de negócios. Por isso, qualquer mudança tributária que encareça viagens corporativas ou reduza a competitividade do setor precisa ser tratada com bastante cautela.
O debate sobre a regulamentação da reforma tributária acendeu um alerta importante: restrições ao aproveitamento de créditos tributários ligados a despesas corporativas podem elevar o custo real das viagens, afetando eventos, hospedagem e deslocamentos. Especialistas apontam que, na prática, isso pode contrariar a lógica da não cumulatividade defendida como um dos pilares da nova estrutura tributária.
Para esse mercado, a conclusão é simples: fazer negócios no Brasil pode ficar mais caro. Quando isso acontece, as empresas cortam custos, reduzem participação em feiras, substituem encontros presenciais por virtuais, diminuem equipes e cancelam convenções. O resultado recai sobre cidades inteiras que dependem desse fluxo para manter empregos ativos durante todo o ano.
Diferentemente do lazer, o turismo corporativo mantém ocupação constante em dias úteis, sustenta hotéis em baixa temporada e movimenta a economia nos centros urbanos. Isso garante maior previsibilidade de receita e estabilidade para o setor. Cidades como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e tantas outras conhecem bem essa realidade. Uma feira movimenta milhares de pessoas, congresso lota hotéis, convenção ativa toda a rede de serviços. Cada evento cancelado significa menos empregos temporários, redução do consumo local e queda da arrecadação.
É fundamental que o debate sobre a reforma tributária considere o turismo de negócios não como um privilégio corporativo, mas como um setor gerador de empregos, renda e desenvolvimento regional. Onerar esse segmento sem avaliar os efeitos em cadeia é arriscar o equilíbrio de uma engrenagem econômica que muitas vezes funciona de forma silenciosa, mas é essencial em todo o país. Mais do que preservar créditos tributários, trata-se de proteger empregos reais, negócios locais e a capacidade de atrair investimentos e eventos de relevância nacional e internacional.
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