O peso da carga tributária no bolso do brasileiro
Todo o salário recebido pelo trabalhador brasileiro entre janeiro e o fim de maio é destinado ao pagamento de impostos. Antes mesmo de investir, consumir ou realizar projetos pessoais, quase cinco meses de trabalho já foram comprometidos com tributos cobrados sobre renda, consumo e patrimônio. Só a partir de junho é que o brasileiro trabalha para proveito próprio. A constatação ajuda a explicar a importância do Dia Livre de Impostos (DLI), idealizado em 2007 pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), por meio da CDL Jovem, para conscientizar a população sobre o peso da carga tributária no País e estimular o debate sobre o retorno dos recursos arrecadados.
Segundo estudos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o brasileiro trabalha cerca de 150 dias por ano apenas para quitar tributos federais, estaduais e municipais. Isso significa que mais de 40% da renda média do cidadão acaba direcionada ao pagamento de impostos, taxas e contribuições que incidem nas mais diversas atividades do cotidiano — desde a compra de alimentos até o abastecimento do veículo, o consumo de energia elétrica e a aquisição de bens e serviços.
Embora a arrecadação de impostos seja essencial para custear programas sociais e assegurar o funcionamento do Estado, o tema gera debates sobre o equilíbrio tributário e a eficiência na aplicação dos recursos. Para grande parte dos brasileiros, a sensação é de que os tributos pagos no dia a dia ficam abaixo das expectativas da população em área críticas como retornam para a população em saúde (filas, falta de leitos e medicamentos), educação (infraestrutura precária e déficit de aprendizado), transporte (mobilidade urbana deficiente) e segurança (altas taxas de criminalidade e violência).
O debate sobre os tributos também impacta o setor produtivo. Para o empresário brasileiro, o peso dos impostos vai além de um gasto financeiro elevado, pois também representa uma dificuldade constante na gestão. O sistema tributário nacional é reconhecido pela complexidade, pela grande quantidade de normas e pela multiplicidade de tributos existentes. No dia a dia, isso obriga as empresas a investimentos constantes em contabilidade, planejamento fiscal e adequação às exigências legais.
Além dos impostos pagos diretamente pelas empresas, uma fatia dos gastos acaba refletindo em toda a cadeia econômica. O aumento nos custos da produção diminui a competitividade, cria obstáculos para novos investimentos e afetam o preço final dos produtos e serviços oferecidos ao consumidor.
O Dia Livre de Impostos nasceu justamente como um movimento de conscientização sobre essa realidade. No dia 28 de maio, em diversas cidades brasileiras, empresas participantes comercializam produtos e serviços sem repassar ao consumidor o valor correspondente à tributação, evidenciando o quanto os impostos representam no preço final.
Mais do que questionar a existência dos impostos, o DLI propõe uma reflexão sobre a simplificação tributária e melhor gestão dos recursos públicos. Afinal, os tributos são fundamentais para o funcionamento do país, mas a sociedade espera uma administração mais cuidadosa do dinheiro público e um sistema mais simples para quem produz, empreende e trabalha.
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