Rodovias de Minas Gerais estão mais resilientes
Muito se fala sobre estradas inteligentes, frequentemente associando o conceito a sensores, câmeras e sistemas de monitoramento. Na prática, porém, rodovias inteligentes vão além da tecnologia embarcada. Elas dependem da organização e da governança das informações para que, a partir de um planejamento consistente, seja possível traçar estratégias, antecipar riscos e fortalecer a resiliência da infraestrutura.
Em Minas Gerais, a discussão ganha ainda mais relevância diante da complexidade de administrar a extensa rede rodoviária. Na quarta-feira (27), o encontro “Gestão Inteligente da Maior Malha Rodoviária do Brasil”, promovido pelo DER-MG em Belo Horizonte, reforçou a importância do uso de tecnologia, dados e planejamento para modernizar a infraestrutura rodoviária.
A questão também se torna fundamental no contexto de avanço das mudanças climáticas. Segundo dados da Codex, Minas acumulou R$ 4,2 bilhões em prejuízos públicos entre 2015 e 2024 por conta de eventos extremos. O contexto reforça a necessidade de ampliar estratégias preventivas na infraestrutura viária, especialmente tendo em vista o histórico das rodovias brasileiras. Conforme a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, mais de 60% da malha pavimentada do país apresenta algum tipo de deficiência.
Nesse cenário, os dados assumem papel central. Concessionárias e órgãos públicos já acumulam históricos extensos de informações sobre tráfego, ocorrências e manutenção. O desafio está em integrar essas bases a dados geoespaciais, topográficos e climáticos. Quando integradas e analisadas de forma estruturada, essas informações permitem mapear pontos críticos, estimar probabilidades de alagamento, identificar taludes com maior risco de instabilidade e simular impactos no fluxo.
A mudança de patamar na gestão, assim, ocorre quando a informação deixa de ser apenas registro e passa a orientar decisões estratégicas. Modelos preditivos possibilitam cruzar volume de tráfego com previsões meteorológicas e cenários de chuva intensa, permitindo atuação preventiva.
Em Minas, o avanço do uso de IA e dados geoespaciais já começa a produzir resultados. O DER-MG, por exemplo, passou a utilizar sistemas de monitoramento com análise automatizada de imagens e dados colaborativos do Waze para acompanhar, em tempo real, ocorrências como buracos, alagamentos, congestionamentos e acidentes. Segundo dados do governo estadual, a adoção da tecnologia contribuiu para uma redução de 80% no número de buracos registrados nas rodovias no segundo semestre de 2025.
As experiências já realizadas mostram que o diferencial está em conectar previsibilidade operacional ao risco. Essa abordagem reduz a lógica reativa que historicamente marcou a gestão viária. Em vez de agir apenas após a formação de filas ou a destruição de um trecho, passa-se a atuar com planejamento baseado em evidências. Em um cenário de eventos extremos mais frequentes, a capacidade de transformar informação em ação preventiva tende a se consolidar como um dos principais fatores para garantir segurança, eficiência e maior resiliência da infraestrutura viária brasileira.
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