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Tempestade perfeita que ameaça quem produz no Brasil

Debate sobre juros altos, inflação e responsabilidade fiscal deve contemplar os empresários
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Tempestade perfeita que ameaça quem produz no Brasil
Foto: Reprodução Adobe Stock

O Brasil vive um momento econômico que deveria preocupar a todos, não apenas o mercado financeiro. Os sinais que aparecem nos balanços corporativos e nas manchetes afetam, na prática, milhares de empresas, que enfrentam dificuldades para sobreviver. Não se trata de casos isolados de má gestão, mas do resultado de uma combinação rara e perigosa de fatores econômicos. Uma tempestade perfeita que ameaça quem empreende, investe e gera empregos no país.

No último mês, o Brasil voltou a ser o país com o maior juro real do mundo, com taxa de 9,67% ao ano. Um cenário sufocante para as empresas que dependem de crédito para expandir ou simplesmente manter suas operações. O nível recorde de recuperações judiciais é preocupante. Ao mesmo tempo, apesar da abertura de novos negócios, o fechamento de empresas por dificuldades financeiras ainda segue elevado.

Juros altos afetam desde pequenos negócios até grandes grupos empresariais, que são obrigados a renegociar dívidas e a reestruturar seu negócio. As empresas que conseguem manter o nível de suas operações também sofrem com a explosão dos custos financeiros. Em diversas situações, os juros passaram a consumir grande parte ou a totalidade do resultado operacional. A inflação permanece pressionada. E o custo em dólar de insumos, equipamentos e matérias-primas segue elevado. O efeito é um ciclo perverso: a alta dos custos alimenta a inflação, que exige juros maiores, reduzindo consumo, investimentos e crescimento econômico.

Por trás desse cenário está uma questão estrutural que o País ainda não conseguiu enfrentar de forma definitiva: o desequilíbrio fiscal. Quanto maior a percepção de risco sobre as contas públicas, maior tende a ser a pressão sobre juros e câmbio. Quem paga essa conta não é apenas o governo, mas as empresas, os trabalhadores e os consumidores.

E o mais grave é o risco de o Brasil entrar na armadilha do baixo crescimento. Investir fica caro. Empreender se torna mais arriscado. O capital procura alternativas mais seguras na renda fixa. E o País perde capacidade de gerar riqueza, inovação e oportunidades. O setor produtivo precisa de previsibilidade, estabilidade e confiança para investir, inovar e gerar emprego e renda. Nenhuma economia prospera quando o sistema recompensa mais a especulação do que a produção.

A discussão sobre juros, inflação e responsabilidade fiscal não pode ficar distante dos empresários, porque ela é que define diretamente quantos empregos serão criados, quantos investimentos sairão do papel e quantas empresas conseguirão permanecer de pé nos próximos anos. A tempestade perfeita já começou. A pergunta é quanto tempo o Brasil levará para construir as condições necessárias para atravessá-la.

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