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Opinião

As polarizações já têm afetado sua carreira?

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Crédito: Carmine Furletti

Devido às intensas discussões políticas em nosso País, temos vivenciado – entre amigos, colegas e familiares – conversas bastante acaloradas, em que cada um quer ter mais razão do que o outro. Essas polarizações têm sido cada vez mais frequentes dentro das organizações, o que é péssimo, pois, ao invés de se caminhar em direção a espaços com sinergia, empatia e espírito de equipe, percebe-se, muitas vezes, ambientes de polêmicas e embates desnecessários. Portanto, é preciso ter “jogo de cintura” para que as divergências não sejam levadas para o lado pessoal, o que impacta diretamente o clima organizacional e, consequentemente, a entrega dos resultados da empresa. Ao mesmo tempo, cabe aos líderes construir consenso, coesão e colaboração para que possam, além de colher os frutos positivos, proporcionar um clima de trabalho harmonioso.

Nesse contexto, vale salientar que, em qualquer tipo de relação, praticar a empatia, ou seja, se colocar no lugar do outro, é sempre essencial, além de ter escuta ativa e respeito às diferenças, inclusive, de pensamentos. Se lidamos, diariamente, com pessoas com personalidades, culturas e até mesmo propósitos distintos, é fundamental aprimorarmos a maturidade emocional para atuar com diplomacia e garantir que as relações criadas se mantenham saudáveis. Evidentemente, você não tem que concordar sempre com o que o outro diz ou acredita. O que não pode é achar que apenas sua ideia, seu pensamento e sua defesa são coerentes.

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Infelizmente, muitas vezes, não é isso que acontece, seja no âmbito pessoal, seja no profissional. Especialmente, as redes sociais têm impulsionado as polarizações e discussões frequentes, pelo fato de diversas pessoas usarem esses canais não só para descontração, como também para emitir opiniões. E, pior, partem para agressões. Essa situação costuma se estender para o contato presencial, até porque estamos sendo constantemente observados pelos amigos, familiares e colegas de trabalho. Sendo assim, um comportamento inadequado pode afetar diretamente a credibilidade e, consequentemente, a sua carreira.

Também é um bom momento para refletir. Você tem “políticos de estimação” e é tão apegado a eles a ponto de findar suas amizades? Nas últimas eleições, no Brasil, quantas vezes vimos isso acontecer? Primeiramente, saiba que são os governantes que devem nos servir e, não, o contrário. Quem está no poder não deu certo? No próximo pleito, é só votar de forma consciente. Quantas empresas contratam executivos e, depois, precisam demiti-los por não terem mais aderência à organização? Então, por que são criadas discussões desnecessárias quando o assunto é política?

Da mesma forma, você já reparou o quão complexo tem sido, nos dias atuais, expressar uma opinião? Nas mídias sociais, a pessoa que se posiciona sobre qualquer assunto é bombardeada e pode até “virar meme”. Ou, se não diz nada, aí está “em cima do muro” e não tem opinião própria. A sociedade está cada vez mais polarizada e parece que as possibilidades estão ficando estreitas. Ou é isso ou aquilo. Não há oportunidade de refletir, debater e construir um terceiro caminho. Nesse sentido, no âmbito da política, a situação chega a ser vexatória, com disputas que não levam a lugar algum, quando todos deveriam lutar sempre por um país melhor. Em resumo: está complicado agradar à maioria. Com isso, as pessoas estragam os relacionamentos pessoais e profissionais.

No ambiente organizacional, as polarizações provocam grandes impactos nas relações e, consequentemente, na entrega de resultados, em meio a um cenário cada vez mais competitivo. Como a diversidade está sendo ampliada, integrando pessoas com idades, personalidades e interesses distintos, a empresa se torna uma arena propícia para a geração de conflitos, que, quando bem gerenciados, proporcionam a tão falada inovação. Para isso, no entanto, os colaboradores precisam ter cuidado para não se mostrarem intolerantes – além de ser desagradável, essa atitude distancia as pessoas e ainda irá denegrir a sua imagem e afetar o seu crescimento. Repito que é primordial respeitar a opinião alheia e ter empatia. Com essas atitudes e uma boa liderança, é possível, conjuntamente, construir a mescla de ideias e apresentar um terceiro caminho.

Portanto, posicionar-se é essencial para quem quer ter relevância dentro das corporações. Manifestar a sua opinião, com maturidade emocional, é vital. Porém mais importante do que aquilo que você vai expressar é o modo como vai fazer isso. Em outras palavras, o “como” tem mais valor do que o “quê”. Consequentemente, sua postura mostrará, de fato, quem é você: alguém que sabe transitar entre variados públicos ou alguém que acredita que somente suas ideias são as mais relevantes. Qual imagem você quer passar?

*CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, professor convidado da Fundação Dom Cabral, conselheiro de RH da ACMinas e da ChildFund Brasil | Instagram: @davidbraga e @prime.talent
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