4º ComPública reúne comunicadores de todo o País e reafirma papel da comunicação pública no combate à desinformação
Na última semana estive em Brasília para participar do 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública, o ComPública. O evento aconteceu na Câmara dos Deputados e teve uma relevância histórica, pois integrou as comemorações dos 200 anos da Câmara e marcou os 10 anos de fundação da Associação Brasileira de Comunicação Pública, a ABCPública.
A escolha de Brasília e da Câmara dos Deputados reforçou o sentido de trazer o debate para o centro da vida institucional brasileira, lembrando que não há cidadania plena sem informação de qualidade e diálogo. O número recorde de inscritos confirmou essa importância: foram 2.044 inscritos, de todos os Estados brasileiros, entre profissionais, pesquisadores, gestores públicos, estudantes e representantes da sociedade civil.
Dentre as várias palestras e apresentações que ocorreram durante o Congresso, a que mais me marcou foi a do professor Jorge Duarte, presidente da ABCPública. Ele defendeu a importância da comunicação como constitutiva do funcionamento das organizações e do Estado. Ela é a ferramenta responsável por construir diagnósticos, decisões, normas, reuniões, atendimentos, entre tantas outras coisas. Porém, para que funcione bem, é preciso que se tenha intenção, método e competência.
Para ele, comunicar não é apenas divulgar; distribuir informação não é suficiente; comunicação eficaz busca produzir compreensão e orientar a ação. E o grande desafio que se revela para os profissionais de comunicação pública é como se comunicar com o cidadão no sentido de informá-los e tornar a informação acessível aos diferentes públicos. Pois ler não significa compreender e, com o volume de informações e Fake News às quais somos submetidos diariamente, o grande desafio é fazer com que a informação certa chegue ao cidadão, já que “pessoas desinformadas não participam e, sem participação não há desenvolvimento” – Ladislau Dowbor.
Para reafirmar o papel da comunicação pública como alicerce fundamental na manutenção da democracia, ao final do congresso foi lançada a Carta de Brasília, documento que reafirma algo estrutural: a comunicação pública é indispensável ao exercício de direitos, à confiança nas instituições e à qualidade dos serviços prestados à população. Em outras palavras, não existe democracia plena sem comunicação que informe, inclua e dialogue.
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