Crédito: REUTERS/Ueslei Marcelino

Era esperado, foi anunciado e não faltaram ponderações e advertências. O desequilíbrio das contas públicas, que é antigo, mas se agravou muito nos últimos anos, chegou a um ponto em que começam a faltar recursos mesmo para despesas essenciais. Universidades federais e centros de pesquisas científicas, alguns dos mais renomados e importantes do País, estão nessas condições e já anunciaram que alguns importantes trabalhos correm risco de paralisação ainda neste mês. Igualmente comprometido, para permanecermos exclusivamente nesta área, está o pagamento de bolsas de estudos a centenas de milhares de jovens estudantes brasileiros, no Brasil e no exterior.

Alguém já disse que abandonar a ciência, a pesquisa e a inovação é o equivalente a abandonar o futuro e este parece ser a situação do País. Vamos regredindo, aos poucos, à condição de fornecedores de commodities agrícolas e minerais, sem elaboração e sem valor agregado, com a indústria definhando, num processo de empobrecimento que é evidente.

Treze milhões de desempregados não existem por acaso. Mudar demanda disciplina e racionalidade, num processo de mudanças, de convencimento, que ainda permanece muito distante do necessário e assim permanecerá enquanto o exercício da política não tiver por objetivo o bem comum.

Não é preciso muito para lembrar que o impeachment da então presidente Dilma Rousseff era apontado como uma espécie de renascimento que teria como base o ajuste fiscal, com que se dizia comprometido seu sucessor. Não aconteceu porque prevaleceram os interesses menores e pessoais, distantes de um projeto de Estado. Quase quatro anos foram perdidos e pouco avançamos, certamente muito menos que o necessário, tanto que as finanças do País se encontram, e conforme o próprio governo não esconde, muito próximas de uma situação de colapso, em que não haverá recursos disponíveis nem mesmo para a conta dos funcionários ativos e inativos.

Na esfera pública a realidade é apontada num tom de ameaça e não para apontar a necessidade de mudar e mudar rapidamente, começando por apagar o poder das corporações que sequestraram a renda pública. Cortar privilégios, gastar menos e, sobretudo, gastar melhor, com todos os caminhos tortos devidamente bloqueados. Apesar das promessas da campanha eleitoral ou de diagnósticos apontados com tanta clareza, a tarefa continua por ser cumprida, enquanto questões sem importância alguma são postas à mesa, talvez apenas para confundir.

O fato é que continuamos perdendo tempo e, pior, estamos perdendo o fôlego também enquanto não acordamos e reagimos.