CRÉDITO: ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

Minas Gerais, tal e qual a maioria dos estados brasileiros, enfrenta dificuldades financeiras que o colocam bem próximos de uma situação de colapso. E não tem perspectivas, no curto prazo, de reverter esta situação, que é fruto do desequilíbrio entre receitas e despesas, agravadas pela má qualidade dos gastos associada à má qualidade da gestão. Será simplismo debitar a este ou aquele governo, a esta ou aquela corrente política, a responsabilidade pelo que ocorre, na realidade a soma final de erros e distorções que foram acumuladas ao longo de décadas e parecem chegar a uma situação limite.

Essencialmente, consta-se que é preciso mudar, fazer diferente e fazer melhor e o governador Romeu Zema reconhece não só a fragilidade da situação financeira do Estado como aponta o caminho das mudanças em várias frentes e começando da simplificação, que significa também, tanto na esfera pública quanto na privada, fazer mais com menos. Parece ser de fato a saída possível, não temos por que duvidar, apontando também que, em havendo de fato mudança de hábitos, capaz de abrir um amplo leque de oportunidades.

Um bom exemplo dessa perspectiva é o recém-lançado catálogo de obras inacabadas, paralisadas por falta de recursos e que o governo do Estado pretende retomar mediante mobilização de deputados federais e estaduais, aos quais está sendo solicitado que apontem nesse catálogo as obras que deverão receber, por escolha do parlamentar, verbas de emendas de sua alçada. Para pôr de pé esqueletos que consumiram recursos públicos e, abandonados, representam apenas prejuízos, o Estado imagina que serão necessários recursos da ordem de R$ 800 milhões e acredita ser possível cobrir esse valor da maneira proposta. Do “pacote” fazem parte obras rodoviárias, escolas, centros de saúde, infraestrutura urbana e investimentos na área de segurança pública.

A estratégia faz todo sentido e não apenas significa a possibilidade de concluir obras que são importantes para o Estado e podem trazer benefícios indiretos como o aumento da oferta de empregos. É também relevante apontar que ajudaria a melhorar – possivelmente muito – a qualidade dos gastos, evitando a dispersão no que toca à aplicação dos recursos vindos de emendas parlamentares. Dessa nova atitude também se beneficiariam os próprios parlamentares, numa demonstração mais robusta de identificação com os reais interesses públicos e de uma coesão que, tendo faltado, sacrificou Minas Gerais em larga medida, ajudando a explicar os problemas hoje enfrentados. E mudar, no caso, significa também retomar um protagonismo que tem feito muita falta, inclusive ao Brasil.