Crédito: Renan Silva/Flickr

Ano novo, vida nova. Assim espera a maioria dos brasileiros, confiando que o Estado seja menos perdulário e seus agentes mais comprometidos com tudo aquilo que, de fato, represente o interesse coletivo. Tudo isso, claro, a partir de mudanças de comportamento para além da retórica, em que a correção e a ética deixem de ser vistas como virtude e passem a ser percebidas como a primeira das obrigações dos que se ocupam da gestão pública, com a ambição exclusiva de servir, fazendo o melhor. Talvez mais próximos da utopia que da realidade, a virada do ano, com tantas reafirmações de bons propósitos, de qualquer forma nos sugere alargar a visão, buscando horizontes mais claros para então enxergar o futuro que nos vem sendo roubado.

O ano de 2020, na perspectiva da economia e, portanto, das condições de vida da maioria dos brasileiros, deverá ser melhor, dizem estudiosos respeitados, mesmo apontando que ainda não é possível perceber o momento em que, pelo menos, teremos nos recuperado da queda sofrida nos últimos anos. A tarefa demanda um esforço gigantesco, combinando gestão eficiente, foco e agilidade, num contexto de estabilidade política. Assim entendem aqueles que observam atentos, com maior ou menor grau de confiança, mas preferindo esperar que venham sinais mais claros.

Um deles, sem dúvida, a tão aguardada e adiada por mais de três décadas reforma tributária. Para o governo atual, a primeira e mais urgente das tarefas para o ano que está começando e precondição para que o processo de recuperação da economia, com forte retomada de investimentos, ganhe consistência, permanência e velocidade. Algo perfeitamente possível em um ambiente em que, fossem outras as condições de gestão pública e, consequentemente, também outro o ambiente oferecido a investidores, inclusive no que toca à segurança jurídica e à estabilidade política, o único esforço seria colocar em primeiro plano tudo que é favorável, em condições melhores que aquelas observadas na maioria dos países.

Sim, é possível; nós podemos, não estamos pedindo muito, absolutamente não nos encontramos no terreno da utopia. Tampouco nos sentimos animados apenas pelo momento, pelas condições mais presentes nesse período do ano. Enxergamos e apontamos uma realidade que está ao nosso alcance, ao mesmo tempo apontamos oportunidades perdidas, negligenciadas, ao longo de séculos em que preferimos esperar a tomar as rédeas da construção de nosso próprio futuro.

Este sentimento e essa crença suportam nossa confiança em que 2020 será melhor, que o futuro nos cabe construir.