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Crédito: REUTERS/Diego Vara

Tilden Santiago*

Jornalistas e enfermeiros, além de homossexuais, apanharam nas ruas recentemente de alguns bolsonaristas. Sendo jornalista, não posso deixar de analisar o lamentável fato para democratas, equilibrados e equilibristas e repudiá-lo veementemente. Apesar de dizer uma senadora que as notas de repúdio já não fazem mais efeito naqueles que desconhecem os limites na vivência social e cidadã.

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A análise da psicóloga da USP Vera Iaconelli, excelente discípula de Freud, me ajudou a entender os crimes divulgados na mídia nacional e internacional.

Segundo ela, trata-se de “bebezões violentos e transloucados, pit bulls com os pais que amam – e poodles com os amigos, novos ídolos da vez”. (Folha de SP 05/05/2020).

E a psicóloga explica melhor a sua metáfora: “São sujeitos que não bancaram a crise do fim da infância, que chamamos de adolescência e tampouco se tornaram verdadeiramente adultos. Eles se tornarão velhos e, ainda assim, correrão atrás de mitos, batendo nos oponentes – sejam enfermeiros ou jornalistas – como bebezões violentos, transloucados”. Inclusive acrescentaria que eles assim se comportam sob o olhar tranquilo de seu “mito”, com quem convivi por 3 mandatos (12 anos) no Congresso Nacional.

Psicanalistas, cartunistas, humoristas, filósofos, antropólogos, artistas, têm feito observações interessantes e perspicazes sobre o Brasil que estamos vivendo. Fui brindado, na semana passada pelo psicanalista Jésus Santiago com um texto privilegiado de um professor também da USP, Márcio Sotelo Felipe, filósofo e jurista, que complementa a metáfora de Iaconelli, focando, mas como “antropólogo”, o povo brasileiro, especialmente, o terço de sustentação de Bolsonaro. Segundo ele, o Brasil levará décadas para compreender a eleição do presidente e o apoio desse terço da população.

No seu entender, Bolsonaro está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições de 2018. O título do seu texto fala pelo artigo: “O Jair que há em nós”.

Pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, Sotelo Felipe é incisivo em afirmar: “Bolsonaro é a expressão bastante fiel do brasileiro médio, o retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política, que caracteriza o típico cidadão de nosso país”.

Como cientista social, ele abandona a imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro afável, alegre, brincalhão, receptivo, acolhedor, criativo, solidário, divertido e malandro. E opta por uma versão mais obscura e, a meu ver, mais realista.

O brasileiro médio seria pelas suas pesquisas de antropólogo, “preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência), racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto”. Algo a se pensar para o indivíduo brasileiro médio ou para o conjunto da nação.

Admite ele que avanços civilizatórios chegaram ao Brasil. Até se materializaram em legislações e políticas públicas. Mas não conseguiram nossos avanços erradicar padrões culturais indesejáveis de comportamento e seus valores negativos arraigados, como erva daninha, que a gente da roça chama de “tiririca”, difícil de liquidar com a enxada e que se propaga com facilidade pelo terreno onde se cultiva.

O antropólogo dá nome aos bois, explicitando as ervas daninhas: “machismo, racismo, preconceito face aos pobres, nordestinos, homossexuais e mulheres… o brasileiro médio, com tantos preconceitos reprimidos (Iaconelli), a duras penas escondidos, viu em um candidato à Presidência da República, uma possibilidade de estravasamento… alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um cidadão comum”.

A psicanalista e o antropólogo nos ajudam, os democratas e sensatos, não a aceitar, mas a entender a violência atual contra jornalistas e enfermeiros. E protestar com veemência! A quarentena, tempo de reflexão, autocrítica e renovação, nos convida a nos interrogarmos se somos o adolescente bebezão da psicóloga ou o brasileiro médio do antropólogo ou se nadamos nas ondas benfazejas dos avanços civilizatórios que beijaram as praias brasileiras.

*Jornalista, embaixador e sacerdote itinerante

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