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Ziv Barzilay *

Provavelmente a melhor forma de se avaliar o grande impacto de um novo produto ou serviço seja quando ele se transforma em um verbo. De acordo com o dicionário de Cambridge, a definição para “mudar o mercado de um serviço por meio da introdução de uma forma diferente de comprá-lo ou usá-lo, especialmente utilizando a tecnologia móvel” está associada ao novo verbo “uberizar”. Algo que era inicialmente apenas um serviço de táxi, agora entra em nossos dicionários como definição de todo um modo de fazer negócios.

O Uber figura regularmente na imprensa e no topo dos feeds de notícias. Em 2018, a empresa estava testando um veículo autônomo que atingiu e matou um pedestre no Arizona, EUA, forçando a empresa a declinar a iniciativa. Não surpreende que a tragédia tenha gerado manchetes e notícias nas principais mídias de comunicação, com pedidos para que a companhia deixasse de lado por tempo indefinido o seu programa de veículos sem motoristas.

Apesar disso, um ano depois, os carros que dirigem sozinhos ainda estão em destaque na agenda de novas tecnologias, com sua evolução sendo uma questão de “quando” e não de “se”. De fato, o Uber já está trabalhando em recursos que podem ser integrados ao seu projeto de  “táxi autônomo”.

Embora ainda pareça extraordinário que possamos chamar um veículo ao mero toque de um botão, o Uber – como qualquer grande empresa de ruptura – está olhando além disso e movendo-se para a próxima inovação: carros sem motoristas capazes de monitorar os sinais vitais do passageiro, para poderem se adaptar ao estilo de viagem de cada pessoa. Dado o avanço em que a empresa se encontra, por que isso não se materializaria? De fato, como consumidores, nós esperamos isso, afinal, quem nunca viu a expressão “vamos pegar um Uber” tornando-se uma linguagem comum entre pessoas que deixam um bar em uma sexta-feira à noite, procurando o caminho de volta para casa?

A rápida evolução da tecnologia acontece simultaneamente à expectativa do cliente. À medida que a Uber inova, elevando o nível a um compasso acelerado, as empresas que oferecem serviços precisam acompanhar esse ritmo estabelecido pela Uber ou correm o risco de ficarem para trás. Este novo nível avançado de serviços da Uber conquistou o consumidor e agora está impactando outras verticais.

Sou um observador entusiasta do efeito Uber no serviço, e as empresas podem aprender muito com o pioneirismo da Uber em sua abordagem de atendimento ao cliente. Porém, para uma grande parcela das organizações adotarem a mesma abordagem, é fundamental serem mais flexíveis, tarefa dificultada pelas operações históricas enraizadas, que compõem o desafio de iniciar uma mudança cultural.

Todo mundo está falando, mas não caminhando. No que diz respeito à execução, é preciso lidar com o custo operacional: prover uma experiência diferenciada ao cliente deve ser algo lucrativo e não que cause aumento de custos. O equilíbrio entre esses dois lados torna-se complexo porque é necessária uma completa transformação nos negócios. As organizações precisam inovar e automatizar muitos processos. É uma ruptura completa.

A aplicação do modelo Uber a uma estratégia de serviços já estabelecida é difícil, então personalizar a experiência do consumidor é um bom modo de começar. Isso criará uma experiência memorável que vai fidelizar o cliente. Falar sobre uberização é ressaltar a experiência promovida. Por exemplo, o carro é geralmente novo, cheira bem e o motorista é educado. Não há troca de dinheiro para que você possa entrar e sair mantendo sua privacidade. Você pode até usar o Spotify no carro e tocar sua própria playlist. Ou seja, eles estão tocando seus ouvidos, seus sentidos, então trata-se de uma experiência muito sensorial. Por isso, quanto mais você personalizar, mais mostrará ao cliente que se importa; e quanto mais você personaliza o serviço, mais aumenta sua participação neste mercado e fideliza clientes leais.

“Ainda” é uma palavra importante neste contexto. O serviço está definido no caminho da uberização e não há como voltar atrás. As organizações perceberão que essa é a única estratégia a seguir para atingir o pico de eficiência e, dentro de dez anos (se não antes), todo o gerenciamento do serviço estará operando dessa maneira. É hora de parar de falar e começar a caminhar. Mas, dada a taxa de inovação executada pela Uber, correr talvez seja a melhor opção.

*Diretor de Marketing de Produto da ClickSoftware