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O peso da economia

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Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

Enquanto a política começa a dar os primeiros passos na direção das eleições do ano que vem, os eleitores preferiram tomar outro caminho. Longe dos conchavos dos corredores de Brasília, a população brasileira sente os efeitos dos desacertos em nossa economia e dos solavancos inflacionários que corroem o poder de compra dos salários. Mais do que a guerra política, estaremos diante de um pleito em que o bolso do eleitor falará mais alto que qualquer pauta de costumes ou movimentos anticorrupção.

A alta da inflação é o principal sintoma do desequilíbrio econômico pelo qual passam as contas públicas. A inflação de setembro chegou a 1,16% e estamos diante de mais um recorde do IPCA para o mês desde o início do Plano Real em 1994. O acumulado em 12 meses bate em 10,25%. O poder de compra do brasileiro está sendo corroído pela inflação. Uma fatura que será cobrada nas urnas.

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Nosso País há tempos mostra que patina de forma intensa em termos de crescimento. A chamada “Década do Brasil” foi um retumbante fracasso. Em 120 anos nunca crescemos tão pouco como nos últimos dez anos, com o Produto Interno Bruto (PIB) médio de 0,3%. Em 2022 não será nada diferente. Teremos o menor crescimento da América Latina segundo o Banco Mundial. Só não estamos atrás de Cuba e Venezuela, uma vez que nem dados confiáveis possuem. Brasil segue atrás de Honduras, Paraguai e até Suriname.

Usado para medir a confiança na economia, o risco-país fechou o mês de setembro em 204 pontos, disparando 17,9%. O dólar avançou a R$ 5,44 (+5,4%). O Ibovespa recuou 6,57% no mesmo mês. Estamos diante de índices econômicos preocupantes que deixam claro o tamanho do problema que temos diante de nós. De nada adiantam discursos se os números mostram o drama econômico que se espalhou entre os brasileiros.

Os aumentos se espalham por todos os setores. Pelo menos 75,9 milhões de casas e empresas terão algum aumento na conta de luz antes da eleição de 2022. Isso equivale a 84% dos clientes do Brasil. Somando isto ao possível racionamento e a crise hídrica, o potencial eleitoral de qualquer governo derreteria. As pesquisas deixam claro este fenômeno. A impopularidade bate em níveis assustadores.

Já foram nove aumentos semanais consecutivos dos combustíveis. Motoristas de aplicativo gastam mais da metade do que ganham nas corridas para abastecer o carro. A proporção era de 20% em 2017, mas cresceu com a alta dos combustíveis. Resultado: muitos deixaram de trabalhar por aplicativos. Enquanto isso, o preço do gás levou muitos brasileiros voltar a cozinhar em fornos à lenha. Estas são realidades que cobrarão seu preço eleitoral.

Erram aqueles candidatos que colocam a política e as alianças diante da economia. A situação é grave e o eleitor quer soluções para o desemprego, pandemia e alta de preços. Diferente de 2018, a pauta não é mais renovação ou movimento anticorrupção. Os brasileiros querem trabalho, saúde e estabilidade. Quem souber mostrar que sabe o caminho para resgatar o País da situação atual sairá muito na frente. Chegou o momento de segurança e experiência. O brasileiro cansou de bravatas, aventuras e experimentos.

*Presidente da Fundação Liberdade Econômica. Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal. Cientista Político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos, Espanha | marciocoimbra@gmail.com
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