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Opinião

Os carros elétricos vão acabar com os combustíveis fósseis?

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Apesar de os holofotes estarem voltados para a questão do aquecimento global e para os perigos que envolvem o clima, os combustíveis fósseis ainda estão longe de deixarem de ser utilizados. A declaração emitida no último dia 10 de novembro na COP 26 deixa uma mensagem clara: o mundo está se preparando para uma revolução no setor automobilístico. Porém, a segunda versão do rascunho para relatório final da reunião atenuou a cobrança pelo fim de subsídios aos combustíveis fósseis, desde que os países que continuarem usando consigam deter parte do dióxido de carbono emitido. Isso significa que dificilmente apenas a chegada dos carros elétricos vai acabar com esse tipo de emissão. Entretanto, significa um grande avanço na redução.

Porém, em contraponto à evolução clara do setor no mundo, o Brasil não deixou uma posição esclarecedora sobre o assunto no evento, nem mesmo assinou o documento. Como um país, que é produtor de matéria-prima para a indústria da eletromobilidade, pode não ver esse passo como uma oportunidade?

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É claro que devemos destacar a decisão independente de nossas cidades, inclusive as mais conhecidas, São Paulo e Rio de Janeiro, de assinarem o documento. Esse passo não é uma fórmula vazia, mas o nosso País ainda precisa avançar na estruturação para o segmento. O sinal claro dessa mudança iminente está na empresa Lucid, que disparou na bolsa nas últimas semanas, superando até mesmo a tradicional Ford, ou podemos falar também do sucesso da Rivian, sem falar da famosa Tesla.

O mundo já não é igual ao que vivemos no passado, com cada vez mais tecnologia ao nosso redor e, até mesmo, com o debate sobre o metaverso e a inteligência artificial, onde não podemos nos apegar a veículos que seguem o mesmo modelo desde os períodos fordianos. Precisamos de renovação imediata e nosso País tem o potencial de estar ao lado de grandes Estados, como um receptor de todo esse investimento que virá para a eletromobilidade.

Porém, mais uma vez faltam sinais claros, posicionamentos que façam com que nós possamos derrubar a principal barreira que impede o crescimento do segmento no Brasil: a ação dos governos (federal principalmente, mas também o estadual e municipal). Se queremos que o brasileiro passe a ver a eletromobilidade como alternativa viável, precisamos de ações imediatas, não apenas dos estados e das cidades, como vimos na COP 26, mas de nosso País como um todo.

Em estudo recente publicado pela montadora Volvo, vemos que os países que mais se beneficiaram dos carros elétricos são aqueles que têm a matriz energética primordialmente formada pela energia limpa, como é o caso do Brasil. Outro levantamento recente mostra o potencial do nióbio de proporcionar mais capacidade para os veículos elétricos. Porém, sem ações veementemente concisas, esse planejamento pode nunca sair do papel em terras tupiniquins. O que seria, obviamente, um desperdício de potencial de alavancagem econômica e financeira para nossa população.

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Além dos danos para o meio ambiente, o Brasil hoje vê o preço dos combustíveis cada vez mais caros para o consumidor final. No Reino Unido, em setembro, uma pesquisa realizada pelo Carwow mostrou a clara relação entre a escassez dos combustíveis fósseis com o aumento da pesquisa sobre carros elétricos, que são claramente mais econômicos. Imagina se iniciativas tivessem sido tomadas para que os preços dos carros elétricos em nosso País não fossem tão exorbitantes? Possivelmente hoje viveríamos outro momento.

O certo é que a COP 26 se encerrou com um posicionamento correto em muitos aspectos, principalmente quando falamos que poderemos diminuir definitivamente o impacto da mobilidade urbana por meio de modelos não danosos à camada de ozônio. Mas, ao mesmo tempo em que a sustentabilidade no mundo tem motivos para comemorar, nós no Brasil ainda precisamos aprender, planejar e trabalhar, para melhorar nossa estrutura e nos preparar para o futuro inevitável.

* Sobre o autor: Sócio-fundador da Elev
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