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ISABELA CAPELÃO*

Não é de hoje que as empresas buscam aumentar a sua produtividade. Com o fenômeno da globalização a partir dos anos de 1980, os avanços dos sistemas de informação na década de 1990 e a chegada veloz da era digital na última década, os anseios e metas das organizações aumentaram em grau de cobrança. Esse ritmo alucinante (sinal dos tempos) demanda também maior participação e empenho dos trabalhadores nos processos organizacionais. Mas quando tocamos neste ponto, não se pode descartar que humanos não são máquinas e, por isso, a qualidade de vida no trabalho (QVT) é um tema que ganha cada vez mais relevância neste cenário.

O que exatamente pode ser chamado de qualidade de vida no trabalho? Pense no seguinte aspecto: existem sofrimentos psíquicos relacionados à atividade do trabalhador, como o estresse e a ansiedade, que podem estar ligados à rotina laboral devido a uma carga horária elevada, a um alto índice de cobrança pelos superiores, dentre outros fatores externos. Porém, o que interfere consideravelmente são os fatores pessoais, ou seja, a maneira com que o indivíduo lida com as pressões e com as adversidades, que são os fatores estressores e os recursos, habilidades e limitações que possui para enfrentar ou até esquivar de tais situações.

Tudo isso pode ser um grande pesadelo, e o ambiente organizacional, um local de adoecimento. Contudo, quando o trabalhador sente prazer nas funções que desempenha, tem relacionamentos sadios com as pessoas que convive no seu ambiente de trabalho, sente conexão do seu propósito e objetivos de vida com o trabalho que executa, ele se sente valorizado.

Isso tudo influencia na qualidade de vida no trabalho. Este bem-estar também está relacionado em como as empresas focam no cuidado da saúde dos seus colaboradores, de modo a minimizar as chances de acidentes (físicos) e até de reduzir as chances de doenças crônicas ou graves.

Portanto, é fundamental que as empresas se preocupem em equilibrar o bem-estar do colaborador com a melhoria da sua performance e dos resultados. O impacto da QVT é grande, pois influencia na produtividade e na motivação do colaborador, na lucratividade e na competitividade da empresa.

Essa relação entre qualidade de vida e produtividade é tema frequente de pesquisas de mercado e acadêmicas. O mais recente levantamento sobre as melhores empresas para se trabalhar no Brasil, elaborada pela Great Place To Work (GPTW), considerada a maior pesquisa de clima organizacional do País, nos revela este panorama.

Segundo os dados, os aspectos mais bem avaliados no ambiente de trabalho estão relacionados ao sentimento de orgulho daquilo que se faz (93%), das pessoas com quem se trabalha (95%), ou seja, os relacionamentos. Em seguida, o envolvimento dos colaboradores em decisões importantes para a atividade e o ambiente de trabalho (79%). Oportunidade de crescimento e a qualidade de vida aparecem como os principais fatores que aumentam a permanência no emprego (68%). Nota-se que todas as características citadas na pesquisa se referem mais a fatores sociais e humanos do que a fatores financeiros.

Segundo o levantamento, provocadas pela crise econômica dos últimos anos, demissões nas empresas influenciam negativamente no clima organizacional e o turnover impacta, e muito, os resultados financeiros da empresa.

Embora cobranças e pressões sejam inerentes ao exercício laboral, é preciso que as empresas trabalhem os aspectos motivacionais por meio de estratégias para aumentar a qualidade de vida e reduzir o stress; desenvolvam suas equipes e a suas lideranças, de maneira a construírem um ambiente mais positivo e voltado para conquista de resultados.

* Especialista em gestão do estresse, terapeuta e fundadora do Meus Miolos