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Governo estuda reciprocidade contra tarifaço de Trump, e ministros levarão proposta a Lula

Ministros articulam proposta para presidente Lula sobre como responder às novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos
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Governo estuda reciprocidade contra tarifaço de Trump, e ministros levarão proposta a Lula
Foto: Reprodução @TheWhiteHouse

Caso se confirme o novo tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros, integrantes do governo vão recomendar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a adoção de medidas de reciprocidade aos Estados Unidos.

O governo federal pode responder dessa forma a sobretaxas graças a uma lei aprovada pelo Congresso Nacional em 2025, quando o presidente dos Estados Unidos iniciou o ciclo de novas tarifas de importação.

A possibilidade foi mencionada nesta terça-feira (14) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“O processo de reciprocidade foi iniciado no passado. A gente chegou a suspender a tramitação, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás do tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade”, declarou ele.

A gestão Trump deve anunciar até esta quarta-feira (15) se vai ou não aplicar novas tarifas contra o Brasil após uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras. O entorno de Lula avalia que a investigação só foi instaurada para abrir caminho para essas novas tarifas, e dá como certa a imposição das sobretaxas. Autoridades americanas sugerem 25% de tarifas contra produtos brasileiros.

As regras brasileiras permitem sobretaxas a importações, suspensão de acordos e, em casos excepcionais, o bloqueio de patentes e royalties como resposta a medidas comerciais prejudiciais ao Brasil.

Também nesta terça-feira, autoridades brasileiras e americanas tiveram uma nova reunião para discutir o assunto. Os integrantes da gestão Lula reiteraram as críticas à ideia do tarifaço, mas a conversa não mudou as perspectivas da cúpula do governo.

A adoção de medidas de reciprocidade já foi estudada no ano passado pelo governo brasileiro, quando foi anunciada a primeira leva de tarifas de Trump, mas nunca foi implementada.

“O que mais vai importar é o seguinte: temos a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional. E não tenha dúvida. Primeiro vamos tentar negociar. Mas, se não tiver negociação, a Lei da Reciprocidade será colocada em prática. Se ele vai cobrar 50% de nós, nós vamos cobrar 50% dele”, disse Lula à época.

A avaliação que prevaleceu na gestão petista foi de que tarifar produtos americanos aumentaria a inflação no Brasil e reduziria a competitividade da indústria local, uma vez que parte dos componentes usados na produção brasileira tem origem americana. Além disso, negociações reverteram parte das tarifas.

O tarifaço de Trump se tornou um assunto também de política interna, e deverá ser um dos temas mais recorrentes da campanha eleitoral deste ano. O motivo é a afinidade do bolsonarismo, força política adversária de Lula na eleição, com o presidente dos Estados Unidos.

Em 2025, quando anunciou as primeiras sobretaxas, Trump vinculou a medida ao julgamento que viria condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. Além disso, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos, onde trabalha para jogar o governo local contra a gestão Lula.

O cenário permitiu que Lula ganhasse popularidade, recorrendo a um discurso de soberania nacional. Seu grupo político vincula as taxas de Trump ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República contra o petista.

Os aliados do chefe de governo deram ao senador o apelido de Tarifllávio, e buscam enquadrá-lo perante a opinião pública como submisso ao governo americano.

Ao longo da terça-feira, petistas e governistas discutiram como abordar o tema após a provável adoção das tarifas pelos Estados Unidos. A ideia é manter o conteúdo das declarações contra Flávio, aumentando o volume da campanha.

Ainda que deem a adoção de tarifas por Trump como certa, aliados de Lula também debateram nos últimos dias qual tom adotar caso a decisão dos Estados Unidos seja outra.

Outra hipótese ventilada, apesar de considerada remota, seria a de os americanos adiarem a decisão sobre as tarifas. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro tentaria reivindicar para si os méritos, uma vez que pediu ao governo americano que as taxas não fossem implantadas.

Nesse caso, o discurso petista seria o de que os Estados Unidos buscam interferir na eleição brasileira e fortalecer Flávio, e que os integrantes da família Bolsonaro colocam os próprios interesses acima do Brasil.

Conteúdo distribuído por Folhapress

Caio Spechoto e Adriana Fernandes
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