Na TV, Lula reforça legado; Flávio mira modelo de Bukele na segurança

Durante o programa eleitoral Lula revisita trajetória e ataca Flávio Bolsonaro, que foca na segurança pública e busca imagem moderada com núcleo familiar
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Na TV, Lula reforça legado; Flávio mira modelo de Bukele na segurança
Foto: RS/Fotos Publicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o programa eleitoral na televisão desta terça-feira (1º), para revisitar a própria trajetória, apresentar realizações atribuídas ao governo e projetar um novo mandato, antes de encerrar com um ataque a Flávio Bolsonaro (PL) envolvendo o Banco Master. O senador abriu sua propaganda reagindo às críticas do petista, concentrou o bloco propositivo na segurança pública e dedicou parte do horário a construir uma imagem de candidato ligado à família e de perfil mais moderado.

Lula abriu o programa com uma conversa imaginária entre o presidente de hoje e sua versão de 1979. A peça percorreu a trajetória do petista desde o movimento sindical, passou pela redemocratização e pelas eleições presidenciais e terminou projetando uma nova vitória em outubro. “Vai ganhar uma, duas, três eleições para presidente e vamos ganhar mais uma”, diz Lula ao personagem de seu passado.

A retrospectiva foi seguida pelo jingle “Era só mais um Silva”. Depois, Lula disse chegar à disputa “mais forte e mais preparado do que nunca”, enquanto a campanha listou realizações atribuídas ao governo na economia, emprego, educação, saúde e proteção social. Também voltou a defender o fim da escala 6×1 sem redução salarial e destacou políticas direcionadas às mulheres.

A propaganda apresentou ainda Lula como alguém que enfrenta “os poderosos” e o “sistema de privilégios”, citando a ampliação da isenção do Imposto de Renda, a cobrança sobre os mais ricos, a Operação Carbono Oculto e medidas contra plataformas digitais. A primeira-dama Janja da Silva também apareceu em um apelo às mulheres, acompanhado pelo jingle “Tapete Vermelho”.

No fim, a campanha partiu para o confronto direto com Flávio ao explorar o caso Banco Master. A propaganda acusou o senador de ter buscado recursos com o banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro (PL) e encerrou classificando-o como “o pior dos Bolsonaros”.

Flávio começou seu programa justamente reagindo à ofensiva petista, embora não tenha respondido especificamente ao episódio do Master no trecho exibido. O senador afirmou que Lula o ataca para, segundo ele, desviar a atenção dos problemas enfrentados pelo governo.

“Toda vez que você vê o Lula falando mal de mim, é porque ele não tem como explicar o mal que ele está fazendo para você”, disse. A propaganda retomou o conceito de “Brasil Real” e citou a criminalidade e o endividamento das famílias como problemas que, na avaliação da campanha, não são respondidos pelo presidente.

A segurança pública concentrou a principal proposta apresentada por Flávio. O candidato mostrou uma passagem por El Salvador e a reunião com o ministro da Justiça do país, Gustavo Villatoro. Disse que pretende classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas no primeiro dia de um eventual governo. “Eles é que vão sentir medo de nós”, afirmou.

Na segunda metade do programa, a campanha mudou o foco das propostas para a apresentação pessoal do candidato. Flávio mencionou Jair Bolsonaro, mas dedicou maior espaço à influência da mãe, da mulher, Fernanda, e das duas filhas em sua formação. Fernanda afirmou ter “reeducado” o marido e brincou ao defini-lo como o “Bolsonaro moderado”.

O núcleo familiar também foi utilizado para um aceno às eleitoras. Flávio afirmou ter aprendido com as mulheres de sua família que elas são “fortes de um jeito cuidadoso” e defendeu maior participação feminina. A propaganda passou então à biografia política do candidato, mencionando sua formação cristã, a carreira como deputado estadual e a atuação no Senado, com destaque para a área de segurança pública.

O programa terminou reforçando a tentativa de apresentar Flávio como um candidato de perfil familiar e próximo dos problemas cotidianos dos eleitores.

Augusto Cury (Avante) manteve o discurso contra a polarização. Após uma sequência de referências a reportagens, o candidato apareceu diretamente na tela defendendo que o País deixe de “gritar”, passe a ouvir e busque “curar” suas divisões.

Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, adotou uma propaganda mais diretamente antipetista. A campanha relembrou a atuação do candidato contra invasões de terras, apresentou realizações atribuídas aos seus governos em Goiás, sobretudo na segurança pública, e encerrou com Caiado defendendo “tirar o PT de vez do poder”.

Conteúdo distribuído por Agência Estadão

Gabriel Gonçalves
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