Eleição em MG desafia Lula e Flávio Bolsonaro, e campanhas procuram candidatos a governador
Considerado um estado decisivo para as eleições presidenciais, Minas Gerais se tornou o principal desafio do PT e do PL na montagem de palanques estaduais para o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência.
A dois meses do prazo final para as convenções partidárias, Lula e Flávio ainda não conseguiram definir quem serão seus candidatos a governador no segundo maior colégio eleitoral do país e, agora, testam nomes que antes apareciam como plano B.
Flávio queria cumprir a agenda da semana passada em Minas, que vinha sendo planejada há mais de um mês, ao lado de seu candidato ao governo, mas a ideia acabou frustrada em meio a impasse com o senador Cleitinho (Republicanos).
Integrantes do PL afirmam que o apoio a Cleitinho é hoje a principal aposta do partido e admitem que a candidatura do empresário Flávio Roscoe (PL), recém-filiado, só deve ser lançada caso o senador decida não concorrer.
Um dos articuladores do palanque do PL em Minas, o deputado federal Zé Vitor (PL-MG) diz que não foi possível definir o candidato a governador a tempo do giro de Flávio Bolsonaro pelo estado, mas nega haver prejuízos para a campanha. “O foco agora é estar em Minas, sentir Minas. Este momento exige escuta, presença e construir algo sólido para o país a partir de Minas Gerais”, diz, acrescentando que a chapa de Flávio pode ser lançada futuramente em um bom evento.
Flávio visitou a Megaleite, feira voltada para produtores rurais, foi homenageado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte e participou de um encontro com pré-candidatos do PL mineiro na terça-feira (2).
Na quarta (3), Flávio visitou as obras do Aeroporto de Betim, na região metropolitana, e seguiu para Patos de Minas, no interior do estado, onde acontece a Festa Nacional do Milho, Fenamilho.
Cleitinho ficou em Brasília e não participou da agenda do pré-candidato a presidente. Pessoas próximas ao senador afirmam que, apesar do favoritismo, ele está inclinado a não concorrer. Quando questionado, diz que a decisão será anunciada até julho.
Associado a dois outros pré-candidatos a presidente, o governador Mateus Simões (PSD) foi descartado no mês passado pela campanha de Flávio. Simões foi vice-governador de Romeu Zema (Novo) e é do partido de outro postulante ao Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado (PSD).
Integrantes do PT e do PL em Brasília hoje admitem que a prioridade dos dois partidos não é governar o estado, mas sim construir um bom palanque para Lula e Flávio, respectivamente.
Em 2024, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atualizou os números para as eleições municipais, Minas Gerais tinha 16 milhões de eleitores, atrás apenas de São Paulo, com 33 milhões.
Além disso, tradicionalmente o candidato a presidente mais votado em Minas é vitorioso também no cômputo nacional. A última exceção ocorreu em 1950 -com Getúlio Vargas.
Lula gostaria de inaugurar mais obras em Minas, mas tem evitado viagens ao Estado diante da falta de uma aliança consolidada. Há o receio de declarações ou gestos do petista afastarem grupos políticos que ainda poderiam se associar à candidatura dele à reeleição.
O chefe do governo alimentou por meses a ideia de lançar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como candidato a governador. Pacheco não só não aceitou disputar o cargo, como também decidiu encerrar sua carreira política.
Após sua recusa, o senador chegou a defender o nome do ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares (PSB) como candidato a governador. O movimento incomodou uma ala do PT.
O presidente da República passou a cogitar lançar a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado, como candidata a governadora.
O diretório do partido em Minas defende uma candidatura própria no Estado. Marília Campos, porém, prefere ser candidata ao Senado e aparece nas pesquisas com boas chances de vitória. Diante desse cenário, parte dos aliados do presidente avalia que ele poderá não forçar a candidatura de Marília ao governo.
Para esse grupo, é possível que o candidato lulista a governador seja o empresário Josué Gomes da Silva. Ele é filho do ex-vice-presidente José Alencar, é próximo de Lula e se filiou ao PSB a tempo de concorrer. Ele teve uma conversa preliminar com o presidente do PT, Edinho Silva, na semana passada.
Aliados do presidente da República em Minas ponderam, no entanto, que os negócios poderão demandar a atenção de Josué e atrapalhar uma eventual candidatura. Ele é dono da Coteminas, empresa têxtil que entrou em recuperação judicial. Além disso, há o receio de que a situação atual da companhia seja usada em discursos de adversários políticos para tentar desqualificá-lo perante o eleitorado.
Uma outra possibilidade seria uma aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), pré-candidato a governador. O pedetista, porém, tem demonstrado resistência a uma chapa com Lula.
Kalil foi candidato em 2022 pelo PSD e apoiou o petista. Depois, afastou-se do presidente e se sentiu preterido por ele nos anos seguintes. Também fez uma série de críticas ao PT e ganhou a antipatia dos integrantes do partido no Estado.
No fim de semana, o pré-candidato a governador discutiu o assunto com Edinho, responsável por negociar alianças políticas em nome de Lula. Interlocutores relataram à reportagem que a conversa melhorou o clima das negociações, mas foi inconclusiva. Kalil disse a Edinho que, se não for possível uma aliança no primeiro turno, apoiaria Lula no segundo turno contra Flávio.
O ex-prefeito planeja se colocar como uma terceira via na disputa pelo governo estadual. A cúpula do PDT, porém, trabalha para que a aliança com Lula seja concretizada. A avaliação é de que o país está polarizado e que uma terceira via ficaria esmagada entre o lulismo e o bolsonarismo.
De acordo com petistas a par das conversas, há dois principais obstáculos para a aliança. Primeiro, a preferência inicial de Lula por Pacheco teria aprofundado em Kalil a percepção de que foi preterido. Segundo, porque agora o tempo até as convenções partidárias, quando as candidaturas são definidas, está ficando curto.
Em reuniões com petistas, Edinho tem insistido para que se considere uma aliança com Kalil, sob o argumento de que a rivalidade com bolsonarismo fará com que se reaproximem.
Internamente, Marília Campos tem defendido uma chapa com o pré-candidato a governador e ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB). Azevedo e Edinho conversaram sobre a possibilidade de aliança na última semana.
(Conteúdo distribuído por Folhapress)
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