CRÉDITO: ALISSON J. SILVA

Marcelo Souza e Silva é candidato à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) pelo Patriota. Bacharel em administração de empresas e em ciências contábeis é presidente licenciado da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), assumiu o cargo em 2019, mas atua na entidade há mais de 30 anos.

Recentemente esteve à frente do pleito dos comerciantes para reabertura do comércio da Capital durante a quarentena em combate ao novo coronavírus e se afastou da presidência da entidade para concorrer nas eleições deste ano.

Em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, Silva apresentou suas principais propostas de governo, fez duras críticas à atual gestão da cidade, falou sobre economia, gestão pública e desafios.

No campo do desenvolvimento, o candidato propõe o fomento econômico da cidade, por meio de incentivos aos setores de comércio e serviços. Ele também citou os problemas de infraestrutura e sugeriu como saná-los, bem como destacou a intenção de criar círculos virtuosos que promovam geração de emprego e renda. Sobre gestão pública, o candidato falou sobre corte de gastos, modernização de processos e adoção de novas tecnologias. E para o futuro, Silva propõe esforços coletivos para que Belo Horizonte volte a ser uma capital de referência não só no Brasil, mas no mundo.

Como reaquecer a economia da cidade no cenário pós-pandemia?

O grande projeto do meu plano de governo é salvar a economia de Belo Horizonte. Vivemos este momento diferenciado e, na minha visão, a cidade não teve um líder, no caso o prefeito Alexandre Kalil, que conduzisse a situação de maneira correta e eficiente. No primeiro momento preocupamos com a saúde e a prioridade continua sendo a de salvar vidas e criar uma estrutura para isso. Mas o que a gente viu foi um prefeito autoritário, às vezes desrespeitoso, fazendo com que a cidade tivesse recorde de segmentos fechados por mais de 160 dias. Estes segmentos estão até hoje fechados e dependem de ações que reaqueçam a economia local. Precisamos dar as mãos e a Prefeitura será protagonista neste processo, liderando e convocando a sociedade civil organizada para que valorize as empresas que já retomaram e estão com seus empregados recolocados, mas também para que atraia novos investimentos, voltando a criar um círculo virtuoso na cidade, com geração de emprego e renda. Pretendemos oferecer aos empresários, comerciantes e prestadores de serviço, a oportunidade de recolher menos impostos, sem deixar de lado o princípio da legalidade. Vamos estudar as maneiras de como fazer isso, neste primeiro momento reduzindo o IPTU e outras taxas. Vamos aplicar estas medidas naquelas atividades que realmente foram afetadas, buscando promover um grande movimento de retomada de Belo Horizonte, oferecendo à cidade um ambiente favorável aos negócios.

Como atrair novos investimentos e em quais setores você vê maior potencial?

Primeiro a gente tem que transformar Belo Horizonte em uma cidade acolhedora aos investidores. Muitas empresas querem vir para a capital mineira e a cidade não as acolhe. Temos visto isso nos últimos anos, por que a equipe da Prefeitura não tem um atendimento adequado para quem quer investir aqui. Também precisamos avaliar novamente nossa legislação. Recentemente, aprovamos um Plano Diretor restritivo a muitas coisas. Sem contar o Código de Posturas, que precisa ser atualizado. Estamos vivendo um momento atípico e precisamos agir de maneira diferente também. Precisamos de uma gestão moderna e eficiente, racionalizar os gastos públicos, entender onde podemos melhorar, onde a tecnologia pode auxiliar. Fomentando setores de tecnologia e inovação, da economia criativa, poderemos ir além.

São inúmeros os gargalos na infraestrutura da capital mineira. Como pretende saná-los?

A questão do investimento em infraestrutura em Belo Horizonte é um nó. Nos últimos quatro anos a gente não conseguiu avançar em nenhuma área necessária. Temos agora o Marco Regulatório do Saneamento Básico, que deve nos permitir avançar, talvez até renegociar contratos e fazer uma estrutura melhor. Mas precisamos de uma infraestrutura para deter a os impactos das chuvas, como bacias de contenções, drenagens de ribeirões e córregos; precisamos de infraestrutura de negócios, criar um Centro de Convenções da cidade; sem contar a mobilidade. Assim como em várias outras cidades, temos avenidas com trânsitos engarrafados há anos. Muitas obras que resolveriam estes problemas já possuem projetos prontos, mas precisam ser priorizadas. A modernização do Anel Rodoviário, por exemplo. Não dá para fechar os olhos para ele. Já virou uma via urbana de grande preocupação, porque todos os dias acontece algum problema lá. E as melhorias em transporte público, como metrô e corredores de ônibus nas avenidas Amazonas e Dom Pedro II.

Fale um pouco mais sobre o novo Plano Diretor da Capital.

O Plano Diretor foi aprovado sem diálogo, como é característica desta gestão. Precisamos de um plano que vise o desenvolvimento da cidade. Podemos ter em Belo Horizonte uma atração de investimentos, mas reforçando a sustentabilidade. Para isso, o Plano Diretor tem que ter a convivência das pessoas, mas sem deixar de lado que as atividades essenciais da cidade são comércio e serviços. Se o Plano Diretor não ajudar estes setores a se desenvolverem, não vamos conseguir gerar os empregos necessários, as riquezas necessárias e vamos prejudicar o sustento das famílias. Precisamos incentivar investimentos em áreas que já tenham infraestrutura, caso contrário, podemos prejudicar quem já está ali. Por exemplo, a região Central de Belo Horizonte tem estrutura de saneamento, esgoto, energia, telecomunicações. Está tudo montado para que se possa desenvolver. Por isso, proponho a revisão tanto do Plano Diretor quanto do Código de Posturas, de maneira a ajudar no desenvolvimento da cidade, entendendo sua vocação.

Como a política de desenvolvimento do seu programa de governo leva em conta a questão fiscal?

Belo Horizonte não consegue mais atuar sozinha, por isso, precisamos de ações e tratativas com as cidades do entorno. A Capital perde muitas empresas por causa, principalmente, da questão fiscal. Empresas de tecnologia que façam contratações imediatas podem ajudar a sanar esta questão, ao passo que os recursos dos impostos fiquem no município. Precisamos destes segmentos para fortalecer a cidade. Depois, com responsabilidade e cuidado fazer gradativamente uma redução de impostos. Esta é uma maneira de oferecer melhores condições para quem já está estabelecido em Belo Horizonte e para quem quer se estabelecer, sempre pensando na geração de emprego e na movimentação da economia. Mas comércio e serviços, que são a base maior de arrecadação e de empregabilidade na cidade também precisam ser olhados e, na minha gestão, estes setores terão tratamento especial para que possam crescer e se desenvolver, e também fazer com que outros setores sejam fomentados.

Pensando na gestão da cidade e no tamanho da máquina pública, quais as propostas? Uma gestão compartilhada seria viável?

Temos que ter muita responsabilidade. Um prefeito precisa ter uma equipe capacitada para que possa fazer um bom planejamento e executá-lo dentro do orçamento, resultando em uma gestão eficiente e moderna. A tecnologia auxilia na integração das secretarias e melhora os custos, bem como o atendimento ao cidadão. Temos várias sugestões para fazer neste ponto, mas a principal é que a gestão seja firme, moderna e eficiente. E isso vai muito da vontade política do prefeito em cuidar. Cuidar do orçamento, da aplicação dos recursos e de reduzir custos.

Qual o papel de Belo Horizonte no desenvolvimento do Estado? Como fortalecer o papel de protagonismo da Capital na economia mineira?

É uma via de mão dupla. Belo Horizonte como a capital de todos os mineiros tem um papel importante de receber as pessoas que querem vir a Minas Gerais e conduzir os processos juntamente com o governo do Estado. Neste ano, mesmo com a pandemia, o governo estadual já atraiu para Minas Gerais cerca de R$ 25 bilhões em investimentos. Belo Horizonte tem que aproveitar essas oportunidades e fazer uso de toda infraestrutura de acolhimento que possui. Estamos a uma hora de voo de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, que são as principais cidades que movimentam a economia do nosso País; somos hub de conexões que vão para o Sul e o Nordeste. Precisamos fazer essa movimentação em conjunto. Não apenas com o Estado, mas com a Região Metropolitana e outras partes de Minas. 

Ao longo da última década Belo Horizonte desenvolveu uma política para o fortalecimento da cadeia turística, buscando, inclusive, novas vocações além do turismo de negócios. Qual papel o turismo deverá ter e quais políticas públicas pensa em desenvolver?

Nos últimos dez anos nós todos, governo municipal, estadual e sociedade civil organizada, conseguimos dois títulos inéditos de referência mundial para Belo Horizonte: o título de Cidade Criativa da Gastronomia e da Pampulha como Patrimônio Cultural da Humanidade. Mas isso foi esquecido. O belo-horizontino perdeu a referência. Estes títulos somados à vocação de turismo de negócios são de suma importância. Temos um aeroporto que é referência mundial, que é o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte; temos outro que ainda precisa definir a destinação, que é Aeroporto da Pampulha; temos um excelente centro de exposições, que é o Expominas. Mas precisamos unir todos os setores: hoteleiro, bares, restaurantes e setor de eventos para fomentar toda a cadeia.

Impossível pensar no turismo de Belo Horizonte, sem falar do Carnaval, que ganhou força nos últimos anos. Temos um grande desafio pela frente, em função da pandemia. Como lidar com a situação?

Sou totalmente a favor de realizar o Carnaval em 2021. Mas é lógico que temos que observar todos os cuidados sanitários e também como vai estar o comportamento da Covid-19. Talvez a gente não consiga fazer na época tradicional, mas a gente tem que fazer a festa. Já virou uma referência nacional, traz muitas pessoas e promove um giro econômico muito importante para a cidade. De toda maneira, precisamos fortalecer e cuidar melhor do evento, estabelecendo novas parcerias. A Prefeitura investe dos seus recursos, diretamente, muito pouco, mas indiretamente, possui gastos com limpeza urbana, segurança e estrutura. Mas sou a favor, pela referência que já se criou na cidade.

Se eleito, qual será sua principal inovação? Em que área será?

A tecnologia e a inovação chegaram de maneira muito forte em todos os setores e precisamos trazê-las também para o setor público, melhorando as condições de atendimento ao cidadão. Seja no teleatendimento, na digitalização de documentos, na otimização do atendimento ou na educação. A modernização vai ter um papel fundamental no meu governo. Os próximos quatro anos precisam ser muito bem geridos, com propostas muito bem executadas. Será uma construção conjunta e uma conquista para os belo-horizontinos de uma cidade melhor e moderna.

Por falar nisso, qual o lugar de Belo Horizonte no futuro?

Belo Horizonte precisa voltar a ser referência nacional em vários setores e aspectos. Já tivemos título de Cidade Inteligente do Meio Ambiente, temos o título de Cidade Criativa da Gastronomia, já tivemos destaques na Pampulha. Precisamos retomar essas referências e vamos fazer isso. Para isso, precisamos criar um ambiente favorável e fazer com que estas atividades impulsionem a movimentação econômica da cidade, promovendo desenvolvimento e gerando sustentabilidade. Belo Horizonte vai voltar a ser uma capital de referência não só no Brasil, mas internacionalmente também.

Confira a entrevista na íntegra: