Estudo de revitalização da Lagoa da Pampulha terá aporte de R$ 27 milhões e especialistas da UFMG
Um dos cartões-postais mais emblemáticos de Belo Horizonte, a bacia da Pampulha vai ser objeto de um estudo ambiental com o objetivo de estabelecer soluções para a revitalização da região. Fruto de uma parceria entre o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Projeto Missão Pampulha foi formalizado nesta segunda-feira (13) em um ato que reuniu autoridades, servidores, pesquisadores e estudantes.
Com um investimento de R$ 27 milhões ao longo de três anos, durante o estudo serão executadas 58 atividades por uma equipe que reúne profissionais de áreas da UFMG, incluindo os departamentos de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA) e de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos (EHR), o Instituto de Ciências Biológicas (ICB), o Instituto de Geociências (IGC), a Escola de Arquitetura, entre outros.
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Equipe multidisciplinar investigará qualidade da água e biodiversidade
O projeto mobilizará aproximadamente 343 pesquisadores de diferentes formações (incluindo mestres e doutores), contando com 120 pesquisadores. Entre as atividades está o monitoramento contínuo da qualidade da água da lagoa, incluindo a profundidade, análise de sedimentos, medições de gases e odores, estudo da biodiversidade e riscos à saúde.
A atuação conjunta, segundo o TCE-MG, visa implementar um Sistema de Governança e Gestão voltado à sustentabilidade hídrica da bacia. “Para isso, o acordo conta com a participação dos Comitês de Governança (CG) e de Gestão Integrada (CGI) – para atuação dos órgãos envolvidos – e viabilizará um estudo das causas da poluição e de seus impactos na lagoa”, informa, em comunicado, o órgão estadual.
“Estamos construindo um modelo de governança que valoriza a cooperação entre instituições e a utilização da ciência como fundamento da ação política. Essa experiência poderá se tornar referência para outros territórios e para outras políticas públicas que demandam respostas articuladas e sustentáveis”, destaca o presidente do TCE-MG, Durval Ângelo.
O reitor da UFMG, professor Alessandro Fernandes Moreira, também celebrou a parceria e o papel da instituição de ensino superior no projeto. “A principal missão da universidade é servir à sua sociedade. Hoje, inclusive, somos a universidade com um dos maiores impactos no meio ambiente na América do Sul, segundo o ranking da Times Higher Education”, destaca.
Projeto nasce de auditoria e busca fortalecer a gestão da bacia
A iniciativa responde a uma auditoria operacional realizada pelo TCE-MG, que avaliou as ações de recuperação sob a ótica da governança multinível. O relatório gerou recomendações para a coordenação institucional e o monitoramento das políticas públicas.
O diagnóstico da Bacia e da Lagoa da Pampulha integra o plano de trabalho firmado entre o Estado de Minas Gerais, os municípios de Belo Horizonte e Contagem, na Região Metropolitana (RMBH), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e o TCE-MG.
A Pampulha, que completou 10 anos como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2026 após tombamentos nas esferas estadual, federal e municipal, enfrenta há anos desafios ambientais em sua bacia hidrográfica. O território abrange 96 quilômetros quadrados entre Belo Horizonte e Contagem, abriga centenas de nascentes e impacta, segundo o TCE-MG, 460 mil pessoas que registram os reflexos do crescimento urbano, da degradação e da poluição.
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