Comércio agêntico: entenda como a IA pode transformar as compras no varejo

Agentes inteligentes já começam a pesquisar produtos, comparar preços e concluir transações em nome dos consumidores
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Comércio agêntico: entenda como a IA pode transformar as compras no varejo
Foto: Reprodução Adobe Stock

O comércio agêntico (Agentic Commerce) promete inaugurar uma nova fase para o varejo. Se até hoje as empresas investiram para atrair diretamente os consumidores, a próxima transformação exigirá que também estejam preparadas para interagir com agentes de inteligência artificial capazes de pesquisar produtos, comparar preços e concluir compras em nome dos usuários.

A mudança já começou. No início de 2026, empresas como Google, Shopify e Target anunciaram o Universal Commerce Protocol (UCP), padrão aberto desenvolvido para permitir que agentes de IA interajam com diferentes plataformas de e-commerce. No Brasil, Banco do Brasil e Visa também realizaram a primeira transação totalmente agêntica do País, segundo as empresas. Na operação, um agente inteligente pesquisou, selecionou e concluiu uma compra conforme critérios previamente definidos pelo consumidor.

Nesse novo cenário, o papel do comprador muda. Em vez de navegar por sites e comparar produtos manualmente, o usuário pode informar o objetivo da compra, como encontrar um notebook com determinadas especificações, renovar os itens da despensa ou adquirir uma passagem aérea dentro de determinado orçamento. A IA pode, então, analisar diferentes opções, verificar estoques, comparar preços, conferir avaliações, calcular prazos de entrega e selecionar alternativas de acordo com os critérios definidos pelo consumidor.

Decisão de compra passa pelos dados

No comércio agêntico, a disputa pela atenção do consumidor deixa de depender apenas de campanhas criativas, vitrines atraentes ou anúncios bem produzidos. Agentes inteligentes podem considerar critérios objetivos e informações estruturadas para selecionar e comparar produtos.

Entre as principais informações avaliadas estão:

  • especificações técnicas dos produtos;
  • disponibilidade em estoque;
  • histórico de preços;
  • avaliações de consumidores;
  • custo do frete;
  • prazo de entrega;
  • reputação do vendedor.

Nesse contexto, informações completas, organizadas e atualizadas podem facilitar a identificação e a comparação dos produtos pelos agentes de IA.

Cadastro de produtos deixa de ser tarefa operacional

A qualidade das informações tende, assim, a ganhar importância estratégica. Cadastros com descrições superficiais, atributos inconsistentes ou dados desatualizados podem dificultar a identificação e a comparação dos produtos por sistemas de inteligência artificial.

Nesse cenário, falhas no cadastro podem comprometer a visibilidade dos produtos. Se o agente de inteligência artificial não encontrar informações suficientes para avaliar ou comparar determinado item, o produto pode ficar de fora das opções apresentadas ao consumidor.

ERP passa a ocupar posição estratégica

Com o avanço das vendas mediadas por IA, os sistemas de gestão empresarial (ERP) ganham importância na organização dos dados necessários ao funcionamento do negócio.

Informações sobre estoque, preços, logística, disponibilidade e características dos produtos precisam estar integradas, atualizadas e padronizadas para facilitar a interpretação pelos agentes inteligentes.

Esse processo também pode exigir mudanças na organização das empresas. Áreas como marketing, comercial, compras, logística e operações passam a compartilhar a responsabilidade pela qualidade dos dados que alimentam os sistemas.

Pagamentos também entram na era da IA

Outra frente de desenvolvimento envolve os meios de pagamento. Iniciativas como o programa Visa Agentic Ready trabalham na criação de um ecossistema que permita a agentes de inteligência artificial realizar compras em nome dos consumidores, com mecanismos de segurança, autenticação e regras previamente autorizadas.

Ao mesmo tempo, o modelo traz desafios relacionados à transparência e à confiança. Entre eles estão a necessidade de assegurar que as decisões dos agentes estejam alinhadas às preferências e autorizações dos consumidores e a adoção de mecanismos para reduzir riscos de manipulação nos sistemas de recomendação.

Com o comércio agêntico, dados estruturados ganham importância para que produtos e empresas possam ser encontrados, compreendidos e considerados pelos sistemas de inteligência artificial. Nesse novo modelo, parte da jornada de compra que hoje é realizada diretamente pelo consumidor poderá ser delegada a agentes de IA.

Colaborador

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Diego Costa


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