Azul Linhas Áereas lançou neste ano novas operações ligando Belo Horizonte a cidades como Salvador e Florianópolis - Crédito: REUTERS/Leonardo Benassatto

O voo inaugural da nova rota da Azul Linhas Aéreas ligando Belo Horizonte a Fort Lauderdale – norte de Miami, na Flórida (EUA) -, ontem, promete abrir uma nova fase para o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport), em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Antiga pretensão da cadeia produtiva do turismo da Capital, a rota terá três frequências semanais.

De acordo com o presidente do BH Airport, Marcos Brandão, a grande oportunidade com esse voo é que com ele não está sendo oferecido apenas o destino Fort Lauderdale.

“O voo para Fort Lauderdale representa muito para nós, com o nosso propósito de conectar o Estado com o mundo e essa é mais uma oportunidade de dar um passo em direção a essa meta do aeroporto e de todos que têm nos apoiado. Com esse voo estamos oferecendo não apenas o destino Fort Lauderdale, na verdade, estamos oferecendo uma conexão em Fort Lauderdale para mais de 20 lugares nos EUA. Com este voo e o voo para Orlando, temos, agora, a capacidade de conectar Minas Gerais a mais de 25 cidades ao redor dos EUA. Acho que essa é nossa grande vitória”, explica Brandão.

A parceria com a Azul Linhas Aéreas Brasileiras em 2019 foi profícua. Foram lançados voos que ligam Belo Horizonte a Salvador (BA), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), além das cidades mineiras de Montes Claros (Norte de Minas), Ipatinga (Vale do Aço) e Governador Valadares (Vale do Aço).

Para o vice-presidente de Pessoas e Clientes da Azul, Jason Ward, tirar o foco exclusivo da aviação brasileira de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília é uma estratégia importante para a Azul. E dentro desse objetivo o fortalecimento de Belo Horizonte é um caminho natural.

“Sabemos a importância de voos internacionais para BH, para Minas Gerais ter esse acesso direto sem escalas, sem passar por São Paulo a destinos internacionais. Como temos um hub aqui em Confins e uma parceria muito forte com a BH Airport, isso é importante também para a Azul. Estamos fortalecendo nossos voos para a Flórida. Temos voos diários agora e assim estamos servindo mais 40 cidades sem escalas aqui em quase 100 voos diários. Toda essa alimentação com voos regionais e outros domésticos nos dá uma grande esperança no sucesso desse voo”, destaca Ward.

A mão contrária também deve ser fortalecida a partir da nova rota, com a atração de estadunidenses para Minas Gerais. O objetivo é oferecer o Estado como destino alternativo para os turistas da América do Norte, especialmente após a queda da exigência de visto de entrada para os norte-americanos no Brasil.

“Temos que trazer muitos americanos para cá, para conhecerem Minas Gerais, e muitos brasileiros para visitar e fazer negócios lá também. Uma coisa bem importante foi a liberação do visto de entrada. Tenho muitos amigos, por exemplo, que escolhem um destino também por causa disso. Muito mais americanos estão olhando para o Brasil agora. Estamos muito empolgados para fazer parte dessa história”, afirma.

Expectativa – Para 2020 a expectativa é fortalecer a presença da Azul em Belo Horizonte com novas operações e investimentos em marketing, comunicação e infraestrutura aeroportuária. “Estamos trazendo novos destinos e novas aeronaves, maiores, para atender mais passageiros, pousando em BH, para destinos já estabelecidos. Vamos crescer em BH mais do que a média que vamos crescer em outras cidades onde estamos”, garante o vice-presidente de Pessoas e Clientes da Azul.

SP inaugura 1º aeroporto privado para o segmento executivo

São Paulo – O governador João Doria (PSDB-SP) inaugurou ontem o primeiro aeroporto privado do País voltado à aviação executiva.

“A partir de 1º de março [de 2020] serão 16 aeroportos regionais. É a aviação gerando mais empregos, passageiros, movimento do turismo e movimento de carga”, disse o governador durante a inauguração da pista. “Estamos em 122 países do mundo com a campanha em inglês em todos os canais da CNN. Resultado disso foi que em pouquíssimo tempo já ampliamos em 8% o movimento turístico para SP.”

O aeroporto está localizado numa área de 5,2 milhões de metros quadrados a cerca de 35 minutos da capital paulista, no quilômetro 60 da Rodovia Presidente Castelo Branco. De helicóptero, é possível percorrer o trajeto entre a cidade de São Paulo em cerca de 15 minutos.

O governador, inclusive, utilizou helicóptero para ir à solenidade de inauguração.

Em seu discurso, Doria destacou que o novo aeroporto vai gerar mais de mil empregos diretos e indiretos.

O governador também afirmou que uma das vantagens do novo empreendimento é oferecer para a aviação executiva uma operação que atua por 24 horas por dia, 365 dias por anos.

“São Paulo tem recebido muitos investidores que se queixam da falta de um aeroporto só para aviação executiva, como existem em Nova York e na Flórida”, disse.

Doria afirmou que o Catarina é um passo a mais no processo de desativação do Campo de Marte. “Este aeroporto também ajuda na decisão já tomada pelo governo do estado, pela prefeitura e corroborada pelo governo federal, de desativação gradual do aeroporto Campo de Marte para asas fixas”, disse.

“Em janeiro vamos fazer um cronograma com o ministro Tarcísio Gomes de Freitas [Infraestrutura] para a desativação completa do aeroporto. O formato e o período serão anunciados em janeiro. Ali teremos apenas pouso e decolagem de helicóptero.”

O governador disse ainda que o Catarina, além dos aeroportos de Jundiaí e de Sorocaba, pode atender a aviação executiva de forma ampla, inclusive aquelas feitas por quem a usa para lazer e treinamento também.

A pista do Catarina tem 2.470 metros e é maior que a do aeroporto de Congonhas, na capital paulista, que tem cerca de 1.940 metros. A expectativa é que o aeroporto opere 200 mil pousos e decolagens por ano, incluindo de jatos executivos intercontinentais.

Na cerimônia de batismo da pista, uma aeronave Gulfstream G450 pousou e foi recebido por jatos d’água de um caminhão. Além deste modelo, a infraestrutura do local permite o pouso e decolagem de jatos executivos de grande porte como o Lineage 1000E da Embraer, G650, G600 e G550 da Gulfstream, Global 7500 e 8000 da Bombardier ou os modelos Falcon 8X e 6X da Dassault Falcon Jet.

Com o Catarina, São Paulo passa a receber voos intercontinentais non-stop para cidades como Nova York, Londres ou Paris.

A torre de controle para serviços de tráfego aéreo terá capacidade para a realização de aproximação de aeronaves por instrumentos de precisão.

O empreendimento também conta com o shopping Catarina Fashion Outlet e com o Catarina Corporate Center, com escritórios, numa área total de 7 milhões de metros quadrados.

O projeto, que foi desenvolvido pela JHSF, acabou citado nas acusações contra o ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT-MG) por prática de tráfico de influência no período em que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Pimentel foi condenado no mês passado a mais de dez anos de prisão. O ex-governador é acusado de receber R$ 4,255 milhões para favorecer a JHSF.

A JHSF afirma que não é parte neste processo e que não foi apresentada qualquer denúncia contra a companhia.

“Em 2017, o controlado da empresa celebrou um acordo de colaboração com as autoridades brasileiras, já homologado pelo Superior Tribunal de Justiça, para esclarecimento dos fatos”, diz o comunicado.

José Auriemo Neto, controlador da JHSF, firmou acordo com o Ministério Público, homologado pelo Superior Tribunal de Justiça e pela Justiça Eleitoral de Minas Gerais. Ele teve que pagar R$ 1 milhão para o hospital do câncer de Barretos para que o processo fosse suspenso. Auriemo também está disponível para colaborar sobre o caso mediante solicitação do Ministério Público. Pimentel nega as acusações. (Folhapress)