Foto: Miguel Andrade

As escaldantes temperaturas da primavera mineira de 2020 aliadas à proximidade de Belo Horizonte e sua região metropolitana dão ao Santuário do Caraça, na região Central, o status de destino preferencial de quem quer fugir da Capital para o que ficou conhecido nesse período de pandemia como “turismo de escapada”.

Sem receber por quase quatro meses nenhum hóspede ou visitante, o local teve que se reorganizar para manter os 80 postos de trabalho direto. De acordo com o gerente-geral do Santuário do Caraça, Márcio Mol, foi preciso rever processos, renegociar contratos com fornecedores, implantar protocolos de segurança sanitária, recorrer aos programas do governo que permitiram redução de jornada de trabalho e de remuneração, tudo isso sem deixar cair a qualidade.

“Nossa única fonte de renda para manter o Santuário vem dos turistas e visitantes. Logo de cara vimos nossos custos subirem vertiginosamente pelos novos protocolos e a arrecadação ir a zero. Foi preciso muito estudo e esforço para fazer a conta fechar, sem sacrificar o serviço que oferecemos. Não tiramos sequer uma opção de prato do nosso cardápio. Sabemos da nossa responsabilidade não apenas com os nossos funcionários, mas com toda a comunidade do entorno que tem uma vida muito ligada ao Caraça”, explica Mol.

Em julho, o espaço bicentenário voltou a abrir para os hóspedes, mas apenas com 40% da capacidade. Já os visitantes que vão apenas passar o dia, que nos fins de semana chegavam a 400 pessoas por dia, foram reduzidos a 60. Em agosto, a capacidade foi aumentada para 100 e o número de pernoites subiu para 50% das 87 acomodações totais.

O Santuário do Caraça ficou sem receber por quase quatro meses nenhum hóspede ou visitante | Crédito: Miguel Andrade

Agendamento prévio – A procura tem sido tão intensa que não vale a pena arriscar fazer o passeio sem agendamento prévio. A agenda para o passeio sem pernoite já está lotada até o fim de novembro. Mesmo assim, a saúde financeira do Caraça ainda inspira atenção. A perspectiva é que todo 2021 ainda seja de recuperação.

E não é só o frescor das cachoeiras que encanta os turistas. Além da exuberância da natureza que oferece opções de passeios, caminhadas e escaladas com diferentes níveis de dificuldades, há todo o conjunto histórico-cultural de um dos mais importantes colégios da história do Brasil, reconhecido como Colégio Imperial por D. Pedro II e que formou, entre outros, governadores e presidentes da república.

“Entendemos que a nossa recuperação econômica será lenta. Como uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) temos uma série de obrigações perpétuas e esse trabalho de conservação e preservação não é barato. Confiamos nessa recuperação porque somos um destino único e com uma variedade enorme de possibilidades. Temos desde o turismo de aventura ao espiritual. Da contemplação da natureza à gastronomia mineira produzida legitimamente aqui. Mais de 90% do que e consumido pelos nossos hóspedes é produzido pelo Santuário. Muitas pessoas chegam aqui atraídas por um determinado estilo de turismo e descobrem outras tantas experiências. Nos esforçamos para atender a todos. Se uma data está preenchida, buscamos alternativas. Queremos que todo esse patrimônio seja conhecido e protegido por todos”, completa o gestor.