Pão de queijo é o segundo produto mais vendido nas padarias mineiras; entenda a força desse símbolo de Minas

No Dia Nacional do Pão de Queijo, números mostram como o produto impulsiona a cadeia do leite, do queijo, do polvilho e da panificação, consolidando Minas Gerais como principal polo produtor do país.
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Pão de queijo é o segundo produto mais vendido nas padarias mineiras; entenda a força desse símbolo de Minas
Foto: Reprodução Adobe Stock

Quem vê um pão de queijo saindo do forno dificilmente imagina que, por trás da receita, existe uma ampla cadeia produtiva que faz de Minas Gerais o principal produtor do País. Celebrado em 17 de agosto, o Dia Nacional do Pão de Queijo chama atenção para uma curiosidade que ajuda a explicar essa relação: cerca de dois terços de todo o pão de queijo produzido no Brasil saem de Minas.

Como referência de escala, a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) estima que o País produza 892,5 mil toneladas do produto por ano. O protagonismo mineiro, no entanto, começa muito antes de a massa chegar ao forno.

O queijo faz toda a diferença

O principal ingrediente da receita também ajuda a explicar a liderança do Estado. Em 2025, Minas registrou produção estimada de 9,78 bilhões de litros de leite, e quase metade do leite inspecionado no Estado (48,5%) foi destinada à fabricação de queijos, segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (Silemg).

A estrutura por trás desses números reúne 775 estabelecimentos de laticínios e cerca de 134 mil produtores que fornecem leite para processamento industrial.

“A ampla estrutura da indústria de laticínios contribui para garantir oferta, qualidade e regularidade dos insumos utilizados na produção do pão de queijo, fortalecendo um produto diretamente ligado à identidade, à gastronomia e ao patrimônio cultural e econômico de Minas Gerais”, afirma o presidente do Silemg, Guilherme Abrantes.

Outro dado reforça esse protagonismo: em 2025, Minas liderou a aquisição de leite cru por estabelecimentos sob inspeção, concentrando 23,9% de toda a captação nacional, segundo o IBGE.

Pão de queijo movimenta muito mais do que padarias

A receita tradicional também impulsiona outras cadeias produtivas. O queijo, o polvilho e a mandioca conectam o pão de queijo ao campo e à indústria, gerando demanda por diferentes matérias-primas produzidas no Estado.

Na avaliação do presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Vinícius Dantas, a fabricação do produto fortalece especialmente o setor de laticínios.

“O consumo do queijo é impulsionado pela fabricação do pão de queijo. Isso é muito importante para a indústria de laticínios. O pão de queijo impulsiona bastante a cultura mineira: é o queijo, é o polvilho”, destaca.

A dimensão da cadeia na qual o pão de queijo está inserido também aparece nos números da indústria de alimentos. Em 2025, o setor movimentou R$ 164,5 bilhões em Minas Gerais, equivalente a 11,9% da produção brasileira de alimentos. Ao todo, são quase 7 mil empresas e aproximadamente 247 mil empregos diretos no Estado, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).

Embora a receita mantenha sua tradição, a forma de produzir evoluiu. Hoje, equipamentos industriais ajudam a aumentar a produtividade, enquanto a secagem do polvilho já não depende exclusivamente do clima. Na produção da mandioca, novas tecnologias e pesquisas também vêm ampliando as possibilidades de cultivo em diferentes regiões.

“Para ganhar escala, um dos desafios é a mão de obra. Mas a inovação e a tecnologia têm chegado ao setor, e hoje já temos equipamentos que agilizam bastante a produção”, afirma Dantas.

Ainda assim, energia, logística e mão de obra continuam pesando no custo de produção.

“Como o leite é matéria-prima fundamental, qualquer pressão de custos nessa cadeia pode impactar a indústria de pão de queijo, o comércio e, consequentemente, o preço ao consumidor final”, ressalta Guilherme Abrantes.

Nas padarias, pão de queijo fica atrás apenas do pão francês

A última curiosidade aparece no balcão das padarias. Minas Gerais possui mais de 33 mil empresas ativas no segmento de panificação e confeitaria, segundo levantamento da Abip.

Em muitos estabelecimentos mineiros, o pão de queijo ocupa a segunda posição entre os produtos mais vendidos, ficando atrás apenas do pão francês. Mesmo sendo um clássico, ele continua se reinventando: versões recheadas, diferentes tamanhos, novos formatos e até waffles ampliaram as possibilidades de consumo ao longo do dia.

“Os aumentos de insumos sempre são desafiadores, mas a tradição do pão de queijo segue firme. Com vários formatos e combinações, as padarias conseguiram trazer o pão de queijo para vários momentos de consumo. E a tecnologia trouxe padronização e produtividade”, afirma a presidente da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Rita de Cássia de Miranda Gonçalves.

A praticidade também ajudou a consolidar esse espaço. O pão de queijo congelado pode ir direto ao forno, sem precisar de descongelamento prévio.

“O pão de queijo tem uma facilidade muito grande. Você tira do congelamento e faz o cozimento direto no forno. Os demais produtos, geralmente, precisam ser descongelados para depois receber o cozimento. Isso facilita bastante o processo e ajuda a explicar a aceitação no mercado”, explica Vinícius Dantas.

Mesmo com as mudanças nos hábitos alimentares, o vínculo entre o consumidor e o pão de queijo continua atravessando gerações.

“Mesmo com a mudança nos hábitos alimentares, o pão de queijo continua fazendo parte do consumo, pois ele significa tradição, que é passada de geração para geração”, conclui Rita de Cássia.

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