Em Minas, houve melhor remuneração, mas setor alega trabalhar sem lucro - Foto: Ronaldo Ronan Rufino

Após pelo menos quatro anos de negociação, a Índia anunciou a abertura do mercado para a carne suína e produtos cárneos de suínos produzidos no Brasil. O anúncio da abertura, feito na última terça-feira pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, aconteceu em um período crítico da suinocultura, que vem trabalhando com custos elevados e preços abaixo do necessário para garantir renda aos produtores. Com a possibilidade de ampliar as exportações, as expectativas são positivas, principalmente pelo fato de a Índia ser um dos países mais populosos do mundo e com consumo de proteína crescente.

A oportunidade de exportar para a Índia foi comemorada pelo setor. Além de atestar a sanidade e a qualidade da carne suína produzida no Brasil e em Minas Gerais, a possibilidade de expandir e diversificar os embarques de carne suína é uma forma de regularizar a oferta no mercado interno e promover a recuperação dos preços.

O presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), Antônio Ferraz, ressaltou a importância da abertura de mais um mercado para a carne suína.

“Essa, na realidade, é a primeira e melhor notícia do ano para a suinocultura. A abertura de um novo mercado é sempre importante. O mercado da Índia é muito promissor, esperamos que as plantas a serem credenciadas para exportar sejam reconhecidas de forma imediata. A partir de agora, esperamos somente notícias boas para o setor. Estamos caminhando para o quarto trimestre do ano, período em que o consumo de carne suína é estimulado pelas festas e o retorno para o suinocultor é mais favorável”.

Ainda segundo Ferraz, a tendência é de que as exportações para a Índia contribuam para reduzir a oferta de carne suína no mercado interno, o que é importante para a recuperação dos preços pagos pelo suíno vivo. Ainda que na última semana tenha ocorrido uma pequena elevação dos preços pagos pelo suíno vivo, de R$ 3,90 para R$ 4,10, o setor ainda trabalha sem margem de lucro.

“Os preços estão reagindo tanto em Minas Gerais quanto em nível nacional. O quilo do suíno vivo está sendo negociado, no Estado, em média, a R$ 4,10, mas continuamos com os custos acima deste valor. A tendência é de novas altas e nossas expectativas são muito boas. Além do período tradicional de maior consumo, as exportações vão contribuir para equilibrar a oferta no mercado interno e para a retomada dos preços”.

Valor agregado – Para a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, a abertura de mais um mercado é importante para potencializar a produção.

“A abertura de mercado é sempre oportuna por potencializar nossos produtos e gerar renda para os suinocultores e para o País. Além da consolidação de mercado, a abertura de novas oportunidades de comércio internacional atesta a nossa defesa sanitária e desperta o olhar de outros países para a nossa produção. A carne suína tem qualidade e tem incremento tecnológico aplicado. Outro ponto que vale ser destacado é que ao exportamos a proteína animal, estamos vendendo um produto com valor agregado, que são o nosso milho e a soja destinados à pecuária”.

Aline destaca que a Índia é um país emergente, onde a demanda por produtos industrializados e diferenciados é crescente. “A relação com a Índia pode permitir a exportação de outros produtos também. É uma relação econômica importante”, explicou.

Sanidade – Em comunicado enviado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o presidente da entidade, Francisco Turra, ressaltou a importância do status sanitário nacional para a abertura do mercado indiano e de outros, uma vez que vários países produtores de carne suína enfrentam problemas com enfermidades.

“Se por um lado é uma vitória para o Brasil, por outro, é o reconhecimento da capacidade brasileira de ofertar produtos com excelência acerca da qualidade dos produtos e do preservado status sanitário, especialmente neste momento em que diversas nações produtoras sofrem com incontáveis focos de peste suína africana”, analisou o presidente da ABPA.

A representante da Faemg, Aline Veloso, destaca que a preservação do status sanitário é fundamental para que o Brasil consiga abrir novos mercados. “Mais uma vez, a cadeia produtiva precisa estar bastante atenta à sanidade. Estamos em um momento em que vários países produtores enfrentam problemas com a peste suína africana e nosso status sanitário é positivo. A estruturação do nosso fundo privado de defesa sanitária e a contribuição por parte dos produtores é fundamental neste momento, para que possamos galgar novos mercados a partir da nossa qualidade e sanidade”, explicou.