Empresariado sai em defesa das reformas

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Empresariado sai em defesa das reformas
A necessidade das reformas da Previdência e tributária foi a tônica da solenidade realizada pela Fiemg - Crédito: MARA BIANCHETTI

A solenidade de comemorações do Dia da Indústria, realizada anualmente pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), foi marcada por discursos a favor das reformas estruturantes a serem realizadas no País. Representantes de importantes setores produtivos condicionaram a recuperação da economia à aprovação de mudanças nos sistemas previdenciário e tributário brasileiros.

A começar pelo anfitrião, presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, que questionado sobre a retração de 5,2% no faturamento da indústria mineira no primeiro trimestre, disse que uma vez aprovada a reforma da Previdência, os números do segundo semestre poderão ser melhores. Segundo ele, dada a conjuntura econômica, o resultado poderia ter sido ainda pior.

“No atual momento, há a expectativa de retração de 7% no PIB (Produto Interno Bruto), muito em função das consequências do ocorrido em janeiro com a barragem da Vale em Brumadinho. Mas a aprovação desta e de outras reformas muda todo cenário e as perspectivas econômicas”, disse.

O presidente da Federação também citou as reformas tributária e trabalhista como importantes componentes de qualquer quadro de recuperação. “Juntos, estes mecanismos poderão elevar a potência do PIB pelos próximos 30 anos”, completou.

Governador – Da mesma maneira, o governador Romeu Zema (Novo) aproveitou a presença de importantes figuras dos setores público e privado na Sala Minas Gerais da Orquestra Filarmônica, no Barro Preto, e enfatizou a necessidade das reformas para o Brasil voltar a crescer.

“A grande reforma que precisamos é a da Previdência. Não há uma data exata para sua aprovação, mas ao que tudo indica, ela será aprovada, talvez não em sua totalidade, nos próximos meses. É de suma importância, porque representa a mãe de todas as reformas. Nosso sistema previdenciário virou uma pirâmide financeira e se tornou inviável”, argumentou. Para Zema, a proposta do governo é plenamente possível, “porque é justa e é necessária”.

Desafios – Alguns dos agraciados da noite também apresentaram suas avaliações a respeito do cenário econômico brasileiro e da expectativa quanto às reformas. O diretor-presidente do Grupo Energisa, Ricardo Perez Botelho, que foi homenageado com o diploma de Industrial do Ano, afirmou que o empresariado brasileiro sofre com desigualdade e competitividade perante seus concorrentes mundiais, em virtude dos custos elevados e carga tributária. Para ele, o enxugamento do Estado seria um primeiro passo para reverter essa situação.

“Temos muitos obstáculos, a começar pelo peso do Estado. O empresário precisa de alguns respiros, mas sabemos que ainda não é o momento, então temos que focar na redução do setor público e as reformas poderão ajudar nesta questão”, explicou.

Ele justificou o porquê da reforma tributária. “Seria a maneira de retirar as normas bizantinas, as obrigações acessórias e a dificuldade de abrir negócios no Brasil”, completou.

O CEO e chairman da MRV Engenharia, Rubens Menin, que recebeu a medalha de Mérito Industrial, concedida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), também fez suas ponderações. Para o executivo, a necessidade de aprovação da reforma da Previdência já virou consenso nacional. Mas, na sua avaliação, não é suficiente para resolver os problemas do País.

Menin argumentou que outras reformas precisam ser discutidas, a fim de atender aos anseios da sociedade. “A sociedade quer mudança e é preciso atendê-la. Temos algumas ações inter-regionais muito importantes, que engloba a microeconomia do Brasil e o desenvolvimento regional”, exemplificou.

Comemorações – Ainda como parte das comemorações do Dia da Indústria, o ex-ministro da Agricultura e atual presidente-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli recebeu o título de Construtor do Progresso.

Além disso, como em todo ano, a Fiemg também agraciou outros 15 empreendedores mineiros com a medalha do Mérito Industrial, marcando o reconhecimento da entidade a empresários que, com empreendedorismo e visão de futuro, colaboram de forma decisiva para o desenvolvimento de Minas Gerais e do Brasil.

Criado em 1957, pelo presidente Juscelino Kubitscheck, o Dia da Indústria foi uma homenagem a Roberto Simonsen, patrono da indústria brasileira. No mesmo ano, a CNI criou a Medalha do Mérito Industrial, para homenagear industriais de destaque na cena nacional. A Fiemg passou a celebrar a data três anos depois, em 1960.

Dia da Indústria 2019

Industrial do Ano 2019:
Ricardo Perez Botelho, Diretor-Presidente do Grupo Energisa

Construtor do Progresso:
Alysson Paolinelli, Presidente Executivo da Abramilho

Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI):
Rubens Menin Teixeira de Souza, CEO e chairman da MRV Engenharia

Mérito Industrial:


Angela Toledo Ma, Sócia Diretora da Boa Fé Indústria e Comércio Ltda
Antônio Augusto Rocha Fiuza Filho, Presidente da Mineração Belocal Ltda
Antonio Kuskowski, Presidente CEO Nafta Mercosul da Teksid do Brasil Ltda
Carolina Malloy Dias, Sócia Administradora e Diretora de Arte da Malloy & Diniz Ltda – Arte Sacra
Celio Jose da Silva, Diretor de Operações da Gelateria Antartica Ltda
Fabiana Milazzo Guimarães, Diretora-Geral e Fashion Designer da
Fabiana Milazzo Indústria e Comércio Ltda
Francisco Cláudio da Fonseca, Presidente da F & C Gráfica e Editora Ltda
Gilson Fábio Toledo, Sócio Diretor Financeiro e Comercial da Toledo e Toledo Ltda
Hérika Sendas Resende, Presidente da Criações Ananda Ltda
Iara Gomes Abade, Presidente da Artdeco Móveis Ltda
Leonardo Gabriel Rebouças, Diretor Administrativo e Financeiro da Malhas Keeper Ltda
Luciano de Avelar, Diretor Executivo da Schak Materiais Elétricos Ltda
Márcio Danilo Costa, Presidente da Encel – Engenharia de Construções Elétricas Ltda
Ryder Pereira Filpi, Diretor Industrial da Cal Oeste Ltda
Sérgio Murilo dos Santos, Sócio Diretor da Opção Indústria e Comércio de Embalagens

Pronunciamento do presidente do Sistema Fiemg, Flávio Roscoe, na cerimônia de comemoração do Dia da Indústria

Sinto-me honrado e orgulhoso de estar com todos vocês neste momento importante para a indústria e decisivo para o futuro de Minas Gerais e do Brasil.

Primeiramente, registro, com satisfação, os cumprimentos da indústria mineira e da Federação das Indústrias de Minas Gerais ao governador Romeu Zema, prestigiosa presença nesta noite.

Cumprimento de forma muito especial os homenageados deste Dia da Indústria 2019: Alysson Paolinelli, nosso eterno ministro, que recebe o título de Construtor do Progresso; Rubens Menin, agraciado com o Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria; Ricardo Botelho, CEO do Grupo Energisa e Industrial do Ano 2019!

Saúdo, também com destaque, os 15 empresários mineiros agraciados com o Mérito Industrial da Fiemg. São vocês, caros colegas, que honram o papel de empreendedor em cada canto de nosso Estado. São vocês que enxergam oportunidades, fincam raízes e constroem histórias de desenvolvimento, geram emprego e renda.

Valorizá-los, como fazemos agora, é reconhecer o fio de esperança que há para reconstruirmos o Brasil que sonhamos – e que vamos erguer, não tenho dúvidas.

Nesta noite comemoramos o Dia da Indústria 2019 com a convicção e a clara consciência de que avançamos significativamente neste último ano, desde que, em maio de 2018, assumimos a missão e a grave responsabilidade de gerir o Sistema Fiemg.

Ao mesmo tempo, sabemos bem: a indústria mineira e brasileira não voam em céu de brigadeiro – muito pelo contrário. Sentimos na pele os nefastos efeitos da paralisia econômica pela qual passamos no País.

Esta celebração simboliza, justamente, a união da indústria mineira, de nossas empresas e empresários, para lutar por uma nova nação. Estamos juntos para enfrentar e superar essa crise, que continua sendo a mais grave de nossa história.

Hoje, nessa missão, somos mais de 60 mil indústrias, reunidas em 136 sindicatos empresariais – todos, sem exceção, recebidos de portas e braços abertos na Fiemg.

É dentro deste espírito de união entre sociedade e indústria que buscamos a promoção do desenvolvimento socioeconômico com justiça e equilíbrio.

Buscamos, como missão da Gestão Pró-Indústria – que tenho a honra de presidir -, a promoção da indústria mineira em sintonia com os interesses da sociedade.

Com muito orgulho, somos parte da sociedade na qual estamos inseridos. Os problemas que impactam a economia, a indústria e as empresas também impactam a sociedade, os trabalhadores e suas famílias.

Somos, todos, sócios. Compartilhamos os mesmos objetivos e as mesmas dificuldades. Juntos e unidos, devemos defender os nossos interesses que, não tenho dúvida, são os mesmos.

Temos trabalhado assim neste primeiro ano de Gestão Pró-Indústria. Conforta-nos constatar que esta atuação fundamenta-se, muito especialmente, em um modelo solidariamente participativo, que une as dez Regionais Fiemg, os sindicatos filiados e toda a indústria mineira.

O compartilhamento de ideias, de objetivos e metas nos conduz a uma gestão efetivamente participativa, comprometida com os legítimos interesses da indústria e das nossas Minas Gerais.

Com pouco tempo de trabalho, obtivemos resultados que nos animam a seguir adiante.

Essas são estatísticas, informações, fatos e dados que mostram que a Gestão Pró-Indústria está unida e coesa – pronta para efetivamente defender os interesses legítimos da indústria mineira.

Há, claro, um árduo caminho a ser percorrido. Precisamos avançar em questões fundamentais para o País, como as reformas tributária e da Previdência – esta última, prioridade absoluta para o Brasil.

Costumo dizer que a atual legislação previdenciária brasileira é, na prática, o maior programa de concentração de renda do mundo.

Ela tira dos mais pobres e dá aos mais ricos. A aposentadoria dos pobres fica cada vez menor e a dos ricos, cada vez maior. É absolutamente perverso.

O Brasil não tem opção: ou implanta – agora e com urgência – a “Nova Previdência” ou entrará em situação de irreversível insolvência. Vale dizer: sem a reforma da Previdência, o Estado quebra.

A Fiemg e a indústria mineira estão prontas para, juntos da sociedade, colocarem Minas Gerais e o Brasil no caminho do desenvolvimento e da prosperidade.

Exemplos inspiradores não nos faltam. Nesta noite, felizmente, vejo muitos deles entre nós. Uni-los é, também, um dos objetivos desta solenidade.

Reconhecemos o trabalho dos nossos agraciados. Mas, sobretudo, encontramos neles a força que precisamos para sacudirmos a poeira e seguirmos adiante.

Para finalizar, renovo e reafirmo o compromisso de trabalhar para transformar a ambiência dos negócios em nosso Estado – e o meu convite é para que façamos juntos.

Mobilizados e unidos, seremos fortes para fazer a defesa dos interesses da indústria e da sociedade.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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