Economia

Plano Diretor divide opiniões

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Plano Diretor divide opiniões
Crédito: Embratur

Mesmo depois de aprovado em segundo turno pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e seguir para sanção do prefeito Alexandre Kalil (PHS), o novo Plano Diretor da Capital continua dividindo opiniões nos diferentes setores da sociedade. Enquanto representantes do setor produtivo seguem contrários às mudanças, especialistas em arquitetura e urbanismo levantam pontos positivos e negativos do projeto que vinha sendo discutido desde 2015.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Teodomiro Diniz Camargos, definiu a aprovação como lamentável e argumentou que faltaram discussões técnicas do projeto, a fim de evitar o que ele chamou de prejuízos à economia, ao desenvolvimento e à geração de emprego em Belo Horizonte.

“O que o novo plano traz é o aumento da arrecadação da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Apenas isso. Não oferece garantias sobre a destinação destes recursos, não soluciona os problemas da cidade e encarece as moradias da Capital”, resumiu.

Para Camargos, os prejuízos serão sentidos não apenas no setor produtivo, mas na sociedade como um todo, promovendo uma estatização da economia belo-horizontina, transferindo recursos do setor privado para o poder público municipal.

“Isso vai ser prejudicial ao desenvolvimento de Belo Horizonte, gerando mais desemprego, mais perda de renda e da economia da Capital. Haverá ainda mais dispersão da população e piora do tráfego de acesso às cidades”, argumentou.

Da mesma maneira, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG) divulgou ser contra o projeto, justamente, pela descentralização municipal, ao lado de pontos como a redução do coeficiente de aproveitamento dos terrenos e a outorga onerosa. Por isso, chegou a enviar aos vereadores da capital mineira uma nota técnica informando a posição.

A entidade defende que o novo Plano Diretor está na contramão das necessidades dos belo-horizontinos, uma vez que amplia as políticas restritivas que afastam o cidadão das regiões centrais da cidade, gerando uma fuga para áreas mais distantes e cidades vizinhas. Para os especialistas da Fecomércio, tal postura aumenta a especulação imobiliária nessas regiões e prejudica demasiadamente as classes menos favorecidas economicamente.

Já a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea) chegou a fazer um estudo sobre a implantação das mudanças na Capital. Segundo a presidente da Asbea, Fernanda Basques, o levantamento indicou que haverá perdas e consequências para toda a cidade.

“O mais preocupante é a falta de um estudo econômico destes impactos por parte da prefeitura. O Executivo alega que existem, mas não os apresenta. Estudamos este projeto há anos analisando os números e avaliamos que não só os grandes empresários irão perder com as mudanças. As pessoas comuns, a sociedade como um todo, irão perder com a outorga onerosa, por exemplo”, afirmou.

Além disso, a especialista ressaltou que os problemas estruturais como infraestrutura e mobilidade da capital mineira não serão resolvidos com medidas pontuais.

“O que existe por trás é um trabalho de aumento da arrecadação, sem desdobrar os efeitos em cascata. Não se trata de um planejamento urbano”, opinou.

Prefeitura – Procurada pela reportagem, a prefeitura não comentou a aprovação do projeto pela Câmara. No mês passado, em entrevista coletiva, o prefeito Alexandre Kalil chegou a dizer que a “Prefeitura de Belo Horizonte e a Câmara Municipal não estavam à venda”, em referência a uma suposta pressão de “grandes empresários” da cidade para que o projeto não fosse aprovado.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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