Entidades mineiras não aprovam manutenção da Selic

Autoridade monetária manteve a taxa Selic em 13,75% e efeitos preocupam o setor produtivo em Minas Gerais
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Entidades mineiras não aprovam manutenção da Selic
Sede do Banco Central, em Brasília | Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Por decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros (Selic) a 13,75% ao ano. Esta é a sexta vez que a instituição financeira mantém os juros no mesmo nível, desde agosto do ano passado, quando atingiu o atual patamar. Embora a medida não tenha surpreendido o mercado, entidades representativas de diferentes setores indicaram descontentamento com a decisão, sob a justificativa de que a medida compromete a economia real.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) ressaltou as consequências negativas que a manutenção poderá trazer para a atividade econômica brasileira. Por nota, a entidade argumentou que as taxas de juros elevadas podem dificultar o acesso das empresas ao crédito e inibir investimentos, comprometendo o bem-estar da população e o progresso do País.

Ainda conforme a Fiemg, para garantir um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico, é fundamental o estabelecimento de um arcabouço fiscal que ajude a ancorar as expectativas e reduzir os prêmios de risco. A Federação também destacou que se faz necessária a promoção de reformas que aumentem a eficiência dos gastos do governo e auxiliem na diminuição da inflação e das taxas de juros de médio e longo prazos.

“Apenas dessa forma será possível alcançar um crescimento econômico sustentável e duradouro do País”, diz o texto.

FCDL-MG avalia que a manutenção da Selic vai comprometer o dinamismo da economia

Já a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG) avalia que a estabilização da Selic vai continuar comprometendo o dinamismo da economia real. E que o aperto monetário permanece encarecendo o crédito, pesando sobre os investimentos e aumentando a inadimplência, impedindo que o comércio de bens e serviços avance.

Para o presidente da entidade, Frank Sinatra Chaves, que assina a nota enviada pela Federação, o Banco Central deve encontrar o balanço entre desaceleração da atividade e convergência da inflação, visando administrá-lo de forma eficiente. Ele argumenta que desde janeiro de 2017, a Selic permanece no seu maior nível.

“Espero que, quando o BC sinalizar os cortes na taxa, não seja tarde demais e esses percam a assertividade de dar ao Brasil a celeridade tão esperada na economia. Resta-nos aguardar, na expectativa de que o novo arcabouço fiscal, além de um cenário externo menos conturbado, possa criar o ambiente perfeito para que o BC aponte uma nova tendência para um Brasil que, hoje, precisa do básico para evoluir”, afirmou.

ACMinas alerta para a necessidade de elevação da meta da inflação

O economista da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Paulo Casaca, avaliou que a decisão indica que o comitê continua relutante em acreditar que o atual cenário de atividade econômica em desaceleração possa levar a inflação para o centro da meta de 3,25% até 2024.

Para o especialista, a ideia de que a taxa Selic deva permanecer elevada para manter a atividade desaquecida e, assim, controlar a inflação, não deveria ser vista como a única possibilidade. Segundo ele, a discussão sobre a mudança da meta de inflação tem crescido, e isso deveria ser visto com bons olhos.

“Uma meta de inflação um pouco mais alta contribuiria para que a economia brasileira convivesse com juros mais baixos. O problema é o efeito desta medida nas expectativas do mercado”, afirmou, também em nota.

Casaca lembrou que tanto a produção industrial quanto as vendas no varejo continuam andando de lado, e não há certeza de que os serviços continuarão liderando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), como em 2022. Assim, “ainda que o controle inflacionário seja prioridade, a economia estagnada, com desemprego elevado e baixo nível de investimento, também deveria ser preocupante para o Copom, assim como o é para seus pares internacionais”, alertou.

CDL-BH fala em crédito mais caro para empresas e consumidores

E a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) enfatizou que o aperto monetário tem desacelerado a economia e deixado o crédito mais caro para empresas e consumidores.

“Ainda que a taxa esteja estabilizada desde agosto passado, ela está no nível mais alto desde 2017. Com isso, o crédito para os empresários está mais caro e eles têm mais dificuldade em investir em seus negócios, além de repassar esse valor para o preço final dos produtos. Por outro lado, as famílias têm dificuldade em cumprir seus compromissos financeiros e são afetadas pelo aumento do crédito rotativo do cartão, que é uma das principais formas de pagamento utilizada pelos consumidores”, explicou o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva.

O dirigente reforçou, por fim, que o setor de comércio e serviços, uma das principais forças econômicas do País e a maior da capital mineira, espera o fim do aperto monetário. “Destacamos, mais uma vez, a importância de o Banco Central adotar um sistema de controle da inflação mais moderno, que leve em consideração o fato de que o Brasil está em desenvolvimento e com uma economia com muitos pontos frágeis. Este aperto monetário já dura há bastante tempo e o temor é de que o ambiente econômico seja ainda mais prejudicado”, finalizou.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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