Política

Municípios temem perdas com reforma tributária

Mandatários se reuniram ontem em Brasília para discutir as mudanças previstas no sistema de tributos no País
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Municípios temem perdas com reforma tributária
Relator da reforma tributária, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) se reuniu com milhares de prefeitos em evento da CNM | Crédito: Alberto Ruy / CNM

Prefeitos de cerca de 200 cidades de Minas Gerais estiveram reunidos, ontem, em Brasília, em um encontro promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), para debater a reforma tributária e os impactos nos municípios.

O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinicius Bizarro, acompanhou e liderou a caravana de gestores mineiros representando a associação.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios e líder do movimento municipalista, Paulo Ziulkoski, mediou o debate com o relator da matéria em tramitação na Câmara dos Deputados, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que garantiu que os pontos e premissas defendidas pela Confederação serão acatados no relatório após amplo debate com a entidade.

“É inquestionável que é um anseio da população a reforma tributária. Mas o cidadão comum não quer pagar mais imposto, os empresários também não, e tampouco os municípios querem perder recurso”, defendeu o presidente da AMM.

Entre os pleitos apresentados pelos prefeitos estão: as compras públicas com imunidade recíproca plena; a participação paritária da governança no conselho deliberativo; a destinação automática dos recursos; e fundos estaduais e federais com transição partilhada com os municípios.

Bizarro defende que é desejo comum a participação dos municípios no sistema de governança, de forma que tenham “voz e vez no comitê”, pontuou. Sobre os recursos, ele afirma que querem destinação automática dos recursos. “Queremos que eles fiquem onde estão sendo consumidos, sem precisar subir para o comitê. Por que precisa subir para depois voltar para o município?”, indagou.

Outro item discutido foi o fundo de transição como mecanismo de proteção aos municípios. Bizarro explica que a expectativa, de acordo com uma pesquisa apresentada por especialistas do grupo de trabalho sobre a reforma tributária da CNM, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é que 98% dos 5.568 municípios brasileiros, têm potencial de ganhos na arrecadação com a reforma tributária em um período de 20 anos, a depender dos impactos positivos que ela provocar no crescimento do produto interno bruto (PIB). “A gente vê com bons olhos estes números. Mas estamos discutindo que aqueles que venham a perder algo, tenham um fundo compensatório que os garanta nesses anos e não fiquem em desvantagem”, alega.

Preocupações

Marcos Vinicius Bizarro destaca que o que está sendo aprovado, agora, é o texto-base e alerta: “Os municípios precisam ficar atentos depois da aprovação com as leis complementares que virão adiante: fundos, transições, detalhamentos”.

O prefeito de Coronel Fabriciano ressalta que uma preocupação são os setores de comércio e serviços. “Se não tiver uma lei complementar muito bem detalhada, estes setores podem ser prejudicados sim”, diz.

O gestor da AMM reforça ainda que está atento a tudo para que os municípios não sejam prejudicados. “Nem os municípios, nem os cidadãos e, principalmente, os que geram empregos no País, como os setores de serviço, comércio e indústria”, alegou.

Outros assuntos de interesse dos municípios

Ainda na reunião, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, aproveitou para informar os gestores participantes sobre o andamento de pautas como o aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o piso da enfermagem. E também, reforçou a importância de os gestores estarem sempre mobilizados e de mobilizar os parlamentares para a aprovação de projetos de interesse dos municípios.

“Vocês precisam se reunir com as lideranças estaduais. Visitem os parlamentares e reforcem a importância da nossa pauta. Peço que os senhores falem com eles e acompanhem as votações. Precisamos pautar nossos temas. Desculpem-me colocar dessa forma, mas precisamos nos unir e dar urgência nesses projetos”, solicitou Ziulkoski.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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