Minas Gerais tem 21 barragens com risco de acidentes, diz ANA
Segundo relatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), existem 14 mil barragens no País (1.502 só em Minas Gerais), com fins de mineração e armazenagem de água. Desse número, 213 apresentam risco de acidentes, podendo atingir pessoas ou equipamentos relevantes, como estradas e pontes, de acordo com o Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado pela agência.
Entre as estruturas com constante monitoramento, 21, ou 10% das barragens com riscos estão em Minas Gerais. Apenas três não são destinadas à mineração. As outras 18 são para armazenar rejeitos de minério ou sedimentos.
Apesar do risco de rompimento, todas as 21 barragens estão classificadas no item “atende” nos critérios de segurança.
A maioria das estruturas que constam no relatório da ANA se localiza na Região Metropolitana de Belo Horizonte (Brumadinho, Nova Lima e Itabirito) e na região Central do Estado (Ouro Preto, Mariana, Barão de Cocais).
Acidentes
O relatório aponta ainda que, em 2025, aconteceram 18 acidentes e 23 incidentes com barragens no País, sem mortes. Minas Gerais representou 38% desses acidentes, com sete ocorrências registradas no ano passado.
Houve, porém, evacuação de áreas urbanizadas e danos em estradas e pontes. Nos acidentes, as estruturas das barragens colapsaram, enquanto nos incidentes elas foram afetadas, com risco de rompimento.
As estruturas consideradas prioritárias para gestão de segurança são aquelas que, de acordo com a ANA, apresentam problemas de conservação ou para as quais os empreendedores (responsáveis) não cumpriram todos os requisitos de segurança exigidos na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). Essas estão espalhadas por 19 estados e pelo Distrito Federal, com destaque para estruturas no Ceará, em Mato Grosso e em São Paulo.
Entre as atividades, a mineração é a que tem maior número de estruturas prioritárias, com 55 (26%), enquanto 51 (24%) das dedicadas ao abastecimento de água para a população estão em situação semelhante, seguidas por estruturas para irrigação, com 29 (14%), regularização de vazão, com 20 (9%), paisagismo, com 17 (8%), dessedentação de animais, com 16 (8%), e outros usos, com 25 (12%).
Fiscalização em campo
Em 2025, Minas Gerais foi um dos estados que mais realizou fiscalizações em campo no país: 403 fiscalizações, correspondendo a 14% do total nacional de 2.924 (segunda colocação, atrás apenas de São Paulo, com a SP-ÁGUAS).
Mas, ainda segundo o RSB 2026, o volume de profissionais que fiscalizam as estruturas tem caído. “Pela primeira vez desde o acidente com a barragem de Brumadinho, em 2019, houve queda no número de profissionais que atuam na fiscalização de barragens. Nas 33 instituições que desempenham esse papel de fiscalização, há 333 profissionais trabalhando com essa temática, sendo 161 (48%) exclusivamente dedicados à segurança de barragens e 172 (52%) profissionais que dividem essa atuação com outras atividades”, diz a ANA em nota.
Em 2025, existiam 23 profissionais a mais. O déficit para a formação das equipes mínimas recomendáveis em 28 dos 33 órgãos é de, ao menos, 221 profissionais dedicados exclusivamente à função.
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