Economia

Nova escalada entre EUA e Irã reacende alerta para exportações e custos em Minas

Recrudescimento da tensão entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz eleva custos logísticos e ameaça setores produtivos de Minas Gerais
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Nova escalada entre EUA e Irã reacende alerta para exportações e custos em Minas
Foto: Stringer / Reuters

Menos de um mês após anunciar um acordo de paz com o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mudou de ideia e voltou a atacar o país do Oriente Médio. Ele afirmou que cobrará pedágio para os navios que passarem pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio petroleiro do mundo.

E como todo movimento estadunidense na região tem criado conflitos armados, com retaliação iraniana, o impacto na economia global deverá ser sentido com mais intensidade outra vez.

Em Minas Gerais, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) demonstrou preocupação com a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, e com declarações feitas na segunda-feira (13) por Trump, ameaçando aumentar a escala do conflito.

Segundo a entidade, o agravamento das tensões no Estreito de Ormuz torna as operações internacionais ainda mais imprevisíveis e representa um novo sinal de alerta para os setores produtivos de Minas Gerais e do Brasil.

Trump anunciou a volta do bloqueio naval contra embarcações iranianas e declarou que os Estados Unidos passarão a cobrar uma tarifa de 20% sobre as cargas que passam pelo Estreito, como forma de compensar os gastos com as operações de segurança realizadas pelo governo americano na região.

O Irã reagiu negando qualquer possibilidade de os EUA interferirem no controle da rota marítima e ameaçou tomar represálias contra embarcações e países do Golfo Pérsico que apoiarem a posição norte-americana.

O analista de negócios internacionais da Fiemg, Cristian Wallace Lopes, destacou que os conflitos impactam diretamente no valor de alguns insumos estratégicos para importação.

“Um exemplo claro é a questão do enxofre, cujo valor aumentou consideravelmente durante esse conflito no início do ano. É um material importante para o polo agrícola de Minas Gerais. Algumas empresas também o usam como insumo para fabricar fertilizantes. Por isso, há uma preocupação muito grande”, disse.

Prejuízos

Um levantamento do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, baseado em dados do Comex Stat, já mostrou os efeitos das restrições na região. Em maio de 2026, o comércio brasileiro com oito países do Oriente Médio somou US$ 1,04 bilhão, o menor valor mensal desde janeiro de 2021.

Considerando o período entre março e maio deste ano, as exportações mineiras para esses mercados tiveram queda de 44% na comparação com o mesmo intervalo de 2025, enquanto as importações recuaram 71%.

O minério de ferro, principal produto de exportação do Estado, está entre os itens mais prejudicados. Em maio, o valor médio pago pelas importações de enxofre em Minas Gerais subiu 185% em relação ao mesmo mês do ano passado.

“Nos países do Golfo, também temos exportações de milho, entre outras regiões. No geral, no cenário global, esse conflito já impactou e pode continuar impactando os preços logísticos. Assim, tanto as exportações quanto as importações tendem a ficar mais caras com a continuidade do conflito”, comenta o analista da Fiemg.

Caminhos

Lopes indica que os setores produtivos de Minas Gerais terão de diversificar seus caminhos de exportação e encontrar meios de mitigar o efeito dos custos que o conflito pode gerar.

“Um reforço sobre a necessidade de estar sempre preparado, sempre acompanhando o cenário internacional. Buscamos sempre diversificar os destinos das ofertas, ou seja, o cenário de exportações. Estamos buscando variação de parceiros, tanto para exportação quanto para importação, nos preparando, porque o cenário internacional realmente está imprevisível neste ano”, pondera.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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