Vendas de veículos pesados em Minas caem 20% no primeiro semestre e mercado não deve reverter queda
O mercado de veículos pesados, protagonizado por caminhões e ônibus, registrou queda de aproximadamente 20% em Minas Gerais no primeiro semestre de 2026. O recuo foi impulsionado por uma combinação de fatores que incluem a postergação da renovação de frotas, diante de um cenário de juros em patamares elevados.
Entre janeiro e junho, foram comercializadas 7.337 unidades no Estado frente a 9.233 registradas no primeiro semestre de 2025. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
No recorte por segmento, a maior queda na comparação com o primeiro semestre do ano passado foi registrada no emplacamento de caminhões (-24,5%), seguido por ônibus (-6,2%) e implementos rodoviários (-5,2%). Por outro lado, os segmentos apresentaram recuperação no resultado mensal na comparação com igual período de 2025, com desempenho 12,9% e 8,4% maior respectivamente.
Para as concessionárias, o cenário exige maior esforço comercial para concretizar as vendas. Os veículos extrapesados, como os cavalos mecânicos utilizados para tracionar semirreboques, estão entre os segmentos mais afetados pela retração da demanda.
O gerente de vendas da Elmaz Caminhões, Joubert Barbosa, confirma que o cenário continua desafiador para as concessionárias. Segundo ele, as grandes transportadoras têm adiado a renovação das frotas diante do elevado custo do crédito, enquanto as compras realizadas por pequenas e médias empresas têm sustentado parte das vendas.
“O grande cliente não está comprando. Está postergando a renovação da frota. Quem está vindo é o pequeno e o médio. Neste ano, praticamente não tivemos grandes negociações”, destaca.
A taxa básica de juros, ainda em patamar elevado, está entre os principais gargalos para o setor. Os elevados juros encarecem o financiamento e dificultam a aquisição de veículos pesados, principalmente para empresas que dependem de crédito para investir.
Programa Mover destrava negociações de veículos pesados
Além disso, o mercado chegou a ser impactado pela expectativa em torno da nova linha de crédito do Programa Mover, anunciada pelo governo federal. A demora entre o anúncio e a liberação efetiva dos recursos fez com que muitos clientes adiassem as compras à espera de condições mais favoráveis.
“O governo sinalizou que o programa sairia em abril, mas a operação só começou em maio. Isso acabou travando as vendas por um período, porque muitos clientes preferiram esperar”, destaca.
Ainda assim, de acordo com Barbosa, a liberação de R$ 21 bilhões em crédito para pessoas jurídicas levou novo fôlego ao mercado. “Quando o crédito foi disponibilizado, houve uma corrida pelos financiamentos. Isso trouxe um gás para o mercado e a expectativa é de que os emplacamentos melhorem no próximo mês”, salienta.
Concessionárias apostam em reação no segundo semestre
Apesar do cenário desafiador, Barbosa afirma que a expectativa é de um segundo semestre mais aquecido, seguindo um comportamento sazonal do mercado. Mesmo assim, a recuperação não deve ser suficiente para reverter a queda acumulada no ano.
A tendência, segundo ele, é que 2026 encerre com um volume de vendas semelhante ao do ano passado. Em 2025, o mercado brasileiro emplacou cerca de 126 mil caminhões, abaixo das aproximadamente 134 mil unidades registradas em 2024.
“Se repetirmos o desempenho de 2025, já será um bom resultado. Historicamente, o segundo semestre é melhor para o setor, porém, alguns fatores podem influenciar o ritmo dos negócios nos próximos meses, como o período eleitoral”, avalia Barbosa.
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